quinta-feira, 27 de março de 2014

Avaliação positiva do governo Dilma cai de 43% para 36%, indica CNI/Ibope

Brasília - A avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff caiu de 43% para 36% em relação a dezembro, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 27. No mesmo período, o porcentual de entrevistados que consideram o governo regular registrou oscilação dentro da margem de erro de 35% para 36% dos e os que o avaliam o governo como ruim ou péssimo subiu de 20% para 27%.
Foi a primeira vez, desde julho do ano passado, logo após os protestos de rua, que a presidente interrompeu a trajetória ascendente de avaliação positiva. Na ocasião, ela registrou 31% de avaliação positiva. Em dezembro, o desempenho do governo Dilma havia subido de 37%, em setembro, para 43%.
Na semana passada, o mesmo instituto divulgou pesquisa segundo a qual Dilma tem 43% das intenções de voto, o mesmo índice registrado em novembro de 2013, data do levantamento anterior. Com esse índice, a petista mantém a expectativa de vencer no 1º turno. O levantamento foi realizado entre 13 e 17 de março.
O porcentual dos entrevistados que aprovam a maneira da presidente Dilma Rousseff de governar caiu de 56% para 51%. Ao mesmo tempo, aqueles que desaprovam a maneira da atual presidente de governar subiu de 36% para 43%.
Assim como a avaliação positiva, a aprovação da maneira de governar de Dilma inverteu a trajetória favorável. Em julho, 49% reprovavam a maneira de governar, superando, na ocasião, aqueles que a aprovavam, que eram 45%. Isso ocorreu logo após o início dos protestos de rua País afora. Foi a única vez que ela registrou uma reprovação superior à aprovação da maneira de governar desde que assumiu a presidência, em 2011.
A confiança na presidente Dilma diminuiu de 52% para 48%. O porcentual dos que não confiam nela subiu no mesmo período de 41% para 47%. Na prática, os indicadores de confiança e desconfiança estão tecnicamente empatados. O índice dos que não souberam ou não quiseram responder a essa pergunta também oscilou de 7% para 5%, dentro da margem de erro. Nos dois primeiros anos de governo, 75% confiavam na presidente.
A primeira pesquisa CNI/Ibope de 2014 foi realizada entre os dias 14 e 17 deste mês com 2.002 pessoas em 141 municípios. O levantamento tem margem de erro de dois pontos porcentuais. A sondagem foi feita, portanto, antes da revelação de que a presidente Dilma Rousseff, quando presidia o Conselho de Administração da Petrobrás, votou a favor da compra de parte da refinaria de Pasadena com base em um resumo juridicamente "falho".
Em 2012, a estatal concluiu a compra da refinaria e pagou ao todo US$ 1,18 bilhão por Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga. A oposição protocolou nesta quinta o pedido para a abertura de uma CPI no Senado para investigar o caso.


Origem de alguns palavrões...,

O Jornalista Luiz Costa Pereira Junior concedeu em 2002 uma entrevista brilhante no Programa do Jô Soares. Falou do seu livro Com a Lingua de Fora que trata da origem de diversas palavras e seu contexto histórico. Muito interessante.

quarta-feira, 26 de março de 2014

S&P rebaixa notas de 13 grandes bancos brasileiros

Entre instituições que tiveram o rating cortado, estão Bradesco, BB, Itaú, Citibank, HSBC, Santander Brasil, Caixa e BNDES
Fernando Ladeira, da Agência Estado
SÃO PAULO - A Standard & Poor's rebaixou o rating de 13 grandes instituições financeiras do Brasil, em moeda local e em moeda estrangeira, de modo a ajustar as notasrating soberano brasileiro, que foi cortado no fim da tarde de segunda-feira, 24, de BBB para BBB-, o nível mais baixo do grau de investimento. As notas revisadas possuem perspectiva estável.
Na terça-feira, 25, a agência de risco já havia afirmado queas notas de bancos e outras empresas brasileiras estavam na mira e seriam revisadas nos próximos dias.
A S&P explicou que o rebaixamento da nota soberana limita as notas das instituições financeiras. Na segunda-feira, a S&P adotou um tom semelhante ao rebaixar osratings da Petrobrás e da Eletrobrás.
A agência de classificação de risco rebaixou de BBB para BBB- os ratings em escala global, em moeda local e estrangeira, do Bradesco, Banco do Brasil, Itaú BBA, Itaú Unibanco Holding, Citibank, HSBC Bank Brasil, Santander Brasil, Banco do Nordeste do Brasil, Sul América Companhia Nacional de Seguros e Allianz Global Corporate & Specialty Resseguros Brasil.
A S&P também rebaixou a nota em moeda estrangeira da Caixa Econômica Federal e do BNDES. As notas da Caixa e do BNDES em moeda local também foram cortados para BBB+, de A-. O rating da Sul América, em moeda local e estrangeira, foi rebaixado para BB, de BB+.
A S&P também anunciou que colocou o rating global de 17 instituições financeiras do Brasil e o rating em escala nacional de 26 instituições em observação com implicações negativas. Um banco também está com o rating em escala global na lista de observação negativa, o que significa que há a possibilidade de corte nos próximos meses.
Entre as instituições com o rating em observação negativa estão o BNP Paribas, BES Investimentos do Brasil, BM&FBovespa, Safra, Votorantim, Banco Pan, Daycoval, Pine e BTG Pactual.

