sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cuba invadindo nosso território, nossa soberania...,

16/02/2013
às 7:45

ESCÂNDALO, BAIXARIA, ILEGALIDADE – Embaixador cubano no Brasil promove conspirata com petistas para difamar dissidente e confessa que agentes do regime atuam ilegalmente por aqui; assessor de Gilberto Carvalho vai a reunião e depois viaja a Cuba para seminário sobre “ciberguerra”. Eis a casa da mãe Dilmona

Vejam este rapaz com arzinho nerd e aparência meio suarenta?
Ele se diz “cientista político” e técnico em telecomunicações. Segundo afirma a respeito de si mesmo, tem 35 anos e gosta de “problematizar as transformações sociais no contexto das novas tecnologias”. Huuummm… Em português, isso quer dizer que ele curte mexer com a Internet. E como!  É assessor do ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho. E se meteu numa nojeira, que faz sentido. Já chego lá.
Escrevi ontem um post sobre a viagem que a presidente Dilma Rousseff vai fazer à Guiné Equatorial e a fala estúpida de certa senhora do Itamaraty, uma tal Edileuza, que desqualificou qualquer questionamento que se possa fazer sobre a permanente agressão aos direitos humanos praticada naquele país. Tratei, então, da intimidade dos petistas com ditaduras, citando especificamente o caso de Cuba. Pois é… Reportagem publicada na VEJA desta semana traz informações espantosas. Deveria render, nesta ordem, a) a demissão do ministro Gilberto Carvalho (não vai acontecer); b) a demissão de um assessor de Carvalho (não vai acontecer); c) a convocação, por Dilma, do embaixador cubano no Brasil para prestar esclarecimentos (não vai acontecer); d) a reunião imediata da Comissão de Relações Exteriores do Senado para exigir providências do Itamaraty e para ouvir a Polícia Federal e a Abin sobre a atuação ilegal de espiões cubanos no Brasil (não vai acontecer também). Transcrevo, em azul, o primeiro parágrafo da reportagem de VEJA. Volto em seguida:
A blogueira Yoani Sánchez desembarca no Brasil nesta semana para divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano sob a ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. O trabalho rendeu à dissidente uma perseguição implacável. Ela foi sequestrada, torturada e, durante anos, impedida de deixar o país. É rotulada de mercenária pelos comunistas da ilha e acusada de trair os princípios revolucionários. O que Yoani não sabe é que, apesar da distância que separa o Brasil de Cuba — 5 000 quilômetros —, ela não estará livre dos olhos e muito menos dos tentáculos do regime autoritário. Para os sete dias em que permanecerá no Brasil, o governo cubano escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificá-la a partir de um patético dossiê. Uma conspirata oficial em território estrangeiro contra quem quer que seja é uma monumental afronta à soberania de qualquer nação. Esse caso, porém, envolve uma inquietante parceria. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.
Voltei
No dia 6 de fevereiro, o embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, reuniu um grupo de militantes do PT e do PC do B na embaixada do seu país, em Brasília, para passar um dossiê — e como os petistas gostam disso, não é? — desqualificando Yoani Sánches, acusada de ser “uma mercenária, financiada pelo governo dos Estados Unidos para trabalhar contra a Revolução Cubana, contra o povo, contra os trabalhadores”. Cada um dos convidados recebeu um disquete contendo o material e uma recomendação: o dossiê tinha de circular na Internet, mas sem divulgar a origem das informações. Um deles, dessas almas caridosas, até sugeriu que os “movimentos sociais” fizessem um abaixo-assinado contra a presença da dissidente cubana no Brasil. O embaixador achou que isso levaria muito tempo. Alguns dos presentes consideraram que era sujeira além do aceitável mesmo para os elásticos padrões morais das esquerdas e caíram fora.
