sexta-feira, 4 de abril de 2014

Reação nas universidades...,

Há algo novo no ar. Sinto ventos de mudança. A esquerda radical está perplexa, não sabe como reagir. Por décadas reinou absoluta nas universidades, com seus diretórios dominados, o monopólio da palavra, dos protestos e da organização de eventos. Agora não entende mais nada e cai em histeria diante de um fenômeno novo: a reação da direita!
Vejam o que alguns alunos fizeram na UFF, antro de esquerdistas em Niterói. Pertencem ao grupo Liberalismo Conservador, e se juntaram para fazer uma arrecadação voluntária e mandar imprimir diversos adesivos. Colaram tais adesivos em cima de mensagens pichadas pelos comunistas. Eis algumas fotos:
UFF1
UFF2
UFF3
UFF4
Quem diria?! “Menos Marx, Mais Mises” espalhado por cima de símbolos como a foice e o martelo comunista e o logotipo do PSOL. É fantástico! Sem falar que agora, ao menos, os brucutus terão escutado o nome Mises, completa novidade para eles. Trata-se do grande economista austríaco Ludwig von Mises, cujos livros representam o melhor antídoto existente contra a praga comunista.
Esses alunos estão de parabéns pela louvável iniciativa. Que outros sigam o exemplo Brasil afora. E notem a diferença já na largada: enquanto os comunistas picham as paredes e estragam o patrimônio das universidades, os liberais colam adesivos apenas, que podem ser retirados sem dano ou estrago à propriedade. Questão de princípios e valores já no básico.
Nesse outro caso, alunos da UFSC, outro antro de marxistas, retiraram a bandeira vermelha e hastearam a bandeira do Brasil no mastro, e em seguida cantaram o hino nacional, enfrentando a cambada de comunistas que amam mais greves do que trabalho. Emocionante. Vejam:
A esquerda jurássica tem motivo para ficar exaltada e histérica, em polvorosa. Nunca antes da história deste país se viu tal clima crescente de reação espontânea a essa hegemonia marxista nas universidades, que ninguém aguenta mais!
Rodrigo Constantino

Quem PTviu, quem PTvê...,


O PT na oposição discordava da própria sombra.., era até divertido! 
No poder a verdadeira face veio à tona. Qualquer discordância provoca chiliques da base ao topo. O autoritarismo está no sangue. 
O Sarney sempre presente desde o golpe de 64, governa
dor do Maranhão em 65. Tão perseguido e criticado pelo PT agora virou amigo de infância. Curvaram-se aos atrativos do coronel. Tanto que "Lulla" há pouco tempo saiu em defesa do dito cujo dizendo que ele não deveria ser tratado como uma pessoa comum. "Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim, e depois não acontece nada", justificou, criticando a reação da imprensa e da opinião pública contra o presidente da casa. "O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum." *Lula em 2009
Então tá! Acho que o beija mão e o lava-pés foi a suprema humilhação! Se bem que logo depois apareceu outro velho amigo, o Maluf, hoje vulgo Luluf. Collor já estava no camarote. 
E assim sucessivamente locupletaram-se todos!
Quanta valentia dos cachorrinhos!!!
Que paúra!!!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fraudes na Uerj evidenciam falhas do sistema de cotas

Ministério Público do Rio investiga mais de 60 suspeitos de burlar mecanismo de seleção. Estudantes reclamam de falta de ação da Universidade

Vanessa Daudt
Vanessa Daudt foi aprovada como cotista após se declarar negra ou índia no vestibular de 2013 (Reprodução/MPRJ)
A foto de uma jovem em uma praia, publicada no Facebook, motivou o comentário de uma amiga. “Ficou morena?”, perguntou. A menina da foto, para não deixar dúvida sobre como se enxerga, respondeu com um palavrão irreproduzível: “Sou loira, p...” Desde setembro, a jovem da foto, Vanessa Daudt, frequenta o curso de enfermagem na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj. Para a instituição, no entanto, ela apresentou uma ideia diferente sobre seu tom de pele e sua descendência. Vanessa declarou ser negra ou índia e afirmou ter baixa renda. Conseguiu, assim, ingressar na faculdade apesar de ter ocupado o 122º lugar na classificação geral, para um curso com 80 vagas.
Como cotista, Vanessa disputou 16 vagas com 34 candidatos – 2,19 interessados em cada cadeira. Na seleção normal, a corrida seria bem mais apertada: teria que brigar com 515 vestibulandos por 44 matrículas. O caso de Vanessa é um dos mais de 60 sobre as mesas dos promotores de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio. Desde 2007, denúncias anônimas e dos próprios estudantes avolumam-se em um inquérito de mais de 3.000 páginas dedicado a descobrir se o sistema de cotas na Uerj, que toma previamente 45% das vagas da instituição, é usado como atalho ilegal para estudantes que se aproveitam das fragilidades da lei estadual 5.346 – a que dispõe sobre o sistema de cotas nas universidades estaduais do Rio. Como é sabido por todos os candidatos, basta declarar-se negro ou índio e apresentar comprovantes de baixa renda para ser avaliado como cotista, com absurdas vantagens sobre os demais concorrentes. Apesar da abundância de denúncias e de a lei determinar que “cabe à universidade criar mecanismos de combate à fraude”, a direção da Uerj não está preocupada com os buracos em seu sistema.
O MP, diante do volume de denúncias, faz o que a instituição já deveria ter feito: evitar a farra que subverteu não só os critérios de meritocracia para ingresso na universidade, mas a própria lógica das cotas. Os “espertos” conseguem, com notas bem mais baixas, passar na frente de gente que estudou e recusou-se a recorrer ao caminho da fraude. O descaso da universidade consegue algo inédito, que é unir gente a favor e contra as cotas. Afinal, um sistema de cotas raciais que não barra os falsos cotistas prejudica a todos, e não somente aos que, por lei – por pior que ela seja – teriam acesso legítimo ao benefício.
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Vanessa Daudt

