quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Abre-te Sésamo!


PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN


Renan Calheiros e Henrique Alves
CARLOS BRICKMANN
Pode ficar escandalizado desde já: na semana que vem, o senador Renan Calheiros deve ser eleito presidente do Senado (e, portanto, presidente do Congresso). Continue escandalizado: a menos que aconteça algo totalmente inesperado, o deputado Henrique Alves será eleito presidente da Câmara (e, portanto, o segundo na linha sucessória da Presidência da República, atrás apenas do vice-presidente Michel Temer). Aliás, se por qualquer motivo Alves não puder substituir a presidente da República, o próximo na linha sucessória será Renan.
Pode deixar de escandalizar-se. Renan e Henrique Alves, ambos do PMDB, são amplamente conhecidos pelos eleitores. Renan já teve de renunciar à Presidência do Senado, para não ser cassado, quando alguns dos assuntos que julgava particulares foram trazidos a público. Henrique Alves brigou com a própria irmã gêmea, Ana Catarina, por disputa de poder político; brigou com a ex-esposa, Mônica Azambuja, pela partilha de bens depois do divórcio (ela o acusou de subestimar o patrimônio do casal e de ter remetido irregularmente muito dinheiro ao Exterior). No caso dele, tudo já está certo: esta sua ex-esposa ─ bem como o filho de Henrique Alves ─ estão bem empregados em Brasília, na Conab, Cia. Nacional de Abastecimento, velho feudo do partido de ambos, o PMDB.
Nada disso é secreto; e, nas campanhas eleitorais, foi levantado por seus adversários. Mesmo assim, ambos foram eleitos. Então, caro eleitor, assuma a culpa: eles não chegaram lá sozinhos.
Jamais teriam êxito sem seu precioso voto.
Perguntas sem resposta
1 – Por que senadores e deputados (estaduais e federais) precisam de um carro à disposição, mais motoristas, com gasolina e manutenção por nossa conta?
2 – Imaginando que precisassem, por que a concorrência foi especificada de tal maneira que só dois modelos de automóveis podem concorrer?
3 – Por que magistrados precisam de carro oficial? Nos Estados Unidos, só o presidente da Suprema Corte tem direito a carro oficial.
4 – O prefeito de Atibaia, bela cidade de 130 mil habitantes perto de São Paulo, deve precisar de carro oficial, pois tem de viajar muito à Capital. Mas precisa de um Ford Edge importado do Canadá, de mais de R$ 130 mil? Da mesma marca, um Ford EcoSport, que custa a metade, não resolveria o problema?
5 – Pouca coisa? Some o número de parlamentares, magistrados, prefeitos, multiplique pelo preço dos carros, mais motoristas, mais despesas. É por essas e outras que o dinheiro para atividades essenciais acaba ficando curtinho.
 Me dá um dinheiro aí
Vereadores e prefeitos andaram promovendo fartos aumentos de salários nessas últimas semanas, pouco se importando com o atendimento das necessidades da população (as cidades serranas do Rio, por exemplo, continuam em ruínas desde as chuvas do ano passado, mas Suas Excelências tiveram bons aumentos).
Até aí, neste país, tudo normal. Mas o prefeito de Nova Iguaçu, RJ, o peemedebista Nelson Bornier, tripudia sobre o cidadão. Seu reajuste foi de 102,1% (algo que o caro leitor dificilmente terá obtido), e ainda disse que este tsunâmico aumento “é digno”. Completando: “É mais do que justo para quem quer fazer trabalho sério e honesto, principalmente no momento em que há gente que vive de corrupção”.
Ou seja, o corrupto só é corrupto porque ganha pouco. Marcos Valério, pobre moço, se ganhasse melhor não estaria entre os mensaleiros.

"INTILIQUITUAIS...,"


O palanqueiro que não desencarna do Planalto resolveu virar co-presidente

Quando Lula agarra um microfone, os plurais saem em desabalada carreira, a gramática se refugia na embaixada portuguesa, a regência verbal se esconde no sótão de um casarão abandonado, o raciocínio lógico providencia um copo de estricnina (sem gelo) e os dicionários se apavoram com a iminência de outra selvagem sessão de tortura. Já no primeiro parágrafo, os brasileiros que não tratam o idioma a socos e pontapés ficam pálidos de espanto ou vermelhos de vergonha. Menos os devotos da seita lulopetista.
“Quando Lula fala, o mundo se ilumina”, jura há quase 10 anos Marilena Chauí, professora da USP que também jura ser filósofa. A descoberta assombrosa justifica o lugar reservado à companheira no “Encontro com  Intelectuais sul-americanos”, promovido nesta segunda-feira pelo Instituto Lula: Marilena está no palco, sentada à direita do Mestre. Com o rosto apoiado numa das mãos, parece à espera do momento em que a luminosidade do orador obrigará a plateia a proteger os olhos com óculos escuros.
Os presentes, esclarece a inscrição atrás da mesa, são Intelectuais (assim mesmo, com I maiúsculo). Estão reunidos não para um “encontro de” qualquer, mas para o  “Encontro com”. Com Lula, naturalmente. Na abertura da discurseira, o ex-presidente avisou que estava ali para ouvir. Só parou de falar quando a garganta implorou por descanso. Gastou alguns minutos louvando a integração dos Intelectuais da América do Sul. No resto do tempo, tratou do que efetivamente interessa a um palanqueiro em campanha há quase 40 anos.
Primeiro, Lula comunicou que está aprendendo a ser ex-presidente, e ensinou que “é necessário tomar cuidado para fazer política sem parecer que quer continuar no cargo de mandatário”. Em seguida, deixou claro que continuará fazendo exatamente o contrário do que acha certo. “Lula vai cuidar pessoalmente das articulações com a base de Dilma para tentar garantir apoio à reeleição da presidente”, contou o companheiro Paulo Vanucchi aos jornalistas proibidos de testemunhar a aula de incoerência. Segundo o diretor do Instituto Lula, o chefe “vai gastar toda a energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB”. Ou seja: para assegurar a permanência de Dilma Rousseff no poder, Lula resolveu reduzir-lhe os poderes e nomear-se co-presidente.
O primeiro encontro entre a presidente eleita e o presidente que nunca desencarnou do Planalto deveria ocorrer em Brasília. Dilma sugeriu que conversassem em São Paulo nesta sexta-feira, quando visitará a cidade para participar das comemorações do aniversário. A aparente demonstração de subserviência camufla a esperteza geopolítica. Assombrado pelo caso Rose e pelo pau de macarrão de Marisa Letícia, tudo o que Lula quer é ficar longe de casa. A presidente vai mantê-lo  por aqui no feriadão que começa no dia 25.
Pena que a afilhada não se anime a bater de frente com o padrinho. Se lhe estendesse o tratamento que dispensa aos ministros, o local do encontro seria o escritório da Presidência da República em São Paulo. Assim que Lula  entrasse na sala que abrigava a chefe de gabinete, Dilma perguntaria se o visitante notou alguma mudança na paisagem. Ou se acha que está faltando alguém.
*Augusto Nunes