Sistema de integração revoluciona agropecuária no Brasil


Pesquisadores concluíram que o produtor pode plantar milho e soja na mesma área tomada por pasto, que depois servirá de alimento para o gado

Ipameri - Um inovador sistema agropecuário desenvolvido por instituições públicas e privadas que combina a produção de grãos, leite, carne e madeira está revolucionando o campo brasileiro e se destacando como o melhor caminho para o desenvolvimento sustentável, segundo fontes do setor.
O modelo de integração no mesmo terreno de cultivos agrícolas, criação de gado e preservação de florestas (iLPF, na sigla em português) intensifica o uso do solo com a combinação de culturas agrícolas.
Após dezenas de testes realizados por engenheiros para que várias culturas cresçam ao mesmo tempo sem perda de nutrientes no solo, os pesquisadores concluíram que o produtor pode plantar milho e soja na mesma área tomada por pasto, que depois servirá de alimento para cabeças de gado.
"A intenção é fazer com que o produtor não tenha que comprar mais terras, mas possa intensificar a produção nos hectares férteis que já tem", explicou à Agência Efe Paulo Herrmann, presidente da companhia americana de equipamentos agrícolas John Deere no Brasil, que patrocina o sistema.
Herrmann participou neste mês, junto com produtores e políticos, da 8ª edição do Dia de Campo iLPF, evento organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela John Deere, entre outros, e realizado na fazenda Santa Brígida, pioneira do sistema iLPF no estado de Goiás.
"Estamos às portas da segunda grande revolução agropecuária do Brasil, com um modelo de agricultura tropical baseada em fatos científicos no qual transformamos grandes extensões de solos pobres e as tornamos férteis", declarou à Efe o presidente da Embrapa, Mauricio Lopes.
Para Lopes, o "grande desafio" do campo brasileiro é adaptar a agricultura a um "contexto de mudança climática" e às limitações do novo código ambiental, "que não permite abrir novas zonas de cultivo".

terça-feira, 25 de março de 2014

Saúde!!!


Quer reduzir o risco de diabete tipo 2? – Frutas vermelhas, chá e chocolate.
Diabete tipo 2 é uma doença metabólica crônica que se caracteriza pelo aumento do açúcar no sangue, e vem tomando proporções epidêmicas nos últimos anos. Está associada com doença cardiovascular e hipertensão arterial, e seu desenvolvimento é ligado ao estilo de vida, principalmente o padrão alimentar, obesidade e sedentarismo. Para agravar a situação, a maioria dos indivíduos que possuem riscos objetivos de desenvolver a doença ignora estes riscos.
Novas e gostosas notícias vindas do Reino Unido podem rechear o nosso dia-a-dia com elementos que servem de prevenção para o desenvolvimento de diabete tipo 2. Uma pesquisa realizada na Inglaterra, e recentemente publicada na revista científica The Journal of Nutrition, sugere que substâncias encontradas em grande quantidade no chá, frutas vermelhas e chocolate auxiliam na proteção contra o diabete.
O estudo foi conduzido em 1997 mulheres de 18 a 76 anos, e observou a associação entre alimentação e a glicemia (quantidade de açúcar no sangue), a proteína C reativa, que é um marcador de inflamação crônica do organismo (a inflamação crônica está associada com diabete, obesidade doença cardíaca e câncer), e a concentração de insulina no sangue (que indica o grau funcionamento da insulina). A atenção foi dirigida para alimentos que contêm um grupo de substâncias chamado de flavonóides, especificamente a flavona, encontrada em maior quantidade em chá, vegetais e temperos como aipo e salsa, e a antocianina, encontrada em uvas, frutas vermelhas e vinho tinto.
Os resultados revelados pela pesquisa indicam que o consumo de altas quantidades de flavonas e antocianinas está associado a uma melhor regulação do açúcar no sangue, a um melhor funcionamento da insulina e a um menor nível de inflamação crônica.
Estes resultados se inserem em um robusto conjunto de evidências científicas que reforçam a importância da boa alimentação na prevenção de doenças e promoção da saúde.


Os 6 motivos que fizeram a S&P rebaixar o Brasil


Contabilidade criativa, vulnerabilidade externa e dificuldade de impulsionar investimento estão entre as razões citadas pela S&P para mudar a nota brasileira.