Reprodução/MPRJ
Vanessa Daudt foi aprovada como cotista após se declarar negra ou índia no vestibular de 2013. Classificada na 122ª posição geral entre os vestibulandos de enfermagem, a loira de olhos azuis não teria conseguido uma das 80 vagas do curso se não tivesse concorrido às vagas destinadas a cotistas
O caminho da investigação será longo. Os promotores tentarão, no âmbito criminal, encontrar uma saída para um problema criado por uma política equivocada, que classifica pessoas segundo critérios raciais. Pesquisa do geneticista Sérgio Danilo Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou que 60% dos brasileiros que se julgam "brancos" têm sangue africano ou indígena nas veias. O caso do sambista Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beija-Flor, é simbólico. Exame feito pelo laboratório de Pena identificou que ele tem 67,1% dos genes de origem na Europa e apenas 31,5% da África.
Na sexta-feira, no intervalo de uma das aulas do curso de enfermagem da Uerj, Vanessa, a estudante loira que abre este texto, defendeu seu direito ao benefício. Vanessa disse que sua documentação foi aceita, e que é “carente”. Como não existe cota para quem é branco e carente, declarou-se “negra ou índia”. “Digo que sou da cor que eu quiser”, afirmou. Ela acertou em cheio a origem do problema do sistema das políticas raciais.
Vale, para os efeitos legais, a autodeclaração da cor da pele. De acordo com a legislação brasileira, não é função do Estado determinar a raça de uma pessoa. Ou seja: é negro ou índio quem decidir assim se classificar perante a instituição. Quando a universidade tenta interferir, a confusão é imensa, como provou o caso dos gêmeos univitelinos Alex e Alan Teixeira da Cunha – o primeiro classificado como branco e, o segundo, como negro pela Universidade de Brasília (UnB). O disparate no enquadramento de pessoas geneticamente idênticas levou a UnB a modificar o ingresso dos cotistas. Em vez da simples declaração do estudante, há uma entrevista pessoal com o candidato – algo que, obviamente, não corrige uma política torta, mas afugenta quem tenta se aproveitar de brechas legais.
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional (Gacint) da USP, são claros os sinais de que os critérios raciais são um erro, e não atendem o objetivo de promover igualdade. "Polícias raciais dividem o país em grupos e produzem atritos, o que é perigosíssimo em qualquer sociedade. É preciso abolir o princípio da autodeclaração, para o bem do funcionamento do sistema”, alerta.
O sociólogo Simon Schwartzman, um dos autores do livro Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo (Editora Record/Civilização Brasileira), avalia que os critérios de cotas dificilmente serão ajustados simplesmente por um aperto no controle. O mais adequado, afirma, seria que as instituições de ensino originassem soluções para privilegiar alunos carentes, em vez de tentar uma segregação. "O sistema inteiro de cotas tem problemas. Todos os critérios são muito grosseiros. A solução não é apertar o controle, mas uma política mais inteligente de preferências, que amplie o sistema de apoio para quem realmente precisa", afirma Schwartzman.
A lei estadual fluminense que instituiu o sistema de cotas exige que pelo menos duas condições estejam atendidas. Baixa renda é o critério indispensável. A segunda condição pode ser raça (declarar-se indígena ou negro), ser filho de policiais mortos em serviço ou inválidos ou, ainda, tratar-se de pessoa com deficiência física. O problema é que o critério de renda é facilmente burlável. O candidato cotista deve comprovar renda familiar per capita bruta de até 960 reais.
Curso mais disputado da Uerj, com 135 candidatos por vaga (para não cotistas) em 2013, a graduação em medicina concentra o maior número de denúncias sobre irregularidades. A primeira denúncia do inquérito civil instaurado pelo Ministério Público é referente à fraude no concurso de 2004 para a graduação – um curso no qual cada estudante custa aos cofres públicos 54.300 reais por ano. Na lista com nove suspeitos de fraudes havia moradores de áreas nobres do Rio, como o bairro da Lagoa.
Em janeiro do ano passado, o MP recebeu outra denúncia anônima com 41 nomes de aprovados em 2013 que teriam fraudade os critérios estipulados pela lei 5.346. A denúncia foi entregue em um CD com notas e imagens dos universitários que não aparentam pertencer à raça declarada na inscrição do vestibular. Quatro dos universitários citados são estudantes de medicina: de pele clara, com cabelo liso, João Pedro Galiza Xavier é um dos apontados no material. Classificado na 542ª posição entre os vestibulandos de medicina, não teria garantido uma das 94 vagas da graduação se não tivesse disputado como cotista negro ou índio. Na internet, Galiza, que estudou no GPI (curso pré-vestibular particular no Rio de Janeiro) agradece aos professores do curso pela aprovação. “Sou eternamente grato a alguns professores. Todos são responsáveis pela minha conquista. Continuem sendo professores maravilhosos, que tornam sonhos que parecem impossíveis em realidade”. O curso GPI, frequentado por Galiza, tem mensalidade integral de 1.082,40 reais.
Na hora de comprovar a renda familiar, pode-se simplesmente omitir o rendimento de um ou mais integrantes da família. A lei 5.346 prevê um mecanismo para garantir que haja, pelo menos, algum controle sobre o que declara o candidato. O parágrafo 3º  do artigo 1º estabelece  que as universidades devem “criar mecanismos de combate à fraude”. De fato, existe na instituição uma Comissão de Análise Socioeconômica, formada por três servidoras públicas e 28 assistentes sociais. Após a análise da documentação, a comissão realiza, segundo a universidade, “visitas domiciliares a alguns candidatos para dirimir dúvidas”. Em 2010, foram 14 dessas visitas, segundo documento da Uerj enviado ao MP. Em 2011, foram três. Segundo declaração de Lena Medeiro de Menezes, sub-reitora de graduação, não são feitas visitas fora do Estado do Rio. Ou seja, morar fora do território fluminense é garantia de que não haverá confirmação dos dados apresentados.