"INTELIQUITUAIS...,"


O palanqueiro que não desencarna do Planalto resolveu virar co-presidente

Quando Lula agarra um microfone, os plurais saem em desabalada carreira, a gramática se refugia na embaixada portuguesa, a regência verbal se esconde no sótão de um casarão abandonado, o raciocínio lógico providencia um copo de estricnina (sem gelo) e os dicionários se apavoram com a iminência de outra selvagem sessão de tortura. Já no primeiro parágrafo, os brasileiros que não tratam o idioma a socos e pontapés ficam pálidos de espanto ou vermelhos de vergonha. Menos os devotos da seita lulopetista.
“Quando Lula fala, o mundo se ilumina”, jura há quase 10 anos Marilena Chauí, professora da USP que também jura ser filósofa. A descoberta assombrosa justifica o lugar reservado à companheira no “Encontro com  Intelectuais sul-americanos”, promovido nesta segunda-feira pelo Instituto Lula: Marilena está no palco, sentada à direita do Mestre. Com o rosto apoiado numa das mãos, parece à espera do momento em que a luminosidade do orador obrigará a plateia a proteger os olhos com óculos escuros.
Os presentes, esclarece a inscrição atrás da mesa, são Intelectuais (assim mesmo, com I maiúsculo). Estão reunidos não para um “encontro de” qualquer, mas para o  “Encontro com”. Com Lula, naturalmente. Na abertura da discurseira, o ex-presidente avisou que estava ali para ouvir. Só parou de falar quando a garganta implorou por descanso. Gastou alguns minutos louvando a integração dos Intelectuais da América do Sul. No resto do tempo, tratou do que efetivamente interessa a um palanqueiro em campanha há quase 40 anos.
Primeiro, Lula comunicou que está aprendendo a ser ex-presidente, e ensinou que “é necessário tomar cuidado para fazer política sem parecer que quer continuar no cargo de mandatário”. Em seguida, deixou claro que continuará fazendo exatamente o contrário do que acha certo. “Lula vai cuidar pessoalmente das articulações com a base de Dilma para tentar garantir apoio à reeleição da presidente”, contou o companheiro Paulo Vanucchi aos jornalistas proibidos de testemunhar a aula de incoerência. Segundo o diretor do Instituto Lula, o chefe “vai gastar toda a energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB”. Ou seja: para assegurar a permanência de Dilma Rousseff no poder, Lula resolveu reduzir-lhe os poderes e nomear-se co-presidente.
O primeiro encontro entre a presidente eleita e o presidente que nunca desencarnou do Planalto deveria ocorrer em Brasília. Dilma sugeriu que conversassem em São Paulo nesta sexta-feira, quando visitará a cidade para participar das comemorações do aniversário. A aparente demonstração de subserviência camufla a esperteza geopolítica. Assombrado pelo caso Rose e pelo pau de macarrão de Marisa Letícia, tudo o que Lula quer é ficar longe de casa. A presidente vai mantê-lo  por aqui no feriadão que começa no dia 25.
Pena que a afilhada não se anime a bater de frente com o padrinho. Se lhe estendesse o tratamento que dispensa aos ministros, o local do encontro seria o escritório da Presidência da República em São Paulo. Assim que Lula  entrasse na sala que abrigava a chefe de gabinete, Dilma perguntaria se o visitante notou alguma mudança na paisagem. Ou se acha que está faltando alguém.
*Augusto Nunes

Coisas da sexta economia(dizem que agora é sétima) do planeta...,


Mais de 70% das escolas públicas não têm biblioteca

Para equipar todas as 113.269 unidades até 2020, como prevê lei, seria necessária construção de 34 bibliotecas por dia

