sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Vanguarda do atraso, picaretas, paus-mandados...,


UM MANIFESTO DIRIGIDO ÀS MOÇAS E AOS MOÇOS LIVRES DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS. A MAIORIA SILENCIOSA COMEÇA A DIZER O QUE QUER

O dia 10 de novembro de 2011 pode entrar para a história do ensino superior no Brasil. Nesse dia, os alunos das Letras da USP se libertaram dos seus algozes, da minoria que tiraniza a maioria, e devolveram aos estudantes o prédio que abriga o seu curso e que havia sido privatizado por seitas e partidos políticos. Publico o vídeo mais uma vez. Ele tem de ser visto, revisto, reproduzido Brasil afora como exemplo. A maioria silenciosa da USP começa a acordar, como já acordou a da Universidade de Brasília. Pode ser o sinal de uma nova aurora da universidade pública brasileira: voltada para o ensino, interessada na pesquisa, dedicada a formar profissionais que têm pela frente a tarefa gigantesca de fazer do Brasil um país mais justo para o seu povo e de exercer com dignidade a profissão que abraçaram. Vejam ou revejam. Volto depois.
Moças e moços das universidades públicas dos Brasil,
- Eles dizem que querem mudar o mundo e que vocês são alienados ou reacionários. Mas que utopia é essa que não reconhece o direito de escolha dos que deles discordam?
- Eles dizem que querem mudar o mundo e que vocês são alienados ou reacionários. Mas como podem falar em nome da justiça se os ídolos que adoram mataram 25 milhões na URSS, 70 milhões na China, 3 milhões no Camboja, 100 mil em Cuba (incluindo os que morreram afogados tentando fugir do “paraíso”)? Como ousam discursar sobre uma montanha espantosa de cadáveres?
- Eles dizem que querem mudar o mundo e que vocês são alienados ou reacionários. Mas como podem falar em fraternidade se fazem pouco caso do esforço de quem estuda, de quem trabalha, de quem se dedica, de quem se esforça? Por que eles os odeiam tanto?
- Eles dizem que querem mudar o mundo e que vocês são alienados ou reacionários. Mas como podem falar em igualdade se, nas assembléias, eles lhes cassam o direito à palavra, ao voto, à opinião?
- Eles dizem que querem mudar o mundo e que vocês são alienados ou reacionários. Mas como podem falar em nome da democracia se reivindicam que a universidade seja considerada um território apartado do Brasil, recendendo ao mais odioso preconceito aristocrático?
Não, moças e moços!
Eles odeiam a Justiça. Ou não fariam o que fazem.
Eles odeiam a fraternidade. Ou não fariam o que fazem.
Eles odeiam a igualdade. Ou não fariam o que fazem.
Eles odeiam a democracia. Ou não fariam o que fazem.
Eles odeiam, em suma, a liberdade, que é, e será sempre, a liberdade de quem pensa diferente, como afirmou, aliás, uma pensadora que eles dizem respeitar.
Tenho a ousadia de, simbolicamente, unir-me a vocês e falar na primeira pessoa do plural. Ficarei aqui no canto, quieto, eu prometo, com os meus 50 anos, aplaudindo a sua juventude! Mas falarei de “nós”.
Nós defendemos o estado democrático e de direito. E, por isso, eles nos chamam “fascistas”.
Nós defendemos a Constituição democrática da República Federativa do Brasil. E, por isso, eles nos chamam “fascistas”.
Nós defendemos o império da lei. E, por isso, eles nos chamam fascistas.
Ao longo dos anos, eles foram se aproveitando de nossas fraquezas, de nossa tolerância, de nossa boa-vontade, de nossa boa-fé, de nosso amor pelo diálogo, de nossa crença na racionalidade, de nossa dedicação ao estudo, de nosso apreço pelo trabalho, de nosso esforço para fazer o que fazem todas as mulheres e os homens livres nos países livres: lutar para melhorar de vida, para realizar sonhos, para crescer profissionalmente.
Para eles, somos “conservadores”, “arrivistas”, “direitistas”, “insensíveis”, “desprezíveis”. Para eles, Felipe de Ramos Paiva, brutalmente assassinado no campus, é que estava no lugar errado. Suas simpatias ideológicas estão com os algozes do morto.
Eles dizem que “um outro mundo é possível”. Atuam como se, de fato, houvesse dois mundos. E há apenas um: é este em que vivemos. Ele tem de ser transformado, reformado, mudado, aprimorado. E nós sabemos que isso custa dedicação, estudo, esforço, trabalho, talento, dinheiro.
Não, eles não se dedicam!
Não, eles não se esforçam!
Não, eles não trabalham!