Investigação – Os casos investigados agora pelo MP envolvem 15 cursos de graduação. Estudante de direito, Thatyane Alecrim Azeredo tem cabelo liso e olhos claros – no Facebook, amigos discutem se são azuis ou verdes. Classificada na 871º colocação geral do curso de direito, Thatyane estaria longe das 312 vagas disponíveis para o curso em 2013. Mas, como declarou-se negra ou indígena, em vez de disputar uma vaga com outros 28,95 vestibulandos não cotistas, concorreu com 3,67 candidatos por vaga. Na página de relacionamentos, Thatyane publicou, no dia 19 de setembro, uma foto com a turma no hall da Uerj. “Felicidade após trote”, escreveu. Outra aluna aprovada no vestibular de 2013 como cotista é Dianne Leite da Silva. Branca, com cabelos e olhos claros, ela foi classificada na 266ª posição geral para o curso de jornalismo – longe das 50 vagas oferecidas pelo curso.
Pela disputa afunilada, conquistar uma vaga em uma universidade pública é motivo de orgulho – para os estudantes e para os pais. Ao comemorar a aprovação na Uerj, muitos dos investigados publicaram no Facebook o espelho da classificação, mas com um cuidado: cortaram o trecho que explicita a inscrição como cotista. “Mais um sonho realizado e sem vocês isso não seria possível”, escreveu Vitor Pablo de Souza Gilard, aprovado no vestibular para jornalismo no ano passado. O jovem branco de cabelos escuros omitiu aos amigos da rede social que para ingressar na Uerj se declarou negro ou índio. Procurado pelo site de VEJA, Gilard se recusou a explicar a razão de ter se inscrito como cotista.
Indignação dos estudantes – Como mostra a ciência, não é possível classificar a descendência com base na cor da pele. Mas são estes – e os sinais inequívocos de condição social – os critérios que embasam denúncias dos próprios estudantes. A presença de cotistas brancos, com olhos claros, com celulares caros e aparelhos como iPads, tem revoltado universitários que precisaram estudar anos para conseguir uma vaga na Uerj. Alguns chegam a acusar a Uerj de acobertar as fraudes. O baixo número de sindicâncias instauradas é outro motivo de reclamações: foram apenas 17, até agora. “A Uerj está preenchendo vagas com pessoas que se dizem negras ou pobres sem comprovação válida. Apenas com uma declaração”, disse um dos denunciantes, em 2011.
Apesar do elevado número de denúncias, até o momento apenas um estudante foi expulso por ter burlado a reserva de vagas: Bruno Barros Marques, de 29 anos, teve a matrícula cancelada no ano passado. De acordo com investigações da Uerj e do MP, para concorrer a uma vaga de cotista em 2009, Marques se passou por estudante carente e declarou renda de 450 reais, omitindo os comprovantes de rendimento do pai, aposentado da Petrobras e proprietário de uma loja de material hidráulico e elétrico na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Além disso, declarou ser negro. Outra investigada pela universidade é Lívia Leba, filha do delegado da Polícia Civil Carlos Augusto Neto Leba, aprovada como cotista na faculdade de medicina. O caso de Lívia corre em segredo de Justiça.
Desde a última segunda-feira, a reportagem do site de VEJA tenta ouvir o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro, ou um porta-voz da universidade sobre o inquérito civil 118/11, que apura se a Uerj tem um sistema eficiente para prevenir e investigar fraudes no sistema de cotas, como determina a lei, e se há improbidade de servidores públicos responsáveis pela avaliação de documentos e sindicâncias. A Uerj não apresentou nenhum porta-voz. A universidade argumenta, em um documento incluído no inquérito cicil 118/11, que a lei 5.346 estabelece que, para concorrer à vaga de cotista, o candidato pode se autodeclarar negro ou índio e que, portanto, não cabe à instituição investigar ou duvidar de tal declaração. “A Uerj não promove qualquer ‘tribunal de cor’, portanto, seu principal critério é a autodeclaração”, escreveu Vieiralves, em agosto de 2008, em resposta a um pedido do Ministério Público, ignorando que a lei 5.346 determina que as universidades criem mecanismos de combate às fraudes.
Em maio de 2013, depois de diversas cobranças do MP relacionadas à falta de fiscalização em relação às declarações dos alunos, Valdino de Azevedo, assessor do reitor,  argumentou que a “autodeclaração cria enorme dificuldade para esta entidade de ensino superior”. Azevedo chega a dizer que “o sentido de pertencimento foge aos critérios objetivos de julgamento”.
No Supremo Tribunal Federal (STF), em ação apoiada pelo partido Democratas (DEM), foi questionada a legalidade da política de cotas raciais no processo seletivo da Universidade Nacional de Brasília (UnB). A legalidade foi reconhecida por unanimidade pelos 12 ministros do STF. Autora da ação, a jurista Roberta Fragoso avalia que eventuais acusações de fraude na declaração de raça dificilmente serão reconhecidas na Justiça como crime. Justamente porque não existem no país — felizmente — leis para dividir a identidade da população pela cor da pele. Procuradora do Distrito Federal e autora do livro Ações afirmativas à brasileira: necessidade ou mito? (Editora Livraria do Advogado), Roberta avalia que essa divisão legal seria um retrocesso. "Se o Ministério Público acusar alguém de não ser negro, teria de fazer um exame de DNA de ancestralidade. Não há no Brasil como definir quem é o pardo ou o mestiço. É possível que pessoas de aparência branca tenham descendência africana. Cota racial é uma falácia. Sempre dará ensejo a fraudes", diz a jurista.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Joaquim Barbosa já estava sentindo o cheiro...,