São Paulo - Na noite de ontem, a Standard & Poor's decidiu rebaixar a nota da dívida soberana do Brasil.
Agora, o país é BBB-, última posição que ainda indica grau de investimento (e baixo risco de calote), junto com Espanha, Marrocos e Índia.
O mercado e o governo já vislumbravam a possibilidade - há 8 meses, a perspectiva da nota já havia sido modificada de "estável" para "negativa".
Ainda assim, eles não imaginavam que o rebaixamento poderia vir tão cedo.
A agência explicou os motivos da decisão e o Ministério da Fazenda lançou nota rebatendo alguns dos pontos citados. Veja a seguir:
O que diz a S&P: "A deterioração fiscal brasileira nos últimos anos inclui déficits relativamente maiores como resultado de um superávit primário menor (sem levar em conta os juros) e atividades extraorçamentárias recorrentes."
O que diz o governo: "o País tem gerado um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos. Em 2013, fizemos um superávit primário de 1,9% do PIB, suficiente para reduzir o endividamento público, tanto bruto quanto líquido".
O que acontece: o Brasil não cumpriu a meta de superávit primário em 3 dos últimos 7 anos. A meta de 2013 foi revista ao longo do ano e só foi cumprida com a ajuda de receitas extraordinárias.
2. Contabilidade criativa
O que diz a S&P: "A credibilidade sobre a condução da política fiscal foi sistematicamente enfraquecida na medida em que o governo excluiu vários items de receita e gasto da sua meta fiscal."
O que acontece: já há alguns anos, o governo brasileiro tem lançado mão de mecanismos para excluir de suas contas gastos com o Programa de Aceleração de Crescimento, por exemplo, além de contabilizar receitas futuras. Entre 2009 e 2012, isto levou a economia do governo a ser inflada em 590 bilhões de reais
3. Crescimento baixo
O que diz a S&P: "Esperamos que o crescimento baixo do Brasil persista nos próximos anos, com uma expansão do PIB real de 1,8% em 2014 e 2% em 2015."
O que diz o governo: "o Brasil, no período da crise internacional iniciada em 2008, cresceu 17,8%, uma das maiores taxas acumuladas de crescimento entre os países do G-20."
O que acontece: o ministro da Fazenda Guido Mantega previu em 2010 que o Brasil cresceria em média 5,5% por ano entre 2011 e 2014, mas o país não cresceu nem a metade disso. As previsões para o crescimento deste ano e do próximo ficam entre 1,7% e 2%.
O que diz a S&P: "Antecipamos que a vulnerabilidade externa brasileira vai aumentar nos próximos anos. Em 2013, o investimento estrangeiro direto não cobriu plenamente o déficit em conta corrente; esperamos que essa tendência continue."
O que diz o governo: "o País tem estado entre os 5 maiores receptores mundiais de investimento estrangeiro direto (...) e possui o quinto maior volume de reservas internacionais no G-20, o que corresponde a 10 vezes a dívida externa de curto prazo."
O que acontece: há várias formas de medir a vulnerabilidade de um país. Um relatório do banco central americano, o FED, colocou o Brasilentre os emergentes mais expostos, visão compartilhada pelo banco Morgan Stanley.
Para outros economistas, como o americano Paul Krugman e o ex-ministro Delfim Netto, o país não é tão vulnerável assim.
5. Abuso de bancos estatais
O que diz a S&P: "O uso persistente dos bancos estatais, financiados por recursos do Tesouro não contabilizados, também minaram a credibilidade e transparência das políticas."
O que acontece: Os bancos estatais foram um dos principais instrumentos de reação à crise de 2008, mas as transferências continuaram crescendo mesmo nos anos seguintes - o que levou a participação destes bancos no crédito nacional para níveis recordes.
No ano passado, a agência de rating Moody's rebaixou as notas do BNDES e da Caixa Econômica Federal. O governo já sinaliza que vai diminuir o ritmo e a S&P diz que "se isso se mantiver na trilha, pode ser positivo para o rating com o tempo".
6. Baixo investimento
O que diz a S&P: "o importante programa de concessões está avançando lentamente e deve fornecer algum apoio para o investimento. Dito isso, ainda esperamos que o investimento privado em geral continue sem brilho por causa do persistente sentimento negativo do empresariado e uma atitude de "esperar para ver" associada à eleição, o risco de racionamento de energia e os efeitos do aumento dos juros desde abril de 2013."
O que diz o governo: "o País deu início a um amplo programa de infraestrutura, que vai mobilizar mais de US$ 400 bilhões nos próximos anos. Vale destacar que o investimento cresceu 6,3% em 2013 (o segundo maior do G-20)"
O que acontece: no início do seu governo, a presidente Dilma prometeu aumentar a taxa de investimento de 19% para 24% do PIB - o que é essencial para sustentar um novo modelo de crescimento. A taxa, porém, continua estacionada em torno dos 18%.