Não, eles não têm talento!
Sim, eles desperdiçam dinheiro público!
E NÓS JÁ ESTAMOS COM O SACO CHEIO DELES!
Não suportamos mais que nos digam o que fazer das nossas vida se, visivelmente, não sabem o que fazer das suas próprias!
Não suportamos mais que nos digam para onde deve ir a universidade se passam anos ocupando uma vaga na instituição sem concluir o curso.
Não suportamos mais pagar tão caro por suas utopias baratas.
NÃO PODEMOS MAIS SER TIRANIZADOS POR CHUPINS QUE NADA PRODUZEM E QUE VIVEM DO “ESTADO BURGUÊS” QUE DIZEM DETESTAR.
Poder filiar-se a um partido é uma conquista democrática. Mas quem faz de uma instituição aparelho de seu partido gosta é de ditadura.
É preciso deixar claro que essa gente não nos representa.
Não aceitamos mais que nos imponham o seu socialismo!
Não aceitamos mais que nos imponham os seus heróis!
Não aceitamos mais que nos imponham os seus hábitos!
Não aceitamos mais que nos imponham os seus vícios!
Não aceitamos mais que nos imponham suas idiossincrasias!
Não aceitamos mais que nos imponham suas esquisitices!
Não aceitamos mais que privatizem o espaço público em nome de sua causa!
A foto abaixo traz alguns deles, felizes, a caminho da delegacia, na manhã de terça . Vejam com atenção:
VANGUARDA DO RETROCESSO - Maiorias silenciosas da USP e das universidades brasileiras, respondam: vocês se sentem representadas por eles? Você encontram neles a sua ética? Vocês encontram neles a sua estética? Representam eles o futuro? Não lhe parece que eles são a vanguarda da década de... 60?
VANGUARDA DO RETROCESSO - Maiorias silenciosas da USP e das universidades brasileiras, respondam: vocês se sentem representadas por eles? Você encontram neles a sua ética? Vocês encontram neles a sua estética? Representam eles o futuro? Não lhes parece que eles são a vanguarda da década de... 60? (Foto: Adriano Vizoni, da Folhapress)
A Universidade de São Paulo é um patrimônio de todos os paulistas e dos brasileiros dos demais estados que a escolheram para realizar seus sonhos, seus anseios e suas utopias, sempre respeitando os direitos da comunidade uspiana, garantidos por um Estatuto, pela Constituição do Estado, pela Constituição da República Federativa do Brasil e por outros códigos legais.
Declaramos, assim, que não há diferença entre os que usam a USP — e o mesmo vale para todas as universidades públicas do Brasil — para fortalecer seus próprios partidos e seitas e os larápios da República que estão sendo denunciados pela imprensa.
A malversação do dinheiro público será sempre um roubo, seja para o enriquecimento pessoal, seja para fortalecer grupos ideológicos. Rouba o dinheiro dos paulistas que sustentam a USP aqueles que abusam de sua condição de aluno, de professor ou de funcionário para impor uma pauta política alheia aos objetivos da universidade.
CHEGA! É POR ISSO QUE ESTAMOS DIZENDO A ELES: “NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!”
NÃO PODEM MAIS!
É POR ISSO QUE UMA RESPOSTA TEM DE SER DADA NOS CURSOS, COMO FIZERAM OS ALUNOS DAS LETRAS, E NAS URNAS.
Entre os dias 22 e 24, haverá eleição para o DCE. A maioria silenciosa que começa a se manifestar pode pôr um fim à ditadura. Mulheres e homens morreram para que o Brasil fosse um país livre. Não vamos permitir que meia-dúzia de aloprados, de “burgueses do capital alheio”, solapem os direitos que garantem a nossa dignidade.
Vamos dizer “não” aos verdadeiros fascistas! Vamos dizer “sim” à USP e à universidade pública.
Por Reinaldo Azevedo

Olha a naipe dos elementos, é isto que querem na universidade?