Conversa de culpado

“Quando soube que se tratava de um frete exclusivo, Vargas pediu que sua secretária procurasse reembolsar ao menos as despesas de combustível, que estimávamos em R$ 20 mil. A proposta de reembolso foi negada e o deputado só soube depois”.

André Vargas, vice-presidente da Câmara e especialista em afrontas ao Poder Judiciário, disfarçado de nota de assessoria de imprensa, sobre o jatinho que lhe foi emprestado pelo doleiro Alberto Youssef, jurando que não sabia que só a família Vargas estaria a bordo do avião que pediu para uso exclusivo da família Vargas.

Quem foi Che Guevara?

Os fãs de Che admiram uma imagem que é, e sempre foi, uma fraude.

1.

Che Guevara tem o mais eficaz departamento de relações públicas do mundo. O guerrilheiro argentino e co-fundador da Cuba moderna foi transformado em um ícone moderno, um herói contra-cultural, um rebelde anti-establishment e um ídolo dos pobres. Como James Callaghan disse certa vez: “Uma mentira pode percorrer meio mundo antes que a verdade calce suas botas”.
A verdade sobre Che agora tem suas botas. Ele ajudou a libertar os cubanos do regime repressivo de Batista apenas para escravizá-los em um estado policial totalitário pior que o anterior. Ele era o carrasco chefe a mando de Fidel Castro. Um assassino em massa que, em teoria, poderia ter comandado qualquer número de esquadrões da morte na América Latina, do “Sendeiro Luminoso” peruano, na esquerda política, à “Mão Branca” (grupo paramilitar) da Guatemala, à direita.
“Assim como a Paris jacobina teve Louis Antoine de Saint-Just”, escreveu o historiador francês Pascal Fontaine, “a Havana revolucionária tinha Che Guevara, uma versão latino-americana de Nietcháiev – o terrorista niilista do século XIX que inspirou Dostoievski em Os Demônios. Como Guevara escreveu a um amigo em 1957, “A minha formação ideológica significa que eu sou uma daquelas pessoas que acreditam que a solução para os problemas do mundo se encontra por trás da Cortina de Ferro”. (…) Ele era um grande admirador da Revolução Cultural chinesa. De acordo com Regis Debray, “Foi ele, e não Fidel, que em 1960 inventou o primeiro campo de trabalho corretivo de Cuba”, o que os americanos chamariam de um campo de trabalho escravo e os russos chamavam de gulag.”
Che foi morto na Bolívia pelo exército em 1967, quando tentou derrubar mais um governo e substituí-lo por um Estado comunista.
Eu vi apenas um punhado de cartazes de Fidel Castro em uma viagem recente que fiz a Cuba, e absolutamente nenhum de seu irmão mais novo, Raúl, que agora é presidente de Cuba – mas vi centenas de retratos de Che, como se ele, em vez de um dos Castros, fosse hoje o comandante da ditadura. O culto da personalidade gira inteiramente em torno daquele que já se foi. É conveniente e inteligente. Ele não pode fazer nada de novo para desacreditar a si mesmo e dá à família Castro um falso ar de modéstia.
Minha turnê cubana levou-me ao lugar de descanso final de Che em um mausoléu por trás de um monumento imponente, nos arredores de Santa Clara. Antes que pisasse fora do ônibus, jurei a mim mesmo que não iria discutir com uma única pessoa, cubano ou estrangeiro, no memorial, não tanto por respeito aos mortos – mas porque eu não queria ser “o cara que discute”. Melhor esquecer isso por uma hora e dizer a verdade sobre Che posteriormente por escrito.
Menos de um minuto após eu ter jurado que manteria a calma, um turista americano sentado ao meu lado disse algo extremamente ingênuo. “É incrível, não é? Não temos ninguém na história americana que é amado como os cubanos amam Che”.
Cuba é um Estado policial e Che foi seu co-fundador. Os cubanos “amam” ele da mesma forma que romenos “amaram” Nicolae Ceausescu e alemães orientais “amaram” o arquiteto do Muro de Berlim, Erich Honecker.
Você sabe o que acontece com os cubanos que demonstram abertamente sentir ódio de Che? Eles são presos. Quando Che ainda estava vivo, eles eram executados ou levados para campos de trabalho escravo. Então, sim, todo mundo o “ama”. Está previsto em Lei. Ai daqueles que desobedecem à segurança do Estado.
O espírito humano é uma força poderosa, embora alguns cubanos não compreendam isso. Um milhão e meio deles fugiram para os Estados Unidos para escapar dos instrumentos de repressão de Che Guevara, muitos através do Estreito da Flórida, onde as chances de sobrevivência não são melhores do que duas em cada três. Outros resistiram em seus lares, principalmente durante a década de 1960, época da rebelião global.
“Eles corrompem a moral das jovens”, Castro gritou contra a juventude rebelde na época, “e destroem cartazes de Che! O que eles pensam? Que este é um regime liberal burguês? NÃO! Não há nada de liberal em nós! Somos coletivistas! Somos comunistas! Não haverá Primavera de Praga aqui!”.
Anjo Ciutat aconselhou Che sobre a construção da polícia secreta de Cuba, que ele aprendeu com o chefe de polícia secreta mais sinistro de todos – Lavrenty Beria, chefe da NKVD de Josef Stalin. Quase todas as vítimas de Che eram cubanas. Será que os americanos adoram um regime estrangeiro que matou milhares de pessoas, forçou milhares mais para a escravidão, e levou mais de um milhão para o exílio?
Claro que não.
O memorial é em uma praça do tamanho de um shopping center. Não há árvores ou sombra. É uma enorme armadilha de calor que absorve e reflete a luz do sol tropical escaldante. Uma imponente estátua de Che – com o detalhe de seu braço esquerdo quebrado – está colocada em cima de um pedestal gigantesco. É como se ele fosse um deus. Os degraus que conduzem à estátua são enormes. Senti-me pequeno e baixo em comparação. O Memorial de Thomas Jefferson não tem essas dimensões. A cena toda intimida pelo design.
Perto da parte da frente do memorial há um outdoor com o rosto sorridente do agora morto Hugo Chávez, presunçoso comunista-ditador da Venezuela, apresentado aos cubanos como “o nosso melhor amigo”. Em uma extremidade da praça há outro outdoor, este com uma citação de Fidel Castro: “Eu quero que você seja como Che”.
Eu tenho que perguntar: Será que Fidel quer que os cubanos sejam como o verdadeiro ou o falso Che?

2.