Segundo estudo, 80,6% das escolas construídas entre 2008 e 2011 não têm biblioteca
Segundo estudo, 80,6% das escolas construídas entre 2008 e 2011 não têm biblioteca (Agência Brasil)
O Brasil precisa construir 130.000 bibliotecas escolares até 2020 para cumprir a lei 12.244, que obriga as instituições públicas e privadas de ensino do país a manter um acervo mínimo de um livro para cada estudante. Hoje, apenas 27,5% das escolas públicas têm bibliotecas. Segundo levantamento realizado pelo movimento Todos Pela Educação com base no Censo Escolar 2011, só para equipar a parcela carente das 113.269 unidades públicas até o prazo previsto em lei, seria necessária a construção de 34 bibliotecas ao dia.
O estudo compara números do Censo 2011 com os de 2008 e revela que mais de 80% das escolas construídas entre 2009 e 2011 não possuem bibliotecas. Das 7.284 instituições inauguradas no período, pouco mais de 1.500 contemplam o espaço de leitura.
Os estados mais carentes são os das regiões Norte e Nordeste. Na rede municipal do Maranhão, só 6% das escolas têm bibliotecas. Apesar dos piores resultados se concentrarem nesses áreas, São Paulo ostenta um dos piores índices do ranking: 85% das unidades das redes estadual e municipais não têm bibliotecas, totalizando 15.084 unidades carentes.
O prejuízo é enorme: a edição 2012 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, da Fundação Pró-Livro, mostrou que as bibliotecas escolares são a principal forma de acesso a livros entre crianças e jovens de 5 a 17 anos de idades. "Isso mostra que só a legislação não é suficiente, porque tem lei que realmente não pega", afirma Priscila Cruz, diretora do Todos pela Educação.
As instituições de ensino infantil são as mais prejudicadas. Enquanto 82% das escolas de ensino profissional e 52% das de ensino médio construídas após 2008 possuem biblioteca, apenas 10% das de ensino infantil têm o espaço. O número é um contrassenso, segundo educadores, visto que é na faixa etária dos 5 anos que a criança está descobrindo a língua escrita e precisa ser estimulada a ler. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Gisele no ministério...,

‘Guido e Gisele’, por J. R. Guzzo

J. R. GUZZO
Alguém deveria ter alertado a presidente Dilma Rousseff, logo no começo do seu governo, sobre a alma dos jornalistas ingleses. Durante anos, estiveram entre os principais fornecedores de alegrias para os governos Lula e o seu, apontados na imprensa britânica como exemplos de virtude para o mundo ─ e o que diz um jornalista do reino de Sua Majestade Elizabeth II vale mais do que dizem os outros, por razões que não vem ao caso explicar nos limites deste artigo. A certa altura, a revista The Economist chegou a colocar em sua capa uma ilustração do Cristo Redentor subindo do alto do Corcovado rumo ao espaço sideral, com uma mensagem do tipo “ninguém segura o Brasil” ─ e que governo precisa de qualquer outro selo internacional de aprovação quando ninguém menos que The Economist está dizendo uma coisa dessas? O problema, aí, é que governos em geral não devem confiar em jornalistas ingleses. Trata-se, historicamente, de um pessoal imprevisível, indisciplinado e impertinente. Sabem de coisas que não deveriam saber, muito menos publicar. Escrevem com freqüência o contrário do que se espera. Leem a correspondência privada das pessoas e publicam confissões íntimas de mordomos; não são cavalheiros. Mais que tudo, estão acostumados há 200 anos com a ideia de que fatos existem para ser publicados e, se forem inconvenientes, melhor ainda ─ sobretudo se incomodam políticos, milionários, celebridades, estrelas do mundo pop, lordes do reino e por aí afora.
Foi um lamentável desapontamento para a presidente Dilma, assim, ler de repente no fim do ano, na mesma The Economist, que deveria botar no olho da rua o seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, por incompetência em estágio terminal. Mas não estava tudo bem? Estava. Só que deixou de estar, embora não pareça claro como alguma coisa poderia mudar para melhor no Brasil com a saída do ministro; se ao longo de seus dez anos no governo ele nunca ocupou uma única jornada de trabalho decidindo questões vitais para a economia, não dá para jogar-lhe a culpa por nada que esteja dando errado. É verdade que Mantega poderia ser um perigo. No lançamento do Plano Real, por exemplo, escreveu um artigo prodigioso: conseguiu, do começo ao fim, errar em 100% de tudo o que disse. Com a certeza de quem estava demonstrando o binômio de Newton, garantiu que o plano iria fracassar em todos os seus pontos, sem exceção de nenhum ─ e isso, pela prudência mais elementar, deveria fazer com que o homem fosse mantido o mais longe possível da Fazenda nacional. Mas, como nunca o deixaram resolver nada de importante, também não o deixaram errar.
Mantega, pensando bem, até que tem sido um colaborador útil para o governo. Para começar, ele é um craque na arte de não criar problemas. Foi capaz de nomear para a presidência da Casa da Moeda, onde se fabrica todo o dinheiro deste país, um cidadão que nunca tinha visto em sua vida; alguém mandou que nomeasse, e ele nomeou. É para reduzir o IPI? Está reduzido. É para suspender a redução? Está suspensa. Se for encarregado de anunciar o fim do mundo, dirá que se trata de “um fato atípico” ─ e que o governo “não trabalha com a hipótese” de que isso atrase as obras do PAC. Acima de tudo, um substituto com vida própria no Ministério da Fazenda não iria durar mais do que quinze minutos no cargo. Na primeira vez que contrariasse a presidente, nem precisaria esperar o decreto de demissão ─ já poderia sair direto para casa. Dilma, pelo jeito, deseja manter Mantega no posto. “Ele só sai se quiser”, disse a presidente após a sentença de condenação da Economist. Não chega a ser uma garantia feita de concreto armado; Mantega quer ficar, mas pode de um momento para outro querer sair, se Dilma quiser que ele queira. Por enquanto, continua lá.
Se a presidente resolver, um dia desses, mudar de ideia  poderia nomear para o Ministério da Fazenda, quem sabe, a modelo Gisele Bündchen; com certeza, a aprovação a essa escolha seria de 95%, ou mais. E por que não? Já que não é para resolver nada, é muito melhor ver Gisele no noticiário, principalmente na televisão, do que a cara do ministro Mantega, por mais simpática que seja; ele seria o primeiro a concordar com isso. O problema é que a sra. Bündchen é uma moça de bom-senso. Se fosse convidada para ministra da Fazenda, diria: “Não posso aceitar, porque eu não entendo nada disso”. É exatamente o que deveriam dizer, mas não dizem, nove entre dez astros da ciência econômica nacional. É uma pena, realmente, que nossa übermodel tenha a cabeça no lugar.