UM BANDO DE IDIOTAS E IRRESPONSÁVEIS

No site da revista Veja há um slide show com diversas fotos dos "revolucionários"da USP. Por pouco esses idiotas não provocam uma tragédia. Os coquetéis molotov, como mostra esta foto, já estavam preparados para serem lançados.
Na foto abaixo, vê-se que entre os estudantes existem uns tipos estranhos já bem crescidinhos, não? É uma cena típica dos anos 60 do século passado. 
Parece que os ditos "estudantes profissionais", continuam fazendo o serviço de agitação e propaganda em favor de "outro mundo possível". 
Agora imaginem se o PT vence as eleições para a prefeitura de São Paulo e, posteriormente para o governo do Estado?
A evidência de que isto seria um desastre absoluto é o fato de que não se ouviu um pio de condenação a esse ignominioso ato de vandalismo contra a Universidade de São Paulo por parte dos petistas.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"corrompor"


O ministro a caminho do despejo ensina como se conjuga o verbo ‘corrompor’

Por ser dono da banca de jornais de que Leonel Brizola se tornou freguês, Carlos Roberto Lupi virou em 1980 amigo do gaúcho que acabara de voltar do exílio para retomar a carreira política no Rio. Por ser amigo de Brizola, virou militante do PDT. Por ser homem de confiança do chefe, virou deputado federal, secretário municipal, secretário estadual e, depois da morte do fundador em 2004, presidente do partido. Por ser presidente do PDT, virou ministro do Trabalho em 29 de março de 2007. Por ser um bom companheiro da base alugada, virou bandido de estimação. Por ser protegido de Lula, continuou no cargo depois da posse de Dilma Rousseff.
Paulista de Campinas, 51 anos, Lupi não tem espaço na cabeça para alguma coisa que preste ─ só cifrões de origem obscura nascem e crescem em desertos de neurônios. A rasura do cérebro dificulta até a conjugação do verbo inseparável da própria biografia: corromper. No vídeo, por exemplo, ele  tropeça espetacularmente na terceira pessoa do singular: “Quem corrompõe…”, derrapa o filhote da Era da Mediocridade. A caminho do despejo, Carlos Lupi criou o verbo “corrompor”. Significa, provavelmente, “propor alguma coisa a um ministro corrupto”.