Toda uma prateleira de livros foi escrita sobre Che Guevara. A maioria deles hagiográficos.
Exposing the real Che Guevara, de Humberto Fontova, é uma exceção. É implacavelmente crítico, não só do próprio assassino, mas de seus fãs. Ele gasta centenas de páginas desbancando a mitologia do Estado de Fidel Castro com fontes constantes nas notas de rodapé e entrevistas com testemunhas oculares, mas as próprias palavras de Che são suficientes para condená-lo:
“Um revolucionário deve ser uma fria máquina de matar motivada por puro ódio.”
“Nós levaremos a guerra à própria casa dos inimigos imperialistas, aos seus locais de trabalho e de lazer. Nós não podemos jamais lhes dar um minuto de paz ou tranquilidade. Esta é uma guerra completa, até a morte.”
“Se os mísseis nucleares houvessem permanecido, nós os teríamos usado contra o próprio coração da América, inclusive Nova York… Marcharemos a trilha da vitória, mesmo que isso custe milhões de vítimas atômicas… Nós precisamos manter o nosso ódio vivo e insuflá-lo ao seu paroxismo.”
Eis aqui mais uma de Fontaine, na França: “Em seu testamento, o graduado na escola do terror enalteceu o ‘ódio extremamente útil que transforma os homens em efetivas, violentas, impiedosas e frias máquinas de matar.’ Ele era dogmático, frio e intolerante, e não havia nele quase nada do tradicionalmente aberto e caloroso temperamento cubano.”
Eu poderia ir mais adiante (e Fontova assim faz por um bom tempo), mas vocês já pegaram a ideia.
Os camaradas e companheiros de Che eram igualmente desapiedados. O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, também conhecido como Carlos o Chacal, foi treinado em um dos campos de guerrilha de Che nos arredores de Havana. Ele concluiu seus estudos transformado em um monstro e se tornou o terrorista mais procurado do planeta. “Bin Laden seguiu uma trilha que eu mesmo abri”, disse ele após os ataques da Al Qaeda contra Nova York e Washington. “Eu acompanhei as notícias sobre os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos sem parar, desde o princípio. Não consigo descrever a maravilhosa sensação de alívio.”
Ele cumpre uma pena de prisão perpétua na França por assassinato.
Mesmo assim, jovens de todo o mundo que se opõem ao sistema têm o rosto de Che nas suas paredes e nas suas camisetas. A maioria deles não sabe de nada real sobre o homem que admiram. Não fazem ideia de que ele foi uma das figuras mais violentamente antiliberais em toda a história do Ocidente. Eles admiram a imagem, que é – e sempre foi – uma fraude.
Fontova cita um exilado cubano que atende pelo apelido de Charlie Bravo e que diz que os fãs de Che no Ocidente precisam de um chute de realidade no traseiro. “Eu adoraria ter visto aqueles manifestantes estudantis da Sorbonne, de Berkeley ou de Berlim, com seus pôsteres ‘maneiros’ do Che, tentando seus discursos ‘antiautoridade’ em Cuba naqueles tempos. Eu adoraria ter visto Che e seus capangas colocando as mãos neles. Eles receberiam uma lição rápida sobre o ‘fascismo’ do qual tanto se queixam – e em primeira mão. Eles logo estariam suando e ofegando por causa do trabalho forçado nos campos de concentração dos Castro e de Che, ou então sendo estocados na bunda por baionetas ‘maneiras’ quando ousassem diminuir o ritmo, e talvez tendo seus dentes despedaçados pela coronha de uma metralhadora ‘maneira’ caso eles adotassem, perante a milícia de Che, a mesma atitude que adotam diante dos guardas do campus.”
Estou aqui confiando firmemente em Fontova porque a maior parte do que se escreveu sobre Che é bobagem. Eu conversei com ele recentemente e lhe perguntei a respeito disso.
“O seu livro a respeito de Che é o único que o desmascara? Eu não consegui achar nenhum outro.”
“Sim”, ele disse. “É o único livro desse tipo. O livro de Jon Lee Anderson é considerado a bíblia sobre Che, mas foi escrito em cooperação com o regime dos Castro enquanto Anderson morava em Cuba. Quando William Shirer escreveu Ascensão e Queda do Terceiro Reich, ele não confiou nos nazistas para obter as informações do seu livro, ainda que muitos deles ainda estivessem por aí em 1957. Ele confiou, primeiramente, nas vítimas e nos inimigos dos nazistas para obter informação. Quando Robert Conquest escreveu O Grande Terror, sobre o stalinismo, ele não confiou em Nikita Khrushchev ou quaisquer outros comunistas soviéticos. Ele confiou em exilados russos e ucranianos. Essa é a maneira normal de se escrever livros sobre regimes totalitários. Mas, quando se trata de Cuba, por algum motivo insano, espera-se que você colabore com o regime totalitário para ser considerado um verdadeiro estudioso.”
“E como foi isso?”, perguntei.
“Eu dediquei meu mais recente livro a esse tema. É sobre a mídia dominante e Fidel Castro. Aqui está uma citação de Fidel Castro em 1955, quando ele estava na prisão em Cuba. Ele disse: ‘A propaganda é vital – o coração de nossa luta. Nós nunca podemos abandonar a propaganda (…) Usar um monte de prestidigitação e sorrisos com todo mundo. Devemos usar a mesma tática que empregamos em nosso julgamento; defender nossos pontos de vista sem provocar polêmica. Haverá muito tempo depois para esmagar as baratas.’
“E aqui temos Che Guevara, em seu próprio diário, em 1958. Ele disse: ‘Para nossa força de guerrilha, muito mais valor tiveram os recrutas da mídia americana para exportar nossa propaganda do que os recrutas camponeses.’ Castro e Guevara cultivavam laços com a mídia estrangeira e com ela mantinham diálogos proveitosos. Eles fizeram disso um objetivo desde o princípio. Eles precisavam exportar sua propaganda e fazer com que não parecesse propaganda.”
E funcionou. Talvez porque o comunismo cubano fosse visto, correta ou incorretamente, como menos severo do que a versão soviética. Talvez porque Che tenha morrido em tenra idade, e então a narrativa estatal oficial do regime cubano acabou petrificada em âmbar. Caso ele houvesse vivido por mais tempo e tivesse cometido mais atrocidades, talvez a verdade sobre ele fosse mais óbvia e bem conhecida.
Não se pode negar o carisma de Che, pelo menos nas fotografias. Nem mesmo um gênio da propaganda como Castro conseguiria convencer os jovens europeus e americanos a idolatrar Pol Pot, Leonid Brezhnev ou seu próprio irmão, Raúl.
Seja qual for a razão para o sucesso dessa ridícula narrativa oficial, os exilados cubanos exasperam-se quando veem seu algoz ser idolatrado por pessoas ingênuas.
“Se os cubanos que vivem nos Estados Unidos impressionam vocês por parecerem passionais demais e até meio malucos, há uma razão”, escreveu Fontova na sua Introdução. “Praticamente todos os dias, ligamos nossas televisões ou saímos à rua para ver a imagem do homem que treinou a polícia secreta para assassinar nossos parentes – milhares de homens, mulheres e crianças. Esse homem cometeu vários desses assassinatos com suas próprias mãos. E, ainda assim, nós o vemos sendo celebrado em toda a parte como a quintessência da humanidade, do progresso e da compaixão.”

3.