No encontro, Rodríguez passou outra informação estupefaciente: segundo ele, agentes cubanos acompanharão cada passo de Yoani no Brasil, vinte e quatro horas por dia. Atenção! Tudo isso constitui uma afronta à soberania brasileira. Representantes diplomáticos não participam de conspiratas políticas em solo estrangeiro, digam elas respeito ou não a seu país de origem. E o que dizer, então, sobre a ação dos espiões?
NOTA – Essa reunião aconteceu no dia 6. Um dia antes, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maxililien Sánchez, havia participado de um ato promovido por José Dirceu contra o Poder Judiciário brasileiro e as oposições. O Brasil virou a casa da mãe Dilmona!
Agora o meio suarento
O escândalo poderia parar por aqui. Mas a coisa é muito mais grave. E voltamos lá ao suarento que gosta “de problematizar transformações”. Trata-se de Ricardo Augusto Poppi Martins, militante do PT e assessor direto de Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. É o coordenador-geral de “Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação”. A função de Carvalho no governo é “dialogar com os movimentos sociais”, razão por que a página da pasta na Internet lembra uma federação de ONGs. Os nomes, telefones e e-mails de todos os seus coordenadores estão disponíveis. Se você quiser falar com o Ricardo, o telefone é (61) 3411 5897, e seu e-mail, ricardo.martins@presidencia.gov.br. Talvez ele forneça mais detalhes do encontro. Ouviu os planos de conspiração do embaixador, a confissão da ação ilegal de agentes cubanos no Brasil e saiu de lá levando um CD. E tudo durante o expediente.
Mas não adianta tentar falar com o “problematizador” antes de segunda. Sabem onde ele está? Em Cuba! Viajou no dia 7 para participar de um encontro na ilha sobre “ciberguerra” e “novas formas de comunicação de rede e batalhas políticas”. Informa a VEJA que, na semana passada, o manifesto produzido pelo tal encontro já estava na rede. Reproduzo mais um trecho da reportagem (em azul):
Entre as resoluções finais aprovadas, constam “o apoio às reivindicações de Cuba contra as restrições para acessar serviços de computador e internet, junto a autoridades e empresas nos Estados Unidos”, e “a solidariedade de todos com a Revolução Bolivariana e o presidente Hugo Chávez, diante dcampanhas de mídia e da ação desestabilizadora dos inimigos do processo revolucionário na Venezuela”. Poppi, portanto, foi a Cuba em missão oficial, com as despesas pagas pelo contribuinte, para, segundo a pauta disponibilizada pelos próprios organizadores do evento, apoiar ditaduras e aprender a usar a internet para destruir reputações de quem não pensa como ele, exatamente como planejam fazer com a blogueira Yoani Sánchez.
Yoani toma cerveja e come bananas!
O dossiê contra Yoani traz algumas fotos para provar que ela vive uma vida nababesca e evidenciar seus hábitos burgueses, certamente financiados pelos “inimigos da revolução”. Numa delas, ela aparece com amigos tomando cerveja. Em outra, comprando um artigo de luxo chamado “banana”. É isto: no regime liderado pelos assassinos Fidel e Raúl Castro, tomar cerveja e comer banana podem ser privilégios inaceitáveis.
Leiam a íntegra da reportagem. Não é a primeira vez que os petistas aparecem enrolados com o regime cubano.  Já houve o caso dos dólares para a campanha de Lula em 2002, que teriam chegado em caixas de rum. Em 2007,  o então ministro da Justiça, Tarso Genro — aquele que manobrou para que o terrorista Cesare Battisti ficasse no Brasil — devolveu a Fidel Castro os boxeadores  Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que haviam fugido do regime, desertando durante os Jogos Pan-Americanos.