Agnelo: um corrupto com nome de cordeiro


Celso Arnaldo Araújo

Denunciados por flagrantes delitos, através de um rosário de testemunhos sólidos, evidências robustas e rastros pegajosos, autoridades do primeiro escalão costumam encher o peito para soltar o berro falsamente indignado e carregado de perdigotos que, pelo volume, ganham a densidade da baba bovina e elástica dos boçais de Nelson Rodrigues:
─ E as provas? Onde estão as provas?
Os ladravazes de dinheiro público, dinheiro nosso, clamam pelo implausível. A roubalheira deixa um rastilho de imundícies, patifarias, malandragens, subtrações – mas, com exceções que podem ser imputadas à distração dos perpetradores, não produz notas promissórias assinadas e registradas em cartório, confissões de própria voz ou imagens que teriam sua autenticidade atestada pelo sempre disponível perito Ricardo Molina.
Bem, isso até hoje. A Folha acaba de atender ao apelo dos larápios. Revela, com documentos oficiais, uma transferência de 5.000 reais da conta de um lobista de indústria farmacêutica para a conta de Agnelo Queiroz, em 2008, quando o atual governador de Brasilia (ex-PCdoB e hoje PT) era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a versão brasileira da FDA norte-americana.
Sim, Agnelo, que logo em seguida iria bater um bolão no Ministério do Esporte, preparando o campo para Orlando Silva, também foi colocado um dia para tomar conta de remédios – nenhum deles, por sinal, eficaz contra o vírus Corruptus brasiliae.
Não há território da administração pública que seja inóspito a um petista – ainda mais com o DNA do PCdoB. Eles se adaptam a todos os ambientes e esquemas, neutralizando sistemas de vigilância sanitária e financeira. Gente como Agnelo é capaz de tirar proveito até como gerente dos restaurantes Bom Prato, onde um PF custa 1 real. Imagine-se seu raio de ação, agora, como governador do DF.
Mas o Agnelo que nos interessa agora é o vigilante diretor da Vigilância, guardião da saúde dos brasileiros. A descarga de cinco mil reais se deu, por curiosíssima coincidência, horas antes de a indústria representada pelo lobista, a União Química, receber uma certidão de “nihil obstat” da Anvisa. Sem ela, estaria impedida de participar de licitações para fornecimento de medicamentos à rede pública e até de registrar novos medicamentos.
A liberação foi automática, como as transferências eletrônicas: caiu o dinheiro, saiu o certificado. A liberação dependia exclusivamente de Agnelo. E aqui nem cabe discutir se a decisão foi baseada em critérios técnicos.
Mas, espere. Uma merreca dessas remunera uma decisão que influi diretamente no futuro de uma grande empresa? Agnelo é barateiro ou é barato? Na verdade, como confirmou a VEJA Daniel Almeida Tavares, o lobista, os cinco mil eram apenas uma parcela do acerto de cinquentinha feito com Agnelo. Isto é: o subornador não nega o suborno. E o subornado?
Coloque-se no lugar de Agnelo Queiroz, pintando e bordando como governador da capital do país, mas envolvido até a glote nas escandalosas tabelinhas do Ministério do Esporte. Você está sendo ameaçado de impeachment como governador e, de repente, surge não apenas uma prova, mas um atestado de corrupção de seu caráter chancelado pelo Banco Central. Os cinco mil não foram para a conta de laranjas – mas do espremedor em pessoa, com seu nome de batismo e de inscrição no TER, sem nenhuma reserva, nenhum receio. Como contestar a mulher nua encontrada languidamente em sua cama? É preciso tentar alguma saída.
Não sei quanto tempo teve Agnelo entre a revelação cabal do malfeito e a providência de uma explicação. Se foram minutos ou horas, se foi improvisada ou estudada, foi a pior possível: uma emenda mais canalha que o soneto da corrupção. Um ladrão comum não ousaria uma desculpa desse teor.
Diz a Folha:
“O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008 (…) Em nota divulgada ontem, Agnelo voltou a rejeitar a versão do lobista de que recebeu dinheiro de propina e disse que os R$ 5.000 representavam o pagamento de um empréstimo que ele havia feito para Tavares. O governador admitiu à Folha que o empréstimo foi feito informalmente, sem documento ou contrato que comprove a transação. E disse que emprestou o dinheiro ao lobista em espécie, portanto não teria como comprovar sua versão”. E ele, valente, batendo no peito com a mesma empáfia dos ministros na véspera da queda:
“É mais uma tentativa desesperada da oposição de construir algo que relacione o governador a qualquer irregularidade (…) (o depósito) foi a devolução de quantia concedida em empréstimo à referida pessoa. Associar esse depósito a origem irregular é tentativa criminosa de acusação vazia”.
A desculpa de Agnelo não vale um fio de sua barba. Além da ladroagem desenfreada, essa gente não tem limites em seu cinismo sórdido. Ele acha que alguém, fora os asseclas da base aliada, comprará a história de que um dia levou cinco mil reais, em dinheiro vivo, para socorrer um lobista em apuros que mal conhecia – e justamente quem representava uma causa milionária que dependia de decisão de governo, no caso dele, para uma solução que seria efetivamente dada. Por essa versão, os cinco mil que apareceram em sua conta apenas retornaram ao local onde já pertenciam antes do empréstimo.
Ou seja: havia, sim, uma mulher nua em sua cama. Mas já era sua e nua antes de chegar à cama.
Agnelo Queiroz tem tudo para ser o novo ídolo dos milicianos.