Junto à estátua de Che em Santa Clara, há um museu que celebra sua imagem. Ele é retratado como um médico (ainda que não tenha se formado em medicina), uma alma afável que se preocupava com os pobres e oprimidos, e como um bravo líder de guerrilha que ajudou a libertar um povo muito sofrido das garras de um tirano opressor. Eu o acharia incrível caso essas coisas fossem verdadeiras, ou se eu não soubesse mais nada sobre ele além daquilo que lá aprendi.
É isso que os cubanos aprendem sobre ele na escolar. Aqueles que o adoram estão adorando uma mentira, bem como os ocidentais que carregam seu rosto em camisetas.
O mais interessante sobre o museu é o que não está lá. Não encontrei qualquer menção ao fato de Che ter sido o executor-chefe de Fidel, nem qualquer referência à sua construção de campos de trabalho escravo. O regime cubano sabe que o Che real era um ser humano desprezível, e que pessoas civilizadas ficam estarrecidas com vilões como ele. Caso contrário, aqueles fatos importantes sobre sua vida e “carreira” teriam sido incluídos. A verdade é um segredo sujo que o regime quer manter enterrado. Não haveria necessidade de mentir por omissão se a verdade sobre Che fizesse dele um herói.
Cubanos de mais idade – especialmente aqueles que fugiram para os Estados Unidos – sabem a verdadeira história, claro, mas os jovens cubanos, não necessariamente. Não tenho ideia, para falar a verdade, do que eles pensam ou sabem sobre Che. Fiz essa pergunta a um punhado, mas eles não se sentiram dispostos a responder. Quase todo mundo que encontrei reclamava do governo, mas não de Fidel pessoalmente, e especialmente não de Che.
Uma das guias do museu disse algo estranho. “Ele inventou um novo tipo de feriado”, ela disse. “Ele sacrificou tudo por Cuba, e para honrá-lo nós trabalhamos um dia extra em nossos empregos sem receber pagamento.”
Trabalho extra em Cuba, sem ser em troca de pagamento? Mas os cubanos mal são pagos, de qualquer jeito. A maioria deles trabalha para o estado e recebe um salário máximo de vinte dólares por mês. Ou seja, eles já estão trabalhando de graça. Que diferença faz umas duas horas mais?
“É parte de sua filosofia do Novo Homem”, ela adicionou.
O Novo Homem altruísta e coletivista de Che é uma fantasia utópica. Seres humanos só trabalharão longas e árduas horas em troca de nada se forem forçados a tanto – daí o sistema político repressivo de Cuba.
O corpo de Che foi devolvido pela Bolívia em 1997. Ele está em um mausoléu por trás do memorial.
“Você pode entrar lá, mas não pode falar nada”, um guia me alertou. “É uma questão de respeito. Há microfones dentro, e eles estão escutando. Você terá grandes problemas se falar alguma coisa.”
Entrei, me sentindo ligeiramente nervoso a respeito do alerta para permanecer quieto.
O interior é calmo e iluminado por velas. Parece e dá a impressão de um santuário. Tirar fotos é estritamente proibida. As paredes são constituídas de pedras. Elas são a prova de som. Não escuto nada vindo de fora. o ar é frio e seco. A própria atmosfera inspira silêncio. Eu me sentiria um tolo se abrisse a boca.
Uma policial sentava numa cadeira, ao fundo. Ela parecia severa, como se fosse me dar um soco se eu me comportasse mal.
Ela se levantou, marchou até mim e soltou um som estremecedor.
Aqui!”, ela disse.
O quê? Ela está falando? Por que ela está falando aqui dentro?
Ela apontou para o muro no centro do recinto onde Che está sepultado. Eu estava olhando o cenário como um todo, mas ela me queria olhando lá e em nenhum outro lugar, como se eu tivesse insultado Che ao dar atenção para outras coisas.
Acenei um silencioso agradecimento, olhei o nome de Che gravado em uma pedra e custei a acreditar que os restos de uma pessoa infame estavam a poucos centímetros de mim.
Não fiquei lá por muito tempo. A policial me deixou desconfortável, especialmente por gritar comigo depois de ter me dito para ficar calado. Então deixei o local e voltei para o quente e húmido mundo externo, que quase nunca esfria durante o dia.
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Adiante na rua existe um pequeno parque construído em volta de um trem descarrilhado. Durante a revolução, Che e seus homens supostamente forçaram esse trem para fora dos trilhos colocando diante de seu caminho um buldôzer. Cruzando a rua na saída do parque, existe um grande letreiro com os dizeres, “Nosso Socialismo é Irrevogável!”.
Quem eles estão tentando convencer? Turistas? Moradores locais? Capitalistas à toa como eu?
Mais provavelmente, todas as alternativas acima. De qualquer forma, a defensiva do regime está à mostra. Você não vê os governos de Estados Unidos, Canadá, Bélgica ou Suíça gritando “Nossa Democracia é Irrevogável!”, pela óbvia razão de que nem mesmo pessoas malucas pensam que ela é revogável.
La Cabanã é a antiga fortaleza militar espanhola localizada acima do lado oriental do porto de Havana. Che a transformou numa prisão. Fontova a chama de Lubyanka caribenha. Milhares de homens e garotos foram executados contra seus muros por esquadrões de fuzilamento.
“Para se mandar homens para um esquadrão de fuzilamento, é desnecessário prova judicial”, Che famosamente disse. “Esses procedimentos são um arcaico detalhe burguês.”
Ao contrário dos esquadrões convencionais, onde todos os rifles, menos um, têm carregamento vazio, Che se certificou de que todo executor no esquadrão atirasse balas letais.
“Assim que [Castro e Guevara] tomaram o poder”, escreve Fontaine, “eles começaram a conduzir execuções em massa dentro das duas principais prisões, La Cabaña e Santa Clara (…). Nas palavras de Jeannine Verdes-Laroux, ‘A forma dos julgamentos, e os procedimentos pelos quais eles eram conduzidos, era de grande relevância. A natureza totalitária do regime já estava escrita desde o início’.”
É difícil se chegar a um número exato na contagem de cadáveres, mas o próprio Che confessou ter ordenado milhares de execuções em La Cabaña apenas durante seu primeiro ano. Aqueles que conseguiram sobreviver dizem que ele mesmo dava o tiro fatal na têmpora das vítimas com sua pistola.
Prisões são locais desagradáveis em qualquer lugar do planeta. É o objetivo delas. Mas as prisões de Che eram tão brutais e desumanizadoras quanto as versões soviéticas que inspiravam o modelo cubano.
O escritor cubano Reinaldo Arenas, interpretado pelo magnífico Javier Bardem no filme Before Night Falls, passou períodos desagradáveis nos calabouços de Fidel e Che. Artistas tendem a ser antiautoritários, e estados policiais naturalmente os temem e abominam, então Arenas foi arrastado para a prisão. Um memorável pedaço de diálogo do filme resume o processo do sistema cubano em oito palavras:
“Você está preso.”
“Por quê?”
“Porque estou dizendo.”
Arenas, em seu livro de mesmo nome, escreve sobre as condições no interior do cárcere. “Era um lugar sufocante, sem banheiro. Gays não eram tratados como seres humanos, eles eram tratados como bestas. Eles eram os últimos a serem levados para as refeições, de modo que os víamos passando, e o mais insignificante acidente era uma desculpa para serem espancados impiedosamente.”
E ele escreve sobre como o sistema prisional acabou com seu colega de letras Heberto Padilla. “[Ele] foi trancafiado numa cela, intimidado e espancado. Trinta dias depois ele emergiu daquela cela uma ruína humana. A noite em que [ele] fez sua confissão foi inesquecível. Aquele homem cheio de vida, que tinha escrito uma poesia belíssima, se desculpou por tudo que tinha feito, toda sua obra, culpando a si mesmo, classificando-se de covarde desprezível e traidor. Ele disse que durante sua detenção no sistema de segurança do estado ele finalmente entendeu a beleza da Revolução (…). Padilla não apenas retirou tudo que tinha dito em sua obra, mas denunciou publicamente seus amigos e mesmo sua esposa.”
Hoje, La Cabaña é uma atração turística. Pode-se ver através do porto o horizonte da Havana Velha restaurada. O forte é em si bem preservado e esteticamente agradável. Ainda assim, ele mente por omissão da mesma forma que o museu no memorial dedicado a Che.
Não vi ou ouvi em La Cabaña qualquer menção sobre as milhares de pessoas que o regime matou, apesar de muitas terem sido mortas contra um de seus próprios muros. Não pude sequer encontrar esse muro. Ele não está identificado. O sangue e os miolos já se foram há muito tempo.
Um dia – talvez não em breve, mas algum dia – isso vai mudar. O mito do Che amável, benevolente e compassivo vai enfim entrar em esquecimento, porque um governo democrático em Havana não irá mentir, seja com omissão ou comissão, sobre o homem que co-fundou a última ditadura de Cuba. Quando esse dia chegar, os turistas que visitam a ilha irão finalmente aprender algo verdadeiro.
texto publicado no blog do autor, e no Amálgama com sua autorização.
tradução: Daniel Lopes, Dowglas Lima e Rafael Bán Jacobsen.