Casamento marcado para 2013 - O matrimônio do século..., deve ser celebrado com algemas...,


Lula e Sarney: bonito, o amor

PUBLICADO EM 10 DE DEZEMBRO DE 2010
Em 1987, segundo Lula, José Sarney era “o maior ladrão da Nova República”.
Em 2009, alguns anos depois de descobrir que eram amigos de infância, o presidente promoveu Sarney a Homem Incomum.
Neste fim de 2010, Lula decretou que “é preconceito” qualificar de oligarquia a Famiglia que há 50 anos controla a sesmaria do Maranhão. Os portadores de tal deformação devem procurar um psiquiatra.
Vejam as cenas do vídeo. Todas merecem a frase que o grande Zózimo Barrozo do Amaral usava como legenda nas imagens que cruzavam a fronteira do romântico para afundar na zona do ridículo: “Bonito, o amor”.
“Bonito, o amor”
Estrelando: José Sarney e Lula
Atores coadjuvantes: José Dirceu, Ideli Salvatti, Dilma Rousseff, Aloízio Mercadante, Romero Jucá, Agaciel Maia e Renan Calheiros
Trilha sonora: Chico Buarque

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

DILMA E OS PREJUÍZOS DA PETROBRAS

Dilma deverá ser responsabilizada judicialmente por prejuízos aos acionistas da Petrobras

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net  
Por Jorge Serrão e João Vinhosa
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2013

Diante dos recentes apagões ocorridos no sistema elétrico, a presidenta Dilma foi categórica ao tentar livrar seu governo das responsabilidades. Recomendou que não joguem a culpa nos raios, pois o que houve foi “falha humana”. Já em relação à calamitosa situação em que se encontra a Petrobras, salva por operações diárias em bancos internacionais, Dilma não se manifestou. Porém, todos sabem que a responsável pelo caótico estado da petroleira também é a “falha humana” na má gestão. Pior: é a “falha humana” proposital, praticada, criminosamente, em beneficio de terceiros. 

Acontece que, no caso da Petrobras, Dilma – presidenta do Conselho de Administração da empresa nos oito anos de governo Lula – está entre as principais personagens humanas que, por ação errada ou omissão, falharam. E é exatamente por causa de tal “falha humana” que acionistas minoritários da Petrobras, do Brasil e do exterior, resolveram processar a empresa na Justiça do Brasil e dos Estados Unidos. Investidores querem se ressarcir dos danos provocados pelos inúmeros atos lesivos à petroleira. Dilma sofrerá o desgaste de ter seu nome entre os causadores de prejuízos.

Nada mais justo e perfeito para fixar responsabilidades diante de tais atos lesivos que a comparação entre o que consta no Estatuto Social da Petrobras relativamente a seu Conselho de Administração e os dois casos abaixo relatados: o caso Gemini e o caso Pasadena. Os dois casos são objetos de estudos dos investidores para processos contra a estatal de economia mista -em cuja gestão corporativa o governo pensa que pode fazer o que bem entende (o que contraria as boas práticas de governança).
Estatuto Social 

Conforme o Art. 23 do Estatuto Social da Petrobras, os membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva responderão, nos termos do art. 158, da Lei nº 6.404, de 1976, individual e solidariamente, pelos atos que praticarem e pelos prejuízos que deles decorram para a Companhia,

Em seu Art. 28, o Estatuto estipula que ao Conselho de Administração compete: fiscalizar a gestão dos Diretores; avaliar resultados de desempenho; aprovar a transferência da titularidade de ativos da Companhia, inclusive contratos de concessão e autorizações para refino de petróleo, processamento de gás natural, transporte, importação e exportação de petróleo, seus derivados e gás natural.

E, em seu Art. 29, o Estatuto determina: compete “privativamente” ao Conselho de Administração deliberar sobre as participações em sociedades controladas ou coligadas.
O caso Gemini

A empresa Gemini – sociedade da Petrobras com um grupo norte-americano para produzir e comercializar Gás Natural Liquefeito (GNL) – teve seu Contrato Social firmado em 29 de janeiro de 2004. Nessa mesma data, foi assinado um Acordo de Quotistas impregnado de tanta má-fé que, se o País fosse um pouco mais sério, poderia levar seus responsáveis a responderem pelo crime de gestão fraudulenta.

Logo em seguida, em 11 de fevereiro de 2004, o Gerente Executivo do Jurídico da Petrobras, Nilton Antônio de Almeida Maia, substabeleceu a diversos advogados do escritório Levy & Salomão Advogados os poderes a ele outorgados pela Petrobras para representar a empresa em assuntos relativos à Gemini.

Utilizando-se do Contrato Social datado de 29 de janeiro de 2004, a Gemini teve seu ato de constituição registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 12 de julho de 2004.

Acontece que, somente em 21 de outubro de 2004, a Diretoria Executiva da Petrobras (e não seu Conselho de Administração) aprovou a participação da empresa na sociedade.