Desespero no planalto e o "Delúbio" da vez...,

Pasadenagate: dinheiro usado na compra de refinaria pode ter voltado ao Brasil por meio de doações

refinaria_pasadena_02Chame o ladrão – A decisão de Dilma Vana Rousseff de terceirizar a culpa pela escandalosa aquisição da refinaria da Petrobras, que sangrou o bolso do contribuinte brasileiro em US$ 1,18 bilhão, mostra o desespero que se instalou no Palácio do Planalto por causa da eventual explosão de um escândalo sem precedentes. A tensão é tão grande, que os petistas palacianos acionaram a tropa de choque cibernética para espalhar informações sobre a Petrobras durante a era de Fernando Henrique Cardoso.
A demissão de Nestor Cerveró, que até a última sexta-feira (21) ocupava a diretoria financeira da BR Distribuidora, levou o executivo, que encontra-se em férias na Europa, a mandar recados ao Palácio do Planalto, alertando para o fato de que não será bode expiatório de um caso que é de responsabilidade, de forma solidária, do conselho de administração da empresa, que à época do negócio era presidido por Dilma.
O silêncio adotado por Cerveró depois da demissão, decidida pelo Conselho de Administração da BR Distribuidora, vem tirando o sono dos integrantes do núcleo duro dos integrantes do governo, que não sabem qual será a atitude do homem que foi acusado por Dilma de produzir um laudo técnico “falho”.
A presidente pode até tergiversar sobre o tema, mas não se pode esconder a sua responsabilidade no negócio escuso e que até hoje reverbera no caixa da Petrobras. Na lei das Sociedades Anônimas – a Petrobras é uma sociedade anônima controlada pelo governo – o artigo 158 (caput) é claro ao estabelecer que “o administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar”.
A grande questão envolvendo a Petrobras é que parte da enxurrada do dinheiro utilizada na primeira parte do negócio (US$ 360 milhões), quando a empresa adquiriu 50% da refinaria de Pasadena (Texas), pode ter voltado para o Brasil em forma de doações de campanha. É preciso que as autoridades norte-americanas investiguem o rastro do dinheiro, pois é inimaginável que tamanha fortuna tenha sido utilizada na compra de uma refinaria obsoleta e que nem em sonho atendia às necessidades da petroleira verde-loura.
O povo brasileiro, maior prejudicado nesse negócio nebuloso, não pode permitir que o caso caia no esquecimento, proporcionando aos envolvidos no escândalo mais uma rodada de impunidade, a exemplo do que vem ocorrendo no País nos últimos onze anos. Não se pode aceitar passivamente um escândalo proporção, da mesma forma que é preciso estar atento ao caso da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que já consumiu R$ 41 bilhões dos contribuintes, com previsão de ultrapassar a casa de R$ 50 bilhões.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Petrobras.., "cada enxadada uma minhoca".., até quando vai continuar o saque???

Petrobras abriu mão de cobrar 'calote' da Venezuela


Documentos inéditos da Petrobras aos quais o Estado teve acesso mostram que a empresa brasileira abriu mão de penalidades que exigiriam da Venezuela o pagamento de uma dívida feita pelo Brasil para o projeto e o começo das obras na refinaria Abreu Lima, em Pernambuco. O acordo "de camaradas", segundo fontes da estatal, feito entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez deixou o Brasil com a missão de garantir, sozinho, investimentos de quase US$ 20 bilhões.
O acordo previa que a Petrobras teria 60% da Abreu e Lima e a Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), 40%. Os aportes de recursos seriam feitos aos poucos e, caso a Venezuela não pagasse a sua parte, a Petrobras poderia fazer o investimento e cobrar a dívida com juros, ou receber em ações da empresa venezuelana, a preços de mercado. Essas penalidades, no entanto, só valeriam depois de assinado o contrato definitivo, de acionistas. Elas não chegaram a entrar em vigor, já que o contrato não foi assinado.
Os documentos obtidos pelo Estado mostram que a sociedade entre a Petrobras e PDVSA para construção da refinaria nunca foi assinada. Existe hoje apenas um "contrato de associação", um documento provisório, que apenas prevê, no caso de formalização futura da sociedade, sanções pelo "calote" venezuelano.
Desde 2005, quando esse termo de compromisso foi assinado pelos dois governos, até o ano passado, a Petrobras tentou receber o dinheiro devido pela PDVSA - sem sucesso. Em outubro do ano passado, quando o investimento na refinaria já chegava aos U$ 18 bilhões, a estatal brasileira desistiu.
Os venezuelanos não negam a dívida. No item 7 do "contrato de associação" a PDVSA admite sua condição de devedora. Antes desse documento, ao tratar do fechamento da operação, uma das condições era o depósito, pelas duas empresas, dos recursos equivalentes à sua participação acionária em uma conta no Banco do Brasil - o que a o governo da Venezuela nunca fez.
Em outro documento obtido pelo Estado, a Petrobras afirma que estariam previstas penalidades para o "descumprimento de dispositivos contratuais". Como nos outros casos, essa previsão não levou a nada, porque as penalidades só seriam válidas quando a estatal venezuelana se tornasse sócia da Abreu e Lima - e isso não ocorreu.
Chávez e Lula
A ideia de construir a refinaria partiu de Hugo Chávez, em 2005. A Venezuela precisava de infraestrutura para refinar seu petróleo e distribuí-lo na América do Sul, mas não tinha recursos para bancar tudo sozinha. Lula decidiu bancar a ideia. Mas Caracas nunca apresentou nem os recursos nem as garantias para obter um empréstimo e quitar a dívida com a Petrobras.
Em dezembro de 2011, em sua primeira visita oficial a Caracas, a presidente Dilma Rousseff tratou o assunto diretamente com Chávez, que prometeu, mais uma vez, uma solução. Nessa visita, o presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, chegou a anunciar que "havia cumprido seus compromissos" com a empresa e entregue uma "mala de dinheiro em espécie" e negociado uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China. Esses recursos nunca se materializaram.
O projeto inicial, que era de US$ 2,5 bilhões, já chegava, em outubro do ano passado, aos US$ 18 bilhões, quando a Petrobras apresentou ao seu Conselho de Administração a proposta de assumir integralmente a refinaria. A estimativa é que o custo total fique em torno de US$ 20 bilhões.
Para justificar os novos valores, a empresa cita ajustes cambiais e de contratos, gastos com adequação ambiental e o fato de ter ampliado a capacidade de produção de 200 mil para 230 mil barris por dia. Os novos itens e a ampliação da produção explicariam o custo oito vezes maior que o inicial. Procurada pelo jornal O Estado de S. Paulo, para falar sobre o "calote" da Venezuela, a Petrobras informou que nada comentará. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Churrasco