E así la nave vá...,

O PT na oposição discordava da própria sombra.., era até divertido!  No poder a verdadeira face veio à tona. Qualquer discordância provoca chiliques da base ao topo. O autoritarismo está no sangue.  O Sarney sempre presente desde o golpe de 64, governador do Maranhão em 65. Tão perseguido e criticado pelo PT agora virou amigo de infância. Curvaram-se aos atrativos do coronel. Tanto que "Lulla" há pouco tempo saiu em defesa do dito cujo dizendo que ele não deveria ser tratado como uma pessoa comum. 
"Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim, e depois não acontece nada", justificou, criticando a reação da imprensa e da opinião pública contra o presidente da casa. "O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum." *Lula em 2009 
Então tá! Acho que o beija mão e o lava-pés foi a suprema humilhação! Se bem que logo depois apareceu outro velho amigo, o Maluf, hoje vulgo Luluf. Collor já estava no camarote. E assim sucessivamente locupletaram-se todos! 
Quanta valentia!!! Que paúra!!!




terça-feira, 1 de abril de 2014

‘Nós, nós e nós’,

J. R. GUZZO
O governo do Brasil criou uma certeza nos últimos onze anos. Está absolutamente convencido de que o fato de ganhar eleições lhe dá, automaticamente, razão em tudo; não pensa, nunca, que o eleito representa todos, e não apenas os que são a seu favor. Exatamente ao mesmo tempo, acha que quem discorda do governo está errado por princípio. É como na religião ─ se você não tem a mesma fé do vizinho, jamais pode ter razão em nada. É um herético que está desafiando a vontade de Deus, e um inimigo que tem de ser destruído. O problema é que existe aí uma séria encrenca com os fatos, essa praga que só atrapalha o conforto das ideias prontas ─ o Brasil, infelizmente para o governo, o PT e seus profetas, tem heréticos demais.
Fazer o quê? O diabo, além de estar nos detalhes, está nos números. No caso das eleições para presidente em 2010, a última medição objetiva sobre quem está a favor e quem está contra o governo, a aritmética prova que ninguém é muito maior que ninguém. No segundo turno da eleição, Dilma teve 55 700 000 votos e José Serra ficou com 43 700 000; obviamente não dá para fazer de conta que os votos do perdedor não existem. Na verdade, já é um assombro que Serra, tido como um dos candidatos menos atraentes do planeta, tenha conseguido esses espantosos 43,7 milhões de votos; positivamente algo não deu certo do outro lado. Além disso, mais de 29 milhões de eleitores nem foram votar, e outros 7 milhões preferiram ficar nos nulos e brancos ─ ou seja, 36 milhões de cidadãos simplesmente não votaram em ninguém. Resumo da ópera: de um eleitorado total de 135 milhões de pessoas, 80 milhões não votaram em Dilma.
Ficamos, assim, na curiosa situação em que a maioria dos eleitores é considerada pelo governo como inimiga da vontade popular ─ se não estão com a gente, reza o seu evangelho, só podem estar do lado do mal. Lula, Dilma e sua máquina de propaganda, ao que parece, resolveram lidar com esse despropósito inventando um modelo de adversário fabricado na sua imaginação. “O ódio que alguns têm de nós é ver a filha da empregada cursando uma universidade federal”, disse Lula ainda há pouco. Mas por que raios alguém haveria de se importar com isso? Quem vai se prejudicar se a filha da empregada estiver numa universidade federal? Ou estadual? Ou particular? Por que ficaria com “ódio”? Lula sabe muito bem que tudo isso é pura invenção. Mas sabe também que a mentira viaja de Ferrari, enquanto a verdade vai a lombo de burro; passa 100 vezes pelo mesmo lugar antes que a verdade tenha conseguido chegar lá, e nesse meio-tempo falsifica até a regra de três. Dilma faz a mesma coisa com menos talento. Outro dia veio com a história de que só criticam a estratégia social do governo os que “nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama, um colchão”. Como é mesmo? Todo mundo, ou 999 em cada 1 000 brasileiros, tem de trabalhar para comprar qualquer dessas coisas, já que nenhuma delas é dada de graça a ninguém. Mas e daí? O que interessa é vender a ficção de que só o governo é capaz de ajudar os pobres ─ e só pode discordar disso quem nunca trabalhou na vida.
Essa montanha de dinheiro falso é engolida com casca e tudo no Brasil de hoje ─ e, conforme o caso, há uma conta a pagar por quem não engole. O caso do músico João Luiz Woerdenbag Filho, 56 anos, natural do Rio de Janeiro, conhecido do público como Lobão e autor de uma coluna quinzenal nesta revista, é um clássico. Lobão foi colocado no banco dos réus do Tribunal de Inquisição formado na classe artística para decidir o que é o bem e o mal no Brasil, e até hoje não conseguiu se levantar. É acusado do delito de ter se vendido “à direita” ou apenas de ser “de direita” ─ coisa esquisita, porque se imagina que ele teria o pleno direito, pela Constituição, de ser de direita ─ ou de esquerda, ou seja lá do que lhe desse na telha. O que o resto do mundo tem a ver com isso? Mas Lobão é um artista de fama, e um artista de fama não tem direito à liberdade de pensamento e de expressão se ganhar o selo de “direitista”. Na verdade, no Brasil de hoje nem se sabe o que é ser “de direita”; nossos juristas diriam que o crime de “direitismo” ainda não está bem “tipificado”. Tanto faz. Para a polícia política do PT, é criminoso de direita todo sujeito que disser às claras que não gosta de Lula, nem de Dilma, nem da sua inépcia, nem do PT, nem do governo, nem do “projeto” do petismo, nem dos seus melhores amigos, que vão de Collor a Maluf.
Esperem a campanha começar.
J. R. Guzzo