Rosa Maria...,


Candidata de Dirceu, Márcio e Lula fica sem a toga que a trinca prometeu para o Natal

A vaga no Supremo Tribunal Federal aberta por Ellen Gracie será preenchida por Rosa Maria Weber Candiota, ministra do Tribunal Superior do Trabalho. Apesar de apoiada pela trinca formada por Lula, José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos, a candidata Maria Elizabeth Rocha não vai ganhar uma toga no Natal.
Não se sabe exatamente o que Rosa Maria Weber Candiota pensa do caso do mensalão. Tomara que tenha juízo, ignore palpites de gente como  Tarso Genro e outros conselheiros oportunistas, enxergue as coisas como as coisas são, respeite a Justiça e cumpra sem medo o seu dever. De qualquer forma, é certo que os culpados foram impedidos de comemorar antecipadamente o aumento da bancada pronta para absolvê-los.
Lula fará de conta que não tem nada com isso. Márcio fará cara de paisagem. Dirceu fará o possível para não sacar de novo a lágrima do coldre. Os mensaleiros continuarão fazendo qualquer negócio para escapar do castigo merecidíssimo. Nesta segunda-feira, terão de fazer alguma coisa para dormir direito. O sono tranquilo só seria garantido se a candidata da trinca fosse presenteada com a vaga no Supremo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ladrões de carteirinha


No faroeste brasileiro, o bandido brinca de xerife antes de fingir que foi morto e depois gasta sem sustos o dinheiro que tungou

“Sou osso duro de roer”, gabou-se Carlos Lupi nesta segunda-feira. (Orlando Silva se sentia “indestrutível” quando o velório já ia chegando ao fim). “Eu quero ver até onde vai essa onda de denuncismo”, foi em frente o ministro do Trabalho. Vai acompanhá-lo até a hora do enterro em cova rasa, logo saberá. (“Vou mostrar que todas essas denúncias são falsas”, prometeu o ministro do Esporte quando o tsunami de provas contundentes ainda lhe parecia uma marolinha. Não conseguiu desmentir nenhuma).
“Alguns nascem para se acovardar, outros para lutar”, declamou Lupi. “É o meu caso. Topo a luta. Vou até o fim”. É a Teoria do Casco Duro. Inventada por Lula, recomenda ao companheiro delinquente que resista entrincheirado no gabinete aos que tentam confiscar-lhe o empregão e a senha do cofre. A queda inevitável de Carlos Lupi repete o nauseante roteiro que orienta a cerimônia do adeus de ministros bandalhos.
Há menos de um mês, solidário com o camarada Orlando Silva, o PCdoB enxergou uma insidiosa conspiração contrarrevolucionária na descoberta de que o Ministério do Esporte se transformou na casa da moeda do partido. Solidário com o comparsa infiltrado no primeiro escalão, o deputado Paulinho da Força promete agora mobilizar as centrais sindicais que seu bando controla para a feroz resistência a inimigos de alta periculosidade.
Além da Força Sindical, quatro siglas descobriram que Carlos Lupi “está sendo vítima, assim como o movimento sindical, de uma sórdida e explícita campanha difamatória e de uma implacável perseguição política, que visa a desestabilização do governo e o linchamento público do titular da pasta.”  Essa conversa de gatuno pilhado em flagrante já passou da conta, como passaram da conta todos os outros capítulos, tão previsíveis quanto repulsivos, do espetáculo do cinismo reencenado pela sexta vez em cinco meses. O país decente já não suporta a lengalenga dos canastrões desprovidos de vergonha.
De novo, Dilma Rousseff invocou a presunção de inocência. De novo, Gilberto Carvalho avisou que, “por enquanto”, não surgiu nenhum fato que incrimine diretamente o chefe do bando. De novo, a Comissão de Ética da Presidência abriu uma sindicância para nada apurar. De novo, o governo tenta ganhar tempo. Quando a tempestade se intensificar, será costurado o acerto malandro com o partido premiado com o Ministério do Trabalho: o PDT aceita a saída de Lupi e indica o substituto. Muda-se o ministro para que tudo continue como está.
Qualquer detetetive americano que tropeçar num Carlos Lupi não resistirá à tentação de repetir o ritual celebrizado pela TV. Depois de algemado pelas costas, o ministro saberá que tem o direito de chamar um advogado e de ficar em silêncio, porque tudo o que disser será usado contra ele no tribunal. Nem será necessário especificar o motivo da prisão. Lupi sabe que merece. Aperfeiçoado pelo governo Lula-Dilma, o faroeste brasileiro é diferente. Só aqui o bandido é autorizado a posar de mocinho e brincar de xerife antes de fingir que morreu. Depois, gasta em sossego o dinheiro que tungou.

A manipulada...,