Cada vez chego mais à conclusão que não existe nada mais melindroso do que um churrasco caseiro. E, ao mesmo tempo, relaxante.
Sim, porque no Brasil todo mundo entende de duas coisas: ou é metido a ser técnico de futebol ou a fazer churrasco. Têm os que sabem. E têm os outros. E é muito difícil você ver alguém fazendo um churrasco e não dar pelo menos um palpite. E o churrasqueiro de plantão sabe que, se sucumbir ao primeiro investimento alheio, terá de aturar o chato até o fim da tarde.
Os palpites já começam na hora de acender o fogo.
– Você não tem aquele negocinho para colocar embaixo, que fica pegando fogo?
– Com jornal! Pega os classificados!
– O Caderno2, não!!!
– Se não abanar, não vai pegar. Vai por mim.
– Colocou muito carvão. Vai sufocar o fogo. Não disse?
– Tá muito alto. Joga água!
– Não falei para não jogar água? Olha aí, apagou.
– Você é que não abanou. Dá licença?
Fogo pronto, todo mundo já na segunda caipirinha, as esposas lá do outro lado. Se tem uma coisa que mulher não entende é de churrasco. Participam, no máximo, com a salada e os gritos de: amor, traz mais um pano de prato?
Aí começam os palpites pra valer:
– Se eu fosse você, colocava a linguiça na parte de baixo.
– O quê??? Vai fatiar a picanha? Peloamordedeus, isso é uma infâmia!
– Olha, sem querer ser chato, mas eu acho melhor colocar a gordura para o lado de baixo. Depois virar. E não virar mais.
– O problema do lombo é que demora mais. Precisa ficar embaixo.
Muita gordura, meu.
– Tá vendo?, pinga a gordura e o fogo sobe. Assim não vai dar. Joga a água.
– Limão? Na picanha?
– Aquela linguiça ali já não está boa? Cadê o pão?
– O que é isso? Salmoura? No meu churrasco, não!!!
– Mas não fui eu quem ficou de comprar o pão. Clotilde! Não tem pão!!!
– Me dá licença? Posso virar a costela? O que é isso que você colocou aqui? Orégano??? Tá doido, cara?
– Salmoura, onde já se viu…
– De peixe eu entendo. Só sal e limão. Não, cara, sal grosso, não. Sal fino. Põe por dentro. Assim, ó. Tem papel laminado, não?
Já está todo mundo ali a ponto de enfiar o espeto no colega de repartição quando começam a chegar as crianças.
– Já tem linguiça, paiê?
– Já disse que eu chamo. É surdo?
É quando chega o colega retardatário e, antes de cumprimentar?
– Esse fogo tá muito alto. Com licença. Se tem uma coisa que eu entendo é de churrasco, Edgar. Deixa comigo. Quem é que está fazendo a caipirinha? Muito açúcar. Tá um melado isso aqui.
– Põe mais carvão, Souzinha.
– Queimei o dedo!
– Sei não, eu, por mim, virava essa picanha. Vai torrar, cara.
– Você precisa comprar uma faca melhor. Olha aí. Isso aqui está estragando a carne.
– Joaninha, cadê a faca boa? Aquela que o seu pai me deu?
– Cuidado que tá quente, filho. Não disse? Não me ouve…
– Mas não tem nem uma manteiguinha para passar na batata, Nestor?
– Clotilde!!! Eu já não disse que margarina não serve? Olhaí, derrete muito rápido, esfria a batata. Ah, meu Deus do céu!
E por aí vai, até escurecer e o fogo apagar de vez.
Existe uma teoria psicanalítica de que quem faz churrasco não precisa fazer terapia. Que os grandes e amadores churrasqueiros são todos pessoas muito bem resolvidas.
Deve ser verdade, pois colocam avental com uma feminilidade cativante. Ficam – dois ou três homenzarrões abraçados – olhando por horas e horas para o fogo ardente, brigando e discutindo como se fossem marido e mulher. Já notou? Já notou quando um queima o dedo, com que carinho é tratado pelos outros? Já vi barbudo chupar o dedo do outro ali, ao lado das brasas da amizade.
Se não houvesse o churrasco caseiro, os homens seriam muito mais tristes, muito mais violentos.
Fazer um churrasco num sábado resolve todos os problemas da firma, do casamento e dos filhos. O homem vira um herói de si mesmo.