1964

Especial VEJA: João Goulart, um coadjuvante no papel de protagonista

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AUGUSTO NUNES
Refestelado num sofá no 3º andar do Palácio do Planalto, tomado pelo bando de gaúchos felizes com o resultado do plebiscito que havia encerrado a curta experiência parlamentarista, o capataz da estância de João Goulart em São Borja resumiu a dúvida que o afligia. “Janguinho, aqui estamos no gabinete do presidente”, constatou Bijuja. “Só não sei se nós subimos ou se é a República que está descendo…” Mais de cinquenta anos depois, o empresário Ronald Levinsohn, testemunha da cena, continua achando que Jango deveria ter levado a sério a pilhéria de Bijuja. João Belchior Marques Goulart fora um razoável deputado federal, um competente chefe do PTB e, entre janeiro de 1956 e agosto de 1961, o vice invisível que todo governante pede a Deus. Mas as trapalhadas do ministro do Trabalho de Getúlio Vargas e os equívocos do presidente ofuscado pela existência de um primeiro-ministro avisavam que talvez não estivesse pronto para o papel principal. Seu desempenho na chefia do governo, sobretudo nas 48 horas finais, provou que o aplicado coadjuvante não havia nascido para protagonista.
“Era difícil não gostar de alguém tão simpático, amável, incapaz de odiar os piores inimigos”, disse em 1980 o general Argemiro de Assis Brasil. “Mas a verdade é que Jango só sabia governar uma estância, que é algo muito diferente de um país de dimensões continentais atormentado por crises desde 1922.” O desapreço pela rotina administrativa foi igualmente testemunhado por Ronald Levinsohn. “Uma vez ele me chamou a Brasília para ajudá-lo a livrar-se de alguns documentos que precisava assinar”, lembra o empresário. Confrontado com a montanha de papel, sugeriu que embarcassem num avião e despachassem enquanto voavam para o Rio: “Aprovamos até a reforma do telhado da alfândega de Uruguaiana”.
“Ele foi eleito vice-presidente, não estava preparado para as funções que teria de desempenhar”, afirmou Assis Brasil, chefe da Casa Militar nos últimos cinco meses do governo. Concordavam com o general os incontáveis militares e políticos que sempre enxergaram uma reedição intragável de Getúlio naquele estancieiro rico, boêmio e mulherengo, bom de conversa e de copo, que usava o apartamento no Edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace, para confabular em trajes íntimos com sindicalistas, dirigentes da UNE e políticos orientados para uma guinada radical à esquerda. Em agosto de 1961, as reações à renúncia de Jânio Quadros deixaram claro que, se dependesse da caserna, Goulart jamais seria o número 1. O almirante Sylvio Heck, por exemplo, pensou imediatamente no substituto ao ouvir do titular a decisão de abandonar o cargo. “Mas nós levamos tanto tempo para tirar essa gente do poder…”, lastimou o ministro da Marinha. “Como é que o senhor vai entregar-lhes novamente o governo?”, recordou a Jânio.
Forçado a engolir sem engasgos o purgante parlamentarista, tornou-se um presidente que nada presidia. Depois de recuperar os poderes que perdera, esperou até março de 1964 para assumir efetivamente o papel disputado por numerosos atores em ação no balaio de grupos, partidos e indivíduos que só não divergiam quanto à urgência das chamadas reformas de base. Entre tantos, nenhum concorrente lhe parecia tão incômodo quanto Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul que se elegera deputado pela Guanabara. “Ele não suportava mais a liderança do Brizola”, atestou Darcy Ribeiro. Segundo o chefe da Casa Civil, Jango decidiu transformar o comício de 13 de março no duelo decisivo com o cunhado, parceiro e rival.
Um dos quinze oradores que precederam Goulart, Brizola encerrou seu discurso com o repto: “O nosso presidente que se decida a caminhar conosco e terá o povo ao seu lado: quem tem o povo ao seu lado nada tem a temer”. Aos 45 anos, quem replicou foi um novo Jango. Num tom de voz muitos decibéis acima do normal, suando muito, o presidente encampou publicamente todas as reivindicações da constelação esquerdista. E passou das palavras à ação ao anunciar que assinara dois decretos que prenunciavam a reforma agrária e a estatização de bens privados ligados à produção de petróleo.
Ao apanhar a luva atirada por Brizola, o conciliador vocacional foi substituído por um radical em estado de beligerância ─ e tornou inevitável o choque das duas placas tectônicas que, perigosamente próximas desde a metade do século, dividiam o mundo político brasileiro. Entre 13 e 30 de março, o presidente de andar claudicante, imposto por uma doença venérea que paralisou seu joelho esquerdo, avançou em marcha batida pela trilha à beira do penhasco. Solidário com marinheiros e sargentos sublevados, juntou ao fantasma comunista e ao espectro da “república sindicalista” a visão da hierarquia despedaçada. Foi essa a assombração que colou as Forças Armadas, então às voltas com intrigas, ciumeiras e ressentimentos tão desagregadores quanto os que assolavam os antagonistas.
O presidente disposto a tudo para consolidar-se no poder foi ouvido pela última vez na noite de 30 de março. No jantar com os sargentos no Automóvel Clube, atribuiu a responsabilidade por um provável derramamento de sangue ao que qualificou de “forças poderosas e insensíveis à realidade nacional”. No dia seguinte, a notícia do levante em Minas ressuscitou o estancieiro pacato e o chefe político titubeante. Enquanto tropas vindas de Minas e São Paulo se aproximavam do Rio, Jango travava combates telefônicos para recompor o esquema militar que até a véspera parecia imbatível. Um a um, os comandantes de Exército aderiram ao golpe. Generais do povo e almirantes vermelhos sumiram. Abatido pelas decepções sucessivas, o presidente só rompeu o silêncio para evitar confrontos armados. O último a defender a resistência a bala foi Leonel Brizola. Na madrugada de 2 de abril, ao desembarcar em Porto Alegre, Jango foi para uma reunião na casa do general Ladário Telles, comandante do III Exército. “Tenho armas e homens em número suficiente”, informou o anfitrião. “Mas preciso que o senhor dê as ordens.” O próprio Brizola sugeriu providências urgentes e, anos depois, contou a resposta. “Aí Jango falou: ‘Se a minha presença no governo for à custa de derramamento de sangue, prefiro me retirar’. E foi pescar no Rio Uruguai.”