Na realidade, não dá para precisar até onde vai a responsabilidade do Conselho de Administração nos atos acima relatados. Porém, a omissão diante do fraudulento Acordo de Quotistas (que deixou brechas para incalculáveis superfaturamentos e tornou a Petrobras refém da sócia majoritária da Gemini) é incontestavelmente condenável.

Por outro lado, depois de publicar inúmeras denúncias envolvendo a Gemini, em 27 de fevereiro de 2010, o Alerta Total publicou o artigo “Petrobras: Conselho de Administração sob suspeita”, relativo à omissão da alta administração da petroleira diante das acusações envolvendo citada sociedade..

Conforme o artigo, o mais impressionante foi o sintomático silêncio da Petrobras diante das explícitas acusações de corrupção feitas pelo próprio sindicato dos trabalhadores do setor. Denúncia de mala de dinheiro, destacando o nome do corruptor, não mereceu a devida atenção do Conselho de Administração presidido por Dilma Rousseff, a transparente.

O artigo também reproduz a íntegra da carta encaminhada em 26 de fevereiro de 2010 a diversos conselheiros. Nessa carta, foram anexados o “Dossiê Gemini: Maio de 2009” e o artigo “Dilma, ó Dilma, onde estás que não respondes?”.

A única manifestação diante da carta acima citada foi feita por Maria das Graças Foster, então diretora de Gás e Energia da Petrobras. Distanciando-se muito da verdade, a agora presidenta da Petrobras declarou que os fatos não eram novos, e todos os esclarecimentos sobre o assunto já haviam sido prestados, não restando mais nada a ser acrescentado. Ao afirmar que as denúncias relativas à Gemini já eram de conhecimento da alta administração da Petrobras, Graça atestou o óbvio: Dilma detinha o domínio do fato.

Mas a coisa não acaba aí. 

Em 19 de dezembro de 2011, outra grave carta dirigida individualmente aos diversos conselheiros foi protocolada no próprio Conselho de Administração da Petrobras. Nenhum dos conselheiros se dignou a responder tal carta. Em suma: conselheiros que ocupam o ambicionado cargo estão se submetendo a um vergonhoso silêncio, e negligenciando o seu mais elementar dever: coibir atos lesivos ao interesse da empresa.
O caso Pasadena

Diferentemente do caso Gemini, no qual é praticamente impossível quantificar o valor do prejuízo (entregou-se o cartório da produção e comercialização do Gás Natural Liquefeito a um grupo privado, e comprometeu-se a pagar a esse grupo, eternamente, por todos os serviços necessários a liquefazer, armazenar e transportar o produto até as instalações dos clientes, espalhados num raio de 1000 km da usina de liquefação do Gás Natural), no caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, o prejuízo é facilmente calculável.

Diferentemente do caso Gemini, o caso Pasadena já foi objeto de matérias na grande mídia, como na revista VEJA de 19 de dezembro de 2012 com o título de “1bilhão pelo ralo”. Em tal matéria, a jornalista Malu Gaspar apresentou detalhes estarrecedores da operação que acarretou o gigantesco prejuízo aos cofres da Petrobras. Sobre o procedimento da então presidenta do Conselho de Administração da empresa, a matéria informou: Dilma criticou duramente Sérgio Gabrielli (que presidia a estatal à época da monumental negociata), porém, decorridos anos, nunca mais tocou no assunto.

Sobre o mesmo assunto, o Alerta Total de 17 de dezembro de 2012 explorou minuciosamente outro aspecto da questão no artigo cujo título é esclarecedor: “Investidores da Petrobrás processam Dilma e Gabrielli por prejuízo de US$ 1bilhão com refinaria nos EUA”.

É de se destacar, também, que, atendendo a requerimento apresentado pelo deputado federal Maurício Quintella (PR-AL), o presidente da Petrobrás América Inc., José Orlando Melo, deverá comparecer à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados para esclarecer detalhes sobre a aquisição da refinaria de Pasadena. Contudo, devido a problemas de agenda, é certo que tal comparecimento não ocorrerá antes de abril de 2013.
Considerações finais

Há muito, o Alerta Total vem denunciando as falcatruas promovidas pela Petrobras e a omissão do seu Conselho de Administração.

Nestas alturas, cumpre destacar que uma luz surgiu no final do túnel.

No ano de 2012, foi criada uma vaga para o representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobrás. E o primeiro representante dos empregados no Conselho, engenheiro Silvio Sinedino, tem agido com total desassombro. Inclusive, foi Sinedino quem levantou o caso da absurda compra da refinaria de Pasadena e outras gravíssimas coisas mais, como pode ser visto na matéria “Representante dos trabalhadores na Petrobrás denuncia ingerência política” da jornalista Sabrina Valle (O Estado de S. Paulo - 14/12/2012).

Espera-se que Sinedino fale também sobre a Gemini – que, provavelmente, está dando um grande prejuízo diário à Petrobras, por conta da prestação de serviços amparada pelo fraudulento Acordo de Quotistas acima citado.
Jorge Serrão é Jornalista e João Vinhosa é Engenheiro.

DILMA E OS PREJUÍZOS DA PETROBRAS

Dilma deverá ser responsabilizada judicialmente por prejuízos aos acionistas da Petrobras

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net  
Por Jorge Serrão e João Vinhosa
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2013

Diante dos recentes apagões ocorridos no sistema elétrico, a presidenta Dilma foi categórica ao tentar livrar seu governo das responsabilidades. Recomendou que não joguem a culpa nos raios, pois o que houve foi “falha humana”. Já em relação à calamitosa situação em que se encontra a Petrobras, salva por operações diárias em bancos internacionais, Dilma não se manifestou. Porém, todos sabem que a responsável pelo caótico estado da petroleira também é a “falha humana” na má gestão. Pior: é a “falha humana” proposital, praticada, criminosamente, em beneficio de terceiros. 