Você confia em alguém?

Na versão de Dilma? De Alckmin? No governo? Na oposição? Na polícia? Em quem acreditar?

A confiança é a base das relações. Em casa ou no trabalho, na família, no amor, na amizade. Quando se perde totalmente a confiança, por uma sucessão de mentiras, incompetências ou traições, fica difícil até acreditar na verdade. O Brasil vive hoje uma crise profunda de credibilidade das instituições, das empresas e dos governantes. É ruim para o país, é péssimo para nossa autoestima como brasileiros e, em ano eleitoral, provoca uma baita insegurança.

Você acredita na versão da presidente Dilma Rousseff sobre o monumental escândalo da compra bilionária da refinaria de Pasadena pela Petrobras? Você acredita que Dilma, então ministra da Casa Civil, foi traída pelo Conselho que ela mesma dirigia? Você acredita que Dilma, com todo o seu rigor de gerentona, assinou um negócio de mais de US$ 1 bilhão sem conhecer as cláusulas, apenas com base num parecer “técnico e juridicamente falho”, segundo a nota do Planalto?
Você acredita nas boas intenções da Petrobras? Você acredita que ninguém da estatal levou dinheiro ao recomendar a compra, por US$ 1,19 bilhão, de uma refinaria vendida um ano antes por US$ 42,5 milhões? Você acredita que o escândalo da refinaria de Pasadena não passa, segundo o presidente do PT, Rui Falcão, de um ataque à maior empresa do Brasil e “patrimônio de nosso povo”? Você confia em Rui Falcão?
Você confia na inocência do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa? Ele foi preso pela Polícia Federal com mais de R$ 1 milhão em casa, sob acusação de envolvimento com quadrilha de lavagem de dinheiro. Você acredita que o Land Rover que ele ganhou de presente do doleiro Alberto Youssef tenha sido apenas um mimo como pagamento por uma consultoria?
Você acredita no governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, quando ele diz que pegar água da Bacia do Rio Paraíba do Sul – que abastece o Rio de Janeiro – seria uma boa política para os dois Estados? Alckmin acha que seu plano não prejudicará em nada o abastecimento de água do Estado do Rio e que é “uma via de mão dupla”. Você confia em Alckmin?
Você acredita que nossa inflação anual em 2013 ficou abaixo dos 6%, como afirma o governo? Você, que compra comida e paga por serviços, acha mesmo que a inflação foi de 5,91%? Você confia nos índices oficiais? Você acredita que, caminhando nesse ritmo, a inflação, no próximo ano, subirá ou será “trazida para o centro da meta” – como se fala no economês ininteligível dos ministros?
Você acredita na versão dos PMs que levaram para o hospital Claudia Ferreira, moradora do Morro da Congonha, no Rio de Janeiro? Você acredita que o subtenente Rodney Miguel Arcanjo só colocou Claudia no porta-malas da patrulha porque a rua era estreita, e ele ficou receoso devido ao assédio dos parentes e vizinhos de Claudia? Você acha mesmo que os PMs só queriam salvar Claudia? Você confia nos flagrantes da PM carioca e nos resultados de inquéritos? Mesmo após a história mentirosa e fantasiosa sobre o desaparecimento de Amarildo da favela da Rocinha, você confia nas versões oficiais sobre os “autos de resistência”? Você acredita que os PMs apoiam as UPPs?
Você acredita que o Brasil tem condições de sediar uma Copa do Mundo com um mínimo de respeito a prazos, horários, transporte, voos e acomodações? E sem desperdício de dinheiro? O estádio que abrirá a Copa em 12 de junho, com o jogo entre Brasil e Croácia, será entregue incompleto no dia 15 de abril à Fifa. Sem carpete, com piso de cimento. Sem iluminação, holofotes terão de ser alugados. Lanchonetes ainda por acabar. Ah, o problema é do BNDES, que atrasou a liberação do financiamento de R$ 400 milhões. A Fifa tinha exigido que o estádio fosse entregue com dois telões, cada um com 90 metros quadrados. Adivinhe! Os telões terão de ser alugados. Você acredita que os estádios de Curitiba e Cuiabá estarão prontos logo? Aliás, você confia na Fifa?
Você confia na oposição? Deve haver alguma coisa errada, porque, se 64% dos brasileiros estão insatisfeitos com o atual rumo do Brasil e querem que o próximo presidente mude muito ou totalmente o país, por que Dilma, segundo as previsões, venceria logo no primeiro turno? Você confia em Aécio Neves ou Eduardo Campos na Presidência da República? Você sabia que 35% dos brasileiros não conhecem Eduardo Campos e 27% não conhecem Aécio Neves? Você acredita que Campos e Aécio possam restituir a confiança na ética política e acabar com o vexame internacional do Brasil em saneamento, educação, saúde e segurança?
Todos podem ser inocentes ou competentes, não é mesmo? Em alguém daí de cima – de políticos a empresários e policiais –, a gente deveria acreditar, pelo bem do Brasil. Você confia?