Carlos Zamora Rodríguez, embaixador de Cuba: ele confessou que agentes cubanos atuam ilegalmente no Brasil. E a capa de VEJA sobre os dólares cubanos para Lula
Vemos que eles não têm limites e podem ir sempre mais longe. A campanha que o embaixador cubano arquitetou contra Yoani segue o padrão, não custa lembrar, empregado por aqui pela rede de blogs sujos financiada por estatais. Estamos falando com especialistas em destruir a reputação alheia. Ou alguém vai a um seminário, promovido por uma ditadura,  sobre “ciberguerra” e “novas formas de comunicação de rede e batalhas políticas” com bons propósitos?
Com a palavra, a presidente da República.
Com a palavra, o Ministério da Justiça.
Com a palavra, o Senado Federal.
Com a palavra, a Polícia Federal.
Com a palavra, a Abin.
Com a palavra, o Ministério Público Federal.
Com a palavra, os líderes das oposições.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Data e hora marcada para o fim da miséria...,

‘O fim da miséria?’, por J. R. Guzzo

PUBLICADO NA REVISTA EXAME

J. R. GUZZO
O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais. “Tiramos, entre 2011 e 2012, mais de 19,5 milhões de pessoas da pobreza extrema”, afirmou a presidente Dilma Rousseff. “Até o mês de março vamos zerar o cadastro”. Segundo o governo, há no momento 600.000 famílias nesse registro; não haverá mais ninguém dentro de um mês, salvo um número incerto de cidadãos que estão na miséria, mas não no cadastro. Esses ainda terão de ser encontrados para receber do Tesouro Nacional, a cada mês, os reais que vão salvá-los.
Pode haver erros nessas contas, é claro, mas não se trata de números argentinos: basicamente, retratam a realidade aproximada da fossa social brasileira. A dimensão numérica, portanto, está certa. O problema é que ela também está errada ─ pois leva o governo a concluir que a miséria está acabando no Brasil, quando é mais do que óbvio que ela continua existindo, e existindo à toda. A primeira dificuldade com a postura oficial está na pessoa verbal utilizada pela presidente. “Tiramos” da miséria, disse ela ─ uma apropriação indébita da realidade, pois quem tirou aqueles milhões de brasileiros da linha inferior aos 70 reais não foi ela nem seu governo, e sim o contribuinte brasileiro. Foi ele, e só ele, quem sacou o dinheiro de seu bolso, através dos impostos que paga até para comprar um palito de fósforo, e o entregou às coletorias fiscais; se não fosse assim, não haveria um único tostão a distribuir para pobre nenhum.
Trata-se de um vício incurável nos circuitos neurológicos dos governantes brasileiros. Acreditam na existência de uma coisa que não existe: “dinheiro do governo”. É como acreditar em disco voador. A diferença é que tiram proveito de sua crença; é o que lhes permite dizer “eu fiz” tantas escolas, tantos quilômetros de estrada e por aí afora, como se o dinheiro gasto em tudo isso tivesse saído de sua própria conta no banco.
O problema essencial, porém, está na lógica. Como nos ensina Mark Twain, que elevou o bom senso à categoria de arte em quase tudo o que escreveu, existem três tipos de mentira: a mentira, a desgraçada da mentira e as estatísticas. Esse anúncio do fim da pobreza extrema é um clássico do gênero. A estatística precisa, obrigatoriamente, de um número fixo para definir qualquer coisa que pretende medir, assim como um metro precisa ter 100 centímetros. No caso, o número escolhido, e aceito por organizações imparciais mundo afora, foi 70 reais ─ mas não faz absolutamente nenhum nexo afirmar que uma pessoa que ganhe 71 reais por mês, ou 100, ou 150, tenha saído da miséria. O resumo dessa ópera é claro. Daqui a alguns dias, não haverá mais miseráveis nas estatísticas do Brasil; só haverá miseráveis na vida real. Além disso, seremos provavelmente o único país do mundo em que a miséria teve uma data certa para desaparecer. O governo poderá dizer: “O Brasil acabou com a miséria no dia 15 de março de 2013, às 18 horas, ao fim do expediente na administração federal”.
Praticamente nenhum cidadão brasileiro, ao sair todo dia de casa, leva mais do que 15 minutos para dar de cara com alguma prova física de miséria. Mas, do mês de março em diante, terá de achar que não viu nada. Se procurar alguma autoridade para relatar o fato, ouvirá o seguinte: “O senhor deve estar enganado. Não há mais nenhum miserável no Brasil”. É assim, no fim das contas, que funciona o sistema cerebral do governo. A realidade não é o que se vê. É o que está no cadastro.