Acontece que, no caso da Petrobras, Dilma – presidenta do Conselho de Administração da empresa nos oito anos de governo Lula – está entre as principais personagens humanas que, por ação errada ou omissão, falharam. E é exatamente por causa de tal “falha humana” que acionistas minoritários da Petrobras, do Brasil e do exterior, resolveram processar a empresa na Justiça do Brasil e dos Estados Unidos. Investidores querem se ressarcir dos danos provocados pelos inúmeros atos lesivos à petroleira. Dilma sofrerá o desgaste de ter seu nome entre os causadores de prejuízos.

Nada mais justo e perfeito para fixar responsabilidades diante de tais atos lesivos que a comparação entre o que consta no Estatuto Social da Petrobras relativamente a seu Conselho de Administração e os dois casos abaixo relatados: o caso Gemini e o caso Pasadena. Os dois casos são objetos de estudos dos investidores para processos contra a estatal de economia mista -em cuja gestão corporativa o governo pensa que pode fazer o que bem entende (o que contraria as boas práticas de governança).
Estatuto Social 

Conforme o Art. 23 do Estatuto Social da Petrobras, os membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva responderão, nos termos do art. 158, da Lei nº 6.404, de 1976, individual e solidariamente, pelos atos que praticarem e pelos prejuízos que deles decorram para a Companhia,

Em seu Art. 28, o Estatuto estipula que ao Conselho de Administração compete: fiscalizar a gestão dos Diretores; avaliar resultados de desempenho; aprovar a transferência da titularidade de ativos da Companhia, inclusive contratos de concessão e autorizações para refino de petróleo, processamento de gás natural, transporte, importação e exportação de petróleo, seus derivados e gás natural.

E, em seu Art. 29, o Estatuto determina: compete “privativamente” ao Conselho de Administração deliberar sobre as participações em sociedades controladas ou coligadas.
O caso Gemini

A empresa Gemini – sociedade da Petrobras com um grupo norte-americano para produzir e comercializar Gás Natural Liquefeito (GNL) – teve seu Contrato Social firmado em 29 de janeiro de 2004. Nessa mesma data, foi assinado um Acordo de Quotistas impregnado de tanta má-fé que, se o País fosse um pouco mais sério, poderia levar seus responsáveis a responderem pelo crime de gestão fraudulenta.

Logo em seguida, em 11 de fevereiro de 2004, o Gerente Executivo do Jurídico da Petrobras, Nilton Antônio de Almeida Maia, substabeleceu a diversos advogados do escritório Levy & Salomão Advogados os poderes a ele outorgados pela Petrobras para representar a empresa em assuntos relativos à Gemini.

Utilizando-se do Contrato Social datado de 29 de janeiro de 2004, a Gemini teve seu ato de constituição registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 12 de julho de 2004.

Acontece que, somente em 21 de outubro de 2004, a Diretoria Executiva da Petrobras (e não seu Conselho de Administração) aprovou a participação da empresa na sociedade.

Na realidade, não dá para precisar até onde vai a responsabilidade do Conselho de Administração nos atos acima relatados. Porém, a omissão diante do fraudulento Acordo de Quotistas (que deixou brechas para incalculáveis superfaturamentos e tornou a Petrobras refém da sócia majoritária da Gemini) é incontestavelmente condenável.

Por outro lado, depois de publicar inúmeras denúncias envolvendo a Gemini, em 27 de fevereiro de 2010, o Alerta Total publicou o artigo “Petrobras: Conselho de Administração sob suspeita”, relativo à omissão da alta administração da petroleira diante das acusações envolvendo citada sociedade..

Conforme o artigo, o mais impressionante foi o sintomático silêncio da Petrobras diante das explícitas acusações de corrupção feitas pelo próprio sindicato dos trabalhadores do setor. Denúncia de mala de dinheiro, destacando o nome do corruptor, não mereceu a devida atenção do Conselho de Administração presidido por Dilma Rousseff, a transparente.

O artigo também reproduz a íntegra da carta encaminhada em 26 de fevereiro de 2010 a diversos conselheiros. Nessa carta, foram anexados o “Dossiê Gemini: Maio de 2009” e o artigo “Dilma, ó Dilma, onde estás que não respondes?”.

A única manifestação diante da carta acima citada foi feita por Maria das Graças Foster, então diretora de Gás e Energia da Petrobras. Distanciando-se muito da verdade, a agora presidenta da Petrobras declarou que os fatos não eram novos, e todos os esclarecimentos sobre o assunto já haviam sido prestados, não restando mais nada a ser acrescentado. Ao afirmar que as denúncias relativas à Gemini já eram de conhecimento da alta administração da Petrobras, Graça atestou o óbvio: Dilma detinha o domínio do fato.

Mas a coisa não acaba aí. 

Em 19 de dezembro de 2011, outra grave carta dirigida individualmente aos diversos conselheiros foi protocolada no próprio Conselho de Administração da Petrobras. Nenhum dos conselheiros se dignou a responder tal carta. Em suma: conselheiros que ocupam o ambicionado cargo estão se submetendo a um vergonhoso silêncio, e negligenciando o seu mais elementar dever: coibir atos lesivos ao interesse da empresa.
O caso Pasadena

Diferentemente do caso Gemini, no qual é praticamente impossível quantificar o valor do prejuízo (entregou-se o cartório da produção e comercialização do Gás Natural Liquefeito a um grupo privado, e comprometeu-se a pagar a esse grupo, eternamente, por todos os serviços necessários a liquefazer, armazenar e transportar o produto até as instalações dos clientes, espalhados num raio de 1000 km da usina de liquefação do Gás Natural), no caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, o prejuízo é facilmente calculável.