Barbosa diz que Lula tentou usá-lo em ‘estratégia de marketing’ para África


Empossado no STF em junho de 2003 como primeiro dos oito ministros que Lula indicaria para compor o tribunal, Joaquim Barbosa contou, em entrevista exibida na madrugada deste domingo (23), que foi convidado “algumas vezes” para integrar a comitiva presidencial em viagens à África. “Recusei terminantemente”.
Por quê? “Primeiro porque não era da tradição aqui da Casa ministro do Supremo viajar em comitiva de presidente da República. Segundo porque percebi que aquilo era uma estratégia de marketing para os países africanos”. Barbosa insinuou que Lula quis exibi-lo em nações africanas como uma espécie de negro de mostruário, numa falsa demonstração de que não haveria racismo no Brasil.
O presidente do STF falou ao repórter Roberto D’Ávila. A conversa foi exibida no canal Globo News. A certa altura, Barbosa disse esperar que, doravante, os presidentes da República indiquem para o Supremo “um certo número de homens e mulheres negras de maneira natural. E não façam estardalhaço disso, não tentem levar a pessoa escolhida para a África para esconder uma realidade.” Uma “realidade muito triste”, ele enfatizou.
“Nós não temos representantes negros na nossa diplomacia, nos negócios, muito poucos no Estado. [...] Os países africanos se ressentem muito disso. Como é que pode um país que tem 50% da população negra e mulata e não consegue escolher um número de embaixadores negros para mandar para a África?”
Barbosa esteve recentemente na África. Viajou em missão oficial, como presidente do STF. Emocionou-se “bastante” em Gana e Angola. “Era como estar em casa. Especialmente em Angola. Tudo “tão próximo, tão parecido.” Lamentou que a historiografia brasileira não dê “o devido relevo à intensidade de relações” do Brasil com países como Angola. Uma “interação” que, segundo sua avaliação, foi muito além do “tráfico de escravos” nos últimos 300 anos.
Depois de criticar os convites marqueteiros de Lula, revelou uma ponta de mágoa por não ter sido convidado por Dilma Rousseff para integrar a comitiva presidencial que foi aos funerais de Nelson Mandela, na África do Sul. “Não fui porque não fui convidado. Hoje, eu iria. Era diferente, outra situação. Iria render as minhas homenagens ao Mandela, que eu conheci pessoalmente.”
No início do seu primeiro mandato, em janeiro de 2003, Lula soube que teria de nomear um ministro para o Supremo. Incumbiu o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de encontrar um nome. Fez uma exigência: queria nomear o primeiro ministro negro do STF. O destino se revelaria caprichoso. Conforme já comentadoaqui, Barbosa, um eleitor de Lula, acabou se tornando algoz do PT no julgamento e na execução das penas do mensalão.
O senhor acha que entrou numa cota, apesar de todo o seu praparo?, indagou o entrevistador. E Barbosa: “Dizer que eu entrei numa cota é uma manifestação racista, porque simplesmente as pessoas que fazem isso não olham o meu currículo. Aliás, pouca gente olha o meu currículo. Pouca gente olha. Não interessa. O cara só vê a cor da pele.”
De fato, tomado pela biografia, Barbosa não é um Joaquim qualquer. Primogênito de oito filhos de um pedreiro com uma dona de casa da cidade mineira de Paracatu, graduou-se em Direito na Universidade de Brasília. Passou pela francesa Sorbonne, uma das mais prestigiosas usinas de canudos do mundo. Foi professor visitante de Columbia, em Nova York. Lecionava na Universidade da Califórnia quando Thomaz Bastos o selecionou.
Já chorou de raiva por causa do racismo? “Ah, quando era jovem, sim”, admitiu Barbosa. Mesmo como ministro do Supremo, ele ainda se considera vítima de racismo. “Alias, vocês tomarão conhecimento nos próximos dias. Estou propondo uma ação por racismo contra um jornalista brasileiro”, disse, sem mencionar o nome de Ricardo Noblat, o alvo do seu processo judicial.
Evocando Joaquim Nabuco, o ministro afirmou que “demorará ainda, talvez, séculos para que o Brasil se livre, se desvencilhe das marcas da escravidão. E é falta de honestidade intelectual dizer que o Brasil já se livrou dessas marcas. Elas estão presentes nas coisas mais comezinhas da nossa vida social. Basta você dar uma volta aqui, nos corredores do Supremo ou de qualquer outra repartição pública. Você vai perceber a repartição de papeis. Ao negro, tal posição. Com o salário correspondente, mais baixo, claro. À medida que as funções vão aumentando em importância o negro vai sumindo.”
Barbosa refugou a tese do entrevistador segundo a qual o racismo no Brasil seria orientado mais por critérios sociais do que propriamente pela cor da pele. “Não, não. O racismo está em todas as esferas. Nao é só social, não. Ele é econômico. Ele interfere nas relações profissionais, nas relações sociais.”