Estádio da Juventus de Turim - Itália

Juventus constrói estádio com 1/3 do valor do Itaquerão, Fonte Nova…

Construir estádio está na moda e é investimento que costuma dar retorno. A mais nova arena, como agora se chamam os campos de futebol, será inaugurada nesta quarta-feira(07/11/11), em Turim, uma das principais cidades da Itália. O dono do local é a Juventus, primeira equipe italiana a ter casa própria. As demais continuam a apresentar-se em instalações que pertencem às respectivas cidades. O estádio juventino começou a ser construído em junho de 2009, sete meses depois de iniciada a demolição do antigo Delle Alpi. “Antigo” é modo de dizer, porque foi feito para a disputa do Mundial de 1990. A Juventus arrendou a área, obteve permissão para tocar seu projeto, encomendou estudo para escritórios famosos de arquitetura, arrumou a grana (dela mesmo) e mandou bala. O resultado será visto no amistoso com o Notts County, da Terceira Divisão da Inglaterra, no amistoso marcado para a quinta-feira. O estádio tem lugar para 41mil torcedores sentados, além de 4 mil vagas de estacionamento, 8 restaurantes, 20 bares, museu, centro comercial e, em breve, a sede da própria Juventus. Há ainda uma área verde, como parte do acordo para revitalização do entorno. Sabe quanto saiu tudo isso? Coisa de 105 milhões de euros, ou mais ou menos 250 milhões do nosso rico dinheirinho. Quer dizer, menos de um terço do que vai custar o Itaquerão, só para ficar num exemplo paulista. Ou da reforma do Maracanã. Ou da Fonte Nova, para falar também dos baianos. Será que a mão de obra na Itália é mais barata do que a nossa? Será que lá tem menos impostos? Será que o preço do cimento e do aço sai mais em conta na Bota? Vai saber. Como o custo de vida anda alto no Brasil! Você concorda? PS. A ANSA, Agências de Notícias italiana divulgou cifras do estádio. (ANSA) – TORINO – Investimenti per 105 milioni di euro per 41.000 posti a sedere
*Antero Greco

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O monstro está de volta...,

Nocauteada pelo Plano Real, a inflação avisou de novo que está querendo acordar

Dragão adormecido (Imagem: Gunilla Riddare)
Milhões de brasileiros sensatos estão compreensivelmente inquietos com o monstro adormecido há mais de 18 anos (Imagem: Gunilla Riddare)
Nocauteado pelo Plano Real em 1995, o dragão que atormentou o Brasil por quase meio século voltou a entreabrir os olhos neste janeiro: o índice de 0,86% é o maior dos últimos dez anos ─ e elevou para 6,15% a taxa anual. Os números seriam ainda mais perturbadores se os prefeitos Fernando Haddad e Eduardo Paes não tivessem adiado, a pedido de Dilma Rousseff, o aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo e no Rio. Mas os governantes do Brasil Maravilha seguem contemplando o horizonte com a expressão beatífica de um Gilberto Carvalho quando vê Lula a menos de cinco metros de distância. A coisa vai bem demais, recitam as flores da inépcia. Se melhorar, estraga.
Na quinta-feira, Dilma Rousseff mandou a inflação passear para encontrar-se com o senador amazonense Alfredo Nascimento. Demitido do Ministério dos Transportes depois de pilhado pela imprensa em cenas de corrupção explícita, Nascimento apareceu no Planalto caprichando na pose de presidente do PR. Na sexta-feira foi a vez de Carlos Lupi, apeado do Ministério do Trabalho também por ter aterrissado no noticiário político-policial. No papel de comandante do PDT, Lupi enfim reviu a chefe que lhe inspirou espalhafatosas declarações de amor.
“A presidenta quis trocar ideias com nossos aliados”, fantasiou Gilberto Carvalho. Quem passou a vida trocando favores não tem ideias para trocar. Nas duas audiências, só se tratou do contrato de aluguel que deverá garantir o apoio do PR e do PDT à candidatura de Dilma a um segundo mandato. A trinca não perdeu tempo com assuntos desagradáveis ─ as razões do despejo da dupla, por exemplo. Ninguém infiltrou na pauta temas incômodos ─ a inflação de janeiro, por exemplo. Dilma, Nascimento e Lupi examinaram exclusivamente questões ligadas à eleição de 2014. O passado e o presente ficaram fora da pauta que só tratou do futuro.
No lugar da presidente ocupada com dois casos de polícia, irrompeu no picadeiro o inevitável Guido Mantega. O que tinha a dizer sobre o índice divulgado pelo IBGE? “A projeção é de que janeiro foi o pico”, reincidiu a usina de vigarices. Depois de atravessar 2012 enxergando um pibão até ser atropelado pelo pibinho, depois de recorrer a trapaças de envergonhar qualquer 171 para esconder crateras nas contas públicas, Mantega recomeçou a sequência de previsões cretinas. A tapeação não pode parar.
“Eu não tenho projeção até dezembro, mas nos próximos meses a inflação vai para baixo”, mentiu outra vez. Até o aprendiz de ilusionista disfarçado de ministro da Fazenda sabe que a taxa de janeiro seria mais alarmante se o o preço da gasolina subisse no começo do ano, como queria Graça Foster, presidente da Petrobras. O próximo índice já refletirá os efeitos desse aumento.
Ainda no primeiro semestre, queiram ou não os prefeitos companheiros, paulistanos e cariocas estarão pagando mais caro para embarcar em ônibus, trens urbanos e metrôs. O crescimento da demanda (estimulado pelo governo) e a redução da oferta (decorrente da retração da atividade industrial) ameaçam reprisar a parceria historicamente perversa. E a curva ascendente dos preços dos alimentos começa a causar estragos sobretudo nos bolsos da classe média (velha ou nova).
Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, milhões de brasileiros sensatos estão compreensivelmente inquietos com os sinais emitidos pelo monstro adormecido há mais de 18 anos. Os encarregados de impedir que desperte não perdem o sono por tão pouco. Dilma e Mantega estão brincando com o perigo. Podem acabar engolidos pelo bicho que acordaram.
*Augusto Nunes