Diferentemente do caso Gemini, o caso Pasadena já foi objeto de matérias na grande mídia, como na revista VEJA de 19 de dezembro de 2012 com o título de “1bilhão pelo ralo”. Em tal matéria, a jornalista Malu Gaspar apresentou detalhes estarrecedores da operação que acarretou o gigantesco prejuízo aos cofres da Petrobras. Sobre o procedimento da então presidenta do Conselho de Administração da empresa, a matéria informou: Dilma criticou duramente Sérgio Gabrielli (que presidia a estatal à época da monumental negociata), porém, decorridos anos, nunca mais tocou no assunto.

Sobre o mesmo assunto, o Alerta Total de 17 de dezembro de 2012 explorou minuciosamente outro aspecto da questão no artigo cujo título é esclarecedor: “Investidores da Petrobrás processam Dilma e Gabrielli por prejuízo de US$ 1bilhão com refinaria nos EUA”.

É de se destacar, também, que, atendendo a requerimento apresentado pelo deputado federal Maurício Quintella (PR-AL), o presidente da Petrobrás América Inc., José Orlando Melo, deverá comparecer à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados para esclarecer detalhes sobre a aquisição da refinaria de Pasadena. Contudo, devido a problemas de agenda, é certo que tal comparecimento não ocorrerá antes de abril de 2013.
Considerações finais

Há muito, o Alerta Total vem denunciando as falcatruas promovidas pela Petrobras e a omissão do seu Conselho de Administração.

Nestas alturas, cumpre destacar que uma luz surgiu no final do túnel.

No ano de 2012, foi criada uma vaga para o representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobrás. E o primeiro representante dos empregados no Conselho, engenheiro Silvio Sinedino, tem agido com total desassombro. Inclusive, foi Sinedino quem levantou o caso da absurda compra da refinaria de Pasadena e outras gravíssimas coisas mais, como pode ser visto na matéria “Representante dos trabalhadores na Petrobrás denuncia ingerência política” da jornalista Sabrina Valle (O Estado de S. Paulo - 14/12/2012).

Espera-se que Sinedino fale também sobre a Gemini – que, provavelmente, está dando um grande prejuízo diário à Petrobras, por conta da prestação de serviços amparada pelo fraudulento Acordo de Quotistas acima citado.
Jorge Serrão é Jornalista e João Vinhosa é Engenheiro.

DILMA E OS PREJUÍZOS DA PETROBRAS

Dilma deverá ser responsabilizada judicialmente por prejuízos aos acionistas da Petrobras

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net  
Por Jorge Serrão e João Vinhosa
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2013

Diante dos recentes apagões ocorridos no sistema elétrico, a presidenta Dilma foi categórica ao tentar livrar seu governo das responsabilidades. Recomendou que não joguem a culpa nos raios, pois o que houve foi “falha humana”. Já em relação à calamitosa situação em que se encontra a Petrobras, salva por operações diárias em bancos internacionais, Dilma não se manifestou. Porém, todos sabem que a responsável pelo caótico estado da petroleira também é a “falha humana” na má gestão. Pior: é a “falha humana” proposital, praticada, criminosamente, em beneficio de terceiros. 

Acontece que, no caso da Petrobras, Dilma – presidenta do Conselho de Administração da empresa nos oito anos de governo Lula – está entre as principais personagens humanas que, por ação errada ou omissão, falharam. E é exatamente por causa de tal “falha humana” que acionistas minoritários da Petrobras, do Brasil e do exterior, resolveram processar a empresa na Justiça do Brasil e dos Estados Unidos. Investidores querem se ressarcir dos danos provocados pelos inúmeros atos lesivos à petroleira. Dilma sofrerá o desgaste de ter seu nome entre os causadores de prejuízos.

Nada mais justo e perfeito para fixar responsabilidades diante de tais atos lesivos que a comparação entre o que consta no Estatuto Social da Petrobras relativamente a seu Conselho de Administração e os dois casos abaixo relatados: o caso Gemini e o caso Pasadena. Os dois casos são objetos de estudos dos investidores para processos contra a estatal de economia mista -em cuja gestão corporativa o governo pensa que pode fazer o que bem entende (o que contraria as boas práticas de governança).
Estatuto Social 

Conforme o Art. 23 do Estatuto Social da Petrobras, os membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva responderão, nos termos do art. 158, da Lei nº 6.404, de 1976, individual e solidariamente, pelos atos que praticarem e pelos prejuízos que deles decorram para a Companhia,

Em seu Art. 28, o Estatuto estipula que ao Conselho de Administração compete: fiscalizar a gestão dos Diretores; avaliar resultados de desempenho; aprovar a transferência da titularidade de ativos da Companhia, inclusive contratos de concessão e autorizações para refino de petróleo, processamento de gás natural, transporte, importação e exportação de petróleo, seus derivados e gás natural.

E, em seu Art. 29, o Estatuto determina: compete “privativamente” ao Conselho de Administração deliberar sobre as participações em sociedades controladas ou coligadas.
O caso Gemini

A empresa Gemini – sociedade da Petrobras com um grupo norte-americano para produzir e comercializar Gás Natural Liquefeito (GNL) – teve seu Contrato Social firmado em 29 de janeiro de 2004. Nessa mesma data, foi assinado um Acordo de Quotistas impregnado de tanta má-fé que, se o País fosse um pouco mais sério, poderia levar seus responsáveis a responderem pelo crime de gestão fraudulenta.

Logo em seguida, em 11 de fevereiro de 2004, o Gerente Executivo do Jurídico da Petrobras, Nilton Antônio de Almeida Maia, substabeleceu a diversos advogados do escritório Levy & Salomão Advogados os poderes a ele outorgados pela Petrobras para representar a empresa em assuntos relativos à Gemini.

Utilizando-se do Contrato Social datado de 29 de janeiro de 2004, a Gemini teve seu ato de constituição registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 12 de julho de 2004.

Acontece que, somente em 21 de outubro de 2004, a Diretoria Executiva da Petrobras (e não seu Conselho de Administração) aprovou a participação da empresa na sociedade.

Na realidade, não dá para precisar até onde vai a responsabilidade do Conselho de Administração nos atos acima relatados. Porém, a omissão diante do fraudulento Acordo de Quotistas (que deixou brechas para incalculáveis superfaturamentos e tornou a Petrobras refém da sócia majoritária da Gemini) é incontestavelmente condenável.

Por outro lado, depois de publicar inúmeras denúncias envolvendo a Gemini, em 27 de fevereiro de 2010, o Alerta Total publicou o artigo “Petrobras: Conselho de Administração sob suspeita”, relativo à omissão da alta administração da petroleira diante das acusações envolvendo citada sociedade..

Conforme o artigo, o mais impressionante foi o sintomático silêncio da Petrobras diante das explícitas acusações de corrupção feitas pelo próprio sindicato dos trabalhadores do setor. Denúncia de mala de dinheiro, destacando o nome do corruptor, não mereceu a devida atenção do Conselho de Administração presidido por Dilma Rousseff, a transparente.

O artigo também reproduz a íntegra da carta encaminhada em 26 de fevereiro de 2010 a diversos conselheiros. Nessa carta, foram anexados o “Dossiê Gemini: Maio de 2009” e o artigo “Dilma, ó Dilma, onde estás que não respondes?”.

A única manifestação diante da carta acima citada foi feita por Maria das Graças Foster, então diretora de Gás e Energia da Petrobras. Distanciando-se muito da verdade, a agora presidenta da Petrobras declarou que os fatos não eram novos, e todos os esclarecimentos sobre o assunto já haviam sido prestados, não restando mais nada a ser acrescentado. Ao afirmar que as denúncias relativas à Gemini já eram de conhecimento da alta administração da Petrobras, Graça atestou o óbvio: Dilma detinha o domínio do fato.

Mas a coisa não acaba aí. 

Em 19 de dezembro de 2011, outra grave carta dirigida individualmente aos diversos conselheiros foi protocolada no próprio Conselho de Administração da Petrobras. Nenhum dos conselheiros se dignou a responder tal carta. Em suma: conselheiros que ocupam o ambicionado cargo estão se submetendo a um vergonhoso silêncio, e negligenciando o seu mais elementar dever: coibir atos lesivos ao interesse da empresa.
O caso Pasadena

Diferentemente do caso Gemini, no qual é praticamente impossível quantificar o valor do prejuízo (entregou-se o cartório da produção e comercialização do Gás Natural Liquefeito a um grupo privado, e comprometeu-se a pagar a esse grupo, eternamente, por todos os serviços necessários a liquefazer, armazenar e transportar o produto até as instalações dos clientes, espalhados num raio de 1000 km da usina de liquefação do Gás Natural), no caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, o prejuízo é facilmente calculável.

Diferentemente do caso Gemini, o caso Pasadena já foi objeto de matérias na grande mídia, como na revista VEJA de 19 de dezembro de 2012 com o título de “1bilhão pelo ralo”. Em tal matéria, a jornalista Malu Gaspar apresentou detalhes estarrecedores da operação que acarretou o gigantesco prejuízo aos cofres da Petrobras. Sobre o procedimento da então presidenta do Conselho de Administração da empresa, a matéria informou: Dilma criticou duramente Sérgio Gabrielli (que presidia a estatal à época da monumental negociata), porém, decorridos anos, nunca mais tocou no assunto.

Sobre o mesmo assunto, o Alerta Total de 17 de dezembro de 2012 explorou minuciosamente outro aspecto da questão no artigo cujo título é esclarecedor: “Investidores da Petrobrás processam Dilma e Gabrielli por prejuízo de US$ 1bilhão com refinaria nos EUA”.

É de se destacar, também, que, atendendo a requerimento apresentado pelo deputado federal Maurício Quintella (PR-AL), o presidente da Petrobrás América Inc., José Orlando Melo, deverá comparecer à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados para esclarecer detalhes sobre a aquisição da refinaria de Pasadena. Contudo, devido a problemas de agenda, é certo que tal comparecimento não ocorrerá antes de abril de 2013.
Considerações finais

Há muito, o Alerta Total vem denunciando as falcatruas promovidas pela Petrobras e a omissão do seu Conselho de Administração.

Nestas alturas, cumpre destacar que uma luz surgiu no final do túnel.

No ano de 2012, foi criada uma vaga para o representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobrás. E o primeiro representante dos empregados no Conselho, engenheiro Silvio Sinedino, tem agido com total desassombro. Inclusive, foi Sinedino quem levantou o caso da absurda compra da refinaria de Pasadena e outras gravíssimas coisas mais, como pode ser visto na matéria “Representante dos trabalhadores na Petrobrás denuncia ingerência política” da jornalista Sabrina Valle (O Estado de S. Paulo - 14/12/2012).

Espera-se que Sinedino fale também sobre a Gemini – que, provavelmente, está dando um grande prejuízo diário à Petrobras, por conta da prestação de serviços amparada pelo fraudulento Acordo de Quotistas acima citado.
Jorge Serrão é Jornalista e João Vinhosa é Engenheiro.