Na opinião do ministro, “há no Brasil certas pessoas que têm essa tendência de tentar minimizar o racismo. Ah, eu me dou bem com todos. Pergunta para essa pessoa: quantas vezes você recebeu um negro na sua casa como convidado? Poucos vão ter essa resposta.”
Presente à posse de Barbosa na presidência do STF, em 22 de novembro de 2012, o compositor Martinho da Vila dissera que a presença do ministro na Suprema Corte representava, além do reconhecimento à sua “capacidade'', um “grande passo para a diminuição dos preconceitos” no país. O entrevistador recordou o comentário do sambista. E Barbosa levou o pé atrás: “Não acho que eu tenha vindo para cá com essa missão de combater o racismo. Não, não…”
Porém, à sua maneira, o ministro acabou dando razão a Martinho: “Eu sempre achei que a minha presença aqui contribuiria para desracializar o Brasil, desracializar as reações. Para que as pessoas tivessem a sensação de que não há papel predeterminado para A, B ou C.''  Barbosa repisou: “Eu espero que, no dia que eu sair daqui, os presidente da República saibam escolher bem pessoas para cá e escolham negros com naturalidade.”
Indagado sobre 2014, Barbosa voltou a negar que pretenda ser candidato. Mas deixou entreaberta uma fresta para rever sua posição no futuro. No pedaço da entrevista dedicado ao mensalão, o repórter perguntou: Às vezes, o senhor não é muito rude, muito duro com seus colegas? E o ministro: “Às vezes tem que ser. O Brasil é o país dos conchavos, do tapinha nas costas, é o país em que tudo se resolve na amizade. E eu não suporto nada disso.”
Acrescentou: “Às vezes, eu sou duro para mostrar que isso não faz o menor sentido numa grande democracia, como é a nossa. Nós temos que assumir isso. Nós estamos entre as dez grandes democracias do mundo hoje, das mais sólidas. Isso aqui não é lugar para brincadeira. Há muita brincadeira no Brasil, no âmbito do Estado, dos três Poderes.”
O repórter citou a “elegância” com que a ex-ministra Ellen Gracie, já aposentada, presidia as sessões do STF. E perguntou a Barbosa se ele prefere a “rédea curta”. “Não é rédea curta”, o ministro respondeu. Na sequência, sem mencionar nomes, insinuou que, sob a maciez do discurso, alguns de seus colegas de tribunal flertam com a ilegalidade.
“Eu sou um companheiro inseparável da verdade. Eu não suporto essa história de o sujeito ficar escolhendo palavrinhas, muito gentis, para fazer algo inaceitável. E isso é da nossa cultura. O sujeito está fazendo algo ilegal, algo inadmissível, mas com belas palavras, com gentilezas mil. Longe de mim esse tipo de comportamento. Isso é fonte de boa parte dos momentos de irritação que eu tenho aqui.” Os ministros não vão gostar, emendou o entrevistador. E Barbosa, dando de ombros: “Liberdade de expressão. Eu também tenho.”
Não acha que algumas penas do mensalão foram muito pesadas? “Ao contrário, ao contrário”, disse Barbosa, antes de estabelecer uma comparação entre os mensaleiros e outros réus anônimos julgados no Supremo sem que as manchetes lhes dêem a mesma atenção:
“Eu examino as penas que foram aplicadas no mensalão com as penas que são aplicadas e são chanceladas pelo Supremo Tribunal Federal nas turmas aqui, só que penas relativas a pessoas comuns. Eu convido aqueles que criticam o Supremo por ter aplicado essas penas supostamente pesadas para fazer esse tipo de comparação. Vão verificar que o Supremo chancela, em habeas corpus, coisas muito, mais muito mais pesadas, comparando situações comparáveis.”
Barbosa lembrou que, dos seus 11 anos de STF, sete foram decicados ao processo do mensalão, do qual foi relator. “É um processo que trouxe um desgaste muito grande, com uma carga política exagerada. Eu acho que um pouco turbinada pela mídia também.” Disse ter dispensado ao caso um tratamento distinto dos demais.
“Não encarei como um processo como outro porque não podia ser assim. Era um processo que requeria planejamento, estratégia. Os que tiveram a oportunidade de observar ao longo da instrução do processo devem ter percebido que eu raramente tomei decisões unilaterais. Sempre levei as questões mais delicadas ao plenário. Tudo isso era fruto de estratégia, de planejamento.” Algo que lhe custou “muito desgaste físico, emocional e mental”.
O que fica do mensalão? “Vai depender muito dos homens e mulheres que terão a responsabilidade pelo país, nos três Poderes. A eles caberá a tarefa de tirar as lições desse julgamento”, disse Barbosa, em timbre lacônico.
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2014/03/23/barbosa-diz-que-lula-tentou-usa-lo-em-estrategia-de-marketing-para-africa/