Crônica de um amor louco


CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO

“Perto dessas histórias rudes e ríspidas de hoje dos chamados “vendagens garantidas”, os contos e poemas de outros autores parecem narrativas de colegiais, que nada têm a ver com o mundo desse grande autor que nos envolve e sufoca, mas ao mesmo tempo é lírico e romântico.”
Por Elenilson Nascimento
O livro original foi lançado nos EUA sob o título de“Erections, Ejaculations, Exibitions and general tales of ordinary madness” do genial escritor Charles Bukowski (1920-1994) e chegou ao Brasil, através daL&PM, dividido em dois volumes: “Crônica de um amor louco” (1984) e “Fabulário geral do delírio cotidiano”(1986).
Mas, na verdade, esse livro é uma coletânea de contos dentre os quais destacam-se os clássicos “A mulher mais linda da cidade” e “Política é o mesmo que fuder cu de gato”. A vadiagem transformada em arte. As bebedeiras como poesia. Ridículas brigas em bares. Bukowski fez literatura com tudo o que encontrou na história da sua própria vida: angústias, bobagens, dramas, gafes, drogas e fodas. E acabou tornando-se umescritor único. Escatológico, melodramático, cínico, marginal(izado), antiacadêmico, anti-grupos literários, lírico, alcoólatra, machista, politicamente incorreto, anarquista e um grande escritor. Tudo o que eu admiro e sinto falta nas porras que se dizem acadêmicos e o pior, se dizem autores.
"Cartas na rua", "Mulheres", "Misto Quente", "Hollywood" são apenas alguns dos romances de Bukowski, que também era poeta e trabalhou em diversos empregos medíocres durante a vida inteira até ser consagrado como escritor e ter seu espaço na literatura americana contemporânea. Mas alguns críticos ainda teimam, mesmo nos dias de hoje, em colocá-lo lado a lado com a turma dos beatniks, mas Bukowski nada tem a ver com a turma de Kerouac e/ou Ginsberg.
Os beats são filhos do surrealismo francês, gostavam de jazz e eram liberais sexualmente. Estavam à margem do sistema, e talvez apenas aí haja uma comparação entre eles. Já o velho Buk, "the old dirty man" (além de adorar Mozart eSchoppenhauer) era um escritor solitário, era uma gangue sozinho, era um beberrão sensível.
Este primeiro volume leva o título do filme que o italiano Marco Ferreri realizou baseado nos textos de Buk e cuja linha mestra é exatamente o primeiro conto do livro, “A mulher mais linda da cidade”. Ao narrar a história de Cass, uma bela mestiça que passara a adolescência em um convento, Buk mergulha na excitação frenética, na insanidade corrosiva das noites mormacentas e manhãs de névoa poluída da sua amada Los Angeles.
Os contos parecem brotar do seu estômago ulcerado, são jogados ao papel entre espasmos e fantasias alcoólicas disformes. Perto dessas histórias rudes e ríspidas de hoje dos chamados “vendagens garantidas”, os contos e poemas de outros autores parecem narrativas de colegiais, que nada têm a ver com o mundo desse grande autor que nos envolve e sufoca, mas ao mesmo tempo é lírico e romântico.
Seus contos sempre terminam bruscamente, mas deixam uma pequena suspensa no ar uma sensação de dignidade e esperança na raça humana. Coisa que eu mesmo ando perdendo. O livro é uma verdadeira jornada pelo universo infernal e onírico do velho e safado Buk. Seus personagens são desvalidos, alucinados e perdidos em quartos imundos de hotéis baratos.
Seus bares enfumaçados nas longas e loucas noites de neon: o sonho americano reduzido a trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que Bukowski amava acima de todas as coisas. Bukowski é muito melhor do que 100 autores jutos que infestam as livrarias e academias atualmente. (“CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO” de Charles Bukowski, crônica, 312 pág., L&PM - 1984)
+ O filme “Crônica de um amor louco” (1981) é baseado em alguns dos contos publicados originalmente no já citado livro“Erections, Ejaculatios, Exibitions...” publicado no Brasil em dois volumes. O filme, dirigido por Marco Ferreri, conta com a belaOrnella Muti no papel de Cass, a protagonista do conto “A mulher mais linda da cidade”, é um dos mais elogiados cult-movies dos anos 80. Inspirando-se na vida e na obra de Bukowski, Ferreri (de “A Comilança”) criou um filme ousado repleto de erotismo e lirismo. Charles Serking (Ben Gazarra) é um poeta anárquico e beberrão que vive no submundo de Los Angeles, entre prostitutas e marginais. Seus textos estão repletos de sexo e degradação. Um dia, ele conhece uma prostituta linda e autodestrutiva chamada Cass, e os dois iniciam um romance de proporções trágicas. Numa de suas maratonas pelos bares, conhece a linda prostituta Cass, com quem inicia um tórrido e trágico romance. Filme massa! Áudio: italiano, legendas: português, duração: 101 min., qualidade: DVDRip, tamanho: 329 MB e servidor: Rapidshare (3 partes):

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