Os Bruzundangas


*Lima Barreto
Os Bruzundangas, publicado em 1923, é obra póstuma de Lima Barreto. Uma coletânea de crônicas, onde o autor com a percepção aguda e crítica, não deixa escapar nada. Satiriza uma fictícia nação(República dos Estados Unidos da Bruzundanga) onde ele mesmo teria residido. Seus capítulos enfocam, entre outros temas, a diplomacia, a Constituição, transações e propinas, os políticos e eleições em Bruzundanga. Critica os privilégios da nobreza, o poder das oligarquias rurais, a futilidade das sanguessugas do erário, desigualdades, saúde e educação tratadas com desdém, enfim, mazelas parecidas às de um país real. Ao lê-lo, tem-se impressão de que o escritor não se fez arauto de seu tempo; o Brasil é que patinou nos descaminhos de si.

Com malandrice carioca e estilo ágil, próximo da caricatura e zombaria, o afro-brasileiro Lima Barreto é mestre da ficção de escárnio. Nas raízes do imaginário país grassam oportunistas, apaniguados, retrógrados e escravocratas de quatro costados. Sobre os usos e costumes das autoridades, escreve que não atendem às necessidades do povo, tampouco lhe resolvem os problemas. Cuidam de enriquecer e firmar a situação dos descendentes e colaterais. Diz: não há homem influente que não tenha parentes e amigos ocupando cargos de Estado; não há doutores da lei e deputados que não se considerem no direito de deixar aos filhos, netos, sobrinhos e primos gordas pensões pagas pelo Tesouro da República. Enquanto isto, a população é escorchada de impostos e vexações fiscais; vive sugada para que parvos, com títulos altissonantes disso ou daquilo, gozem vencimentos, subsídios e aposentadorias duplicados, triplicados, afora os rendimentos que vêm de outras e quaisquer origens.

Ao presidente de Bruzundanga, que deve ser um deslumbrado e completo idiota, chamam-no "Manda-chuva"; à justiça, "Chicana". A Carta Magna redigida por espertos (e não expertos) explicita um providencial adendo: toda a vez que um artigo ferir interesses de parentes de pessoas da ‘situação’ ou de membros dela, fica entendido que não tem aplicação. No fundo, todos flertam com a "situação" porque ela garante o continuísmo. À plebe desmemoriada e ignorante, pra que não fique gritando viva o doutor Clarindo!, viva o doutor Carlindo!, viva o doutor Arlindo! – quando o verdadeiro nome do doutor é Gracindo, criou-se a "Guarda do Entusiasmo", constituída de dez mil indicados sem concurso, uniformizados "de povo", com função de disciplinar e reorientar as aclamações e vivas da multidão.

Muito mais é Bruzundanga em seus cânones sócio-políticos, religiosos e culturais, e no atraso visceral – conforme se lê no prefácio – de uma nata enquistada no canibalismo simbólico da "Arte de Furtar": os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões.

No primeiro capítulo de Os Bruzundangas, Lima Barreto critica a superficialidade e o preciosismo da literatura parnasiana, além da linguagem misteriosa e mística do Simbolismo. Cita ainda um verso do poeta Worspikt em que há a repetição da consoante "L" (aliteração), recurso chamado no livro de "harmonia imitativa".

No capítulo "Um Grande Financeiro", Lima Barreto critica os economistas incompetentes e contraditórios da Bruzundanga, através do personagem caricatural Felixhimino Ben Karpatoso.

"Bruzundangas" é um substantivo feminino que pode significar "palavreado confuso, mistura de coisas imprestáveis, mixórdia, trapalhada, embrulhada". Neste livro, Lima Barreto fala da arte de furtar, de nepotismos desenfreados, de favorecimentos e privilégios. A própria sociedade, as eleições, a religião, os literatos e a imprensa são cáusticamente abordados por ele e servem de pano de fundo para a construção de sua obra literária.

O livro é um diário de viagem de um brasileiro que morou tempos na Bruzundanga, conheceu sua literatura, a escola samoieda (falsa, monótona e afastada da cultura, com autores fúteis e aconchavados com a classe dominante); sua economia confusa que exauri a riqueza do país, sendo dominada pelos cafeeiros da província de Kaphet.

Mostra também a obsessão por títulos como os de nobreza e os de doutor, mesmo quando seus possuidores não são nobres e são pouco letrados. A seguir critica a legislação (a Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem uma lei que diz que se a lei não for conveniente a situação ela não é válida), a política (os presidentes, chamados Mandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados, são estúpidos e vazios), o processo democrático (tão corrupto quanto era na República Velha), a ciência, o resto da cultura (quase nula, por vezes perto do negativo), o exército e a política internacional.

Lima Barreto fala de dois tipos de nobreza existentes na Bruzundanga: a nobreza doutoral e a que ele chama "de palpite". A primeira é formada pelos doutores, os que têm diploma de nível superior. Lima Barreto diz que a sociedade em geral valoriza extremamente os doutores. No final do capítulo referente à nobreza doutoral, ele expõe uma escala de valores dos cursos de nível superior, os dois mais valorizados são o de Medicina e o de Direito, respectivamente.

Repleto de caricaturas de personagens da vida política da época, como Venceslau Brás e o Barão de Rio Branco, o livro é uma crítica ferina a sociedade brasileira, sua literatura e sua organização político- econômica.


Aqui o livro completo: Os Bruzundangas

Afonso Henriques de Lima Barreto(Rio de Janeiro13 de maio de 1881  - Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1922), conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários[1] brasileiros.Era filho de João Henriques de Lima Barreto (negro nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho).


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vou-me embora pra Bruzundanga


11/02/2013Marco Antonio Villa
O Brasil é um país fantástico. Nulidades são transformadas em gênios da noite para o dia. Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres. Temos ao longo da nossa História diversos exemplos. O mais recente é Dilma Rousseff.
Surgiu no mundo político brasileiro há uma década. Durante o regime militar militou em grupos de luta armada, mas não se destacou entre as lideranças. Fez política no Rio Grande do Sul exercendo funções pouco expressivas. Tentou fazer pós-graduação em Economia na Unicamp, mas acabou fracassando, não conseguiu sequer fazer um simples exame de qualificação de mestrado. Mesmo assim, durante anos foi apresentada como "doutora" em Economia. Quis-se aventurar no mundo de negócios, mas também malogrou. Abriu em Porto Alegre uma lojinha de mercadorias populares, conhecidas como "de 1,99". Não deu certo. Teve logo de fechar as portas.
Caminharia para a obscuridade se vivesse num país politicamente sério. Porém, para sorte dela, nasceu no Brasil. E depois de tantos fracassos acabou premiada: virou ministra de Minas e Energia. Lula disse que ficou impressionado porque numa reunião ela compareceu munida de um laptop. Ainda mais: apresentou um enorme volume de dados que, apesar de incompreensíveis, impressionaram favoravelmente o presidente eleito.
Foi nesse cenário, digno de O Homem que Sabia Javanês, que Dilma passou pouco mais de dois anos no Ministério de Minas e Energia. Deixou como marca um absoluto vazio. Nada fez digno de registro. Mas novamente foi promovida. Chegou à chefia da Casa Civil após a queda de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. Cabe novamente a pergunta: por quê? Para o projeto continuísta do PT a figura anódina de Dilma Rousseff caiu como uma luva. Mesmo não deixando em um quinquênio uma marca administrativa - um projeto, uma ideia -, foi alçada a sucessora de Lula.
Nesse momento, quando foi definida como a futura ocupante da cadeira presidencial, é que foi desenhado o figurino de gestora eficiente, de profunda conhecedora de economia e do Brasil, de uma técnica exemplar, durona, implacável e desinteressada de política. Como deveria ser uma presidente - a primeira - no imaginário popular.
Deve ser reconhecido que os petistas são eficientes. A tarefa foi dura, muito dura. Dilma passou por uma cirurgia plástica, considerada essencial para, como disseram à época, dar um ar mais sereno e simpático à então candidata. Foi transformada em "mãe do PAC". Acompanhou Lula por todo o País. Para ela - e só para ela - a campanha eleitoral começou em 2008. Cada ato do governo foi motivo para um evento público, sempre transformado em comício e com ampla cobertura da imprensa. Seu criador foi apresentando homeopaticamente as qualidades da criatura ao eleitorado. Mas a enorme dificuldade de comunicação de Dilma acabou obrigando o criador a ser o seu tradutor, falando em nome dela - e violando abertamente a legislação eleitoral.
Com base numa ampla aliança eleitoral e no uso descarado da máquina governamental, venceu a eleição. Foi recebida com enorme boa vontade pela imprensa. A fábula da gestora eficiente, da administradora cuidadosa e da chefe implacável durante meses foi sendo repetida. Seu figurino recebeu o reforço, mais que necessário, de combatente da corrupção. Também, pudera: não há na História republicana nenhum caso de um presidente que em dois anos de mandato tenha sido obrigado a demitir tantos ministros acusados de atos lesivos ao interesse público.
Com o esgotamento do modelo de desenvolvimento criado no final do século 20 e um quadro econômico internacional extremamente complexo, a presidente teve de começar a viver no mundo real. E aí a figuração começou a mostrar suas fraquezas. O crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5% de 2010, que foi um componente importante para a vitória eleitoral, logo não passou de uma recordação. Independentemente da ilusão do índice (em 2009 o crescimento foi negativo: -0,7%), apesar de todos os artifícios utilizados, em 2011 o crescimento foi de apenas 2,7%. Mas para piorar, tudo indica que em 2012 não tenha passado de 1%. Foi o pior biênio dos tempos contemporâneos, só ficando à frente, na América do Sul, do Paraguai. A desindustrialização aprofundou-se de tal forma que em 2012 o setor cresceu negativamente: -2,1%. O saldo da balança comercial caiu 35% em relação à 2011, o pior desempenho dos últimos dez anos, e em janeiro deste ano teve o maior saldo negativo em 24 anos. A inflação dá claros sinais de que está fugindo do controle. E a dívida pública federal disparou: chegou a R$ 2 trilhões.
As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram. Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos - a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.
Não há contabilidade criativa suficiente para esconder o óbvio: o governo Dilma Rousseff é um fracasso. E pusilânime: abre o baú e recoloca velhas propostas como novos instrumentos de política econômica. É uma confissão de que não consegue pensar com originalidade. Nesse ritmo, logo veremos o ministro Guido Mantega anunciar uma grande novidade para combater o aumento dos preços dos alimentos: a criação da Sunab.
Ah, o Brasil ainda vai cumprir seu ideal: ser uma grande Bruzundanga. Lá, na cruel ironia de Lima Barreto, a Constituição estabelecia que o presidente "devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total".
* HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR)
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,vou-me-embora-pra-bruzundanga,995210,0.htm

O Riso é o Melhor Indicador da Alma

Acho que, na maioria dos casos, quando uma pessoa se ri torna-se nojento olharmos para ela. Manifesta-se no riso das pessoas, na maioria das vezes, qualquer coisa de grosseiro que humilha a quem ri, embora essa pessoa quase nunca saiba que efeito o seu riso provoca. Tal como não sabe (ninguém sabe, aliás) a cara que faz quando dorme. Há quem mantenha no sono uma cara inteligente, mas outros há que, embora inteligentes, fazem uma cara tão estúpida a dormir que se torna ridícula.
Não sei por que tal acontece, apenas quero salientar que a pessoa que ri, tal como a pessoa que dorme, não sabe a cara que faz. De uma maneira geral, há muitíssimas pessoas que não sabem rir. Aliás, isso não é coisa que se aprenda: é um dom, não se pode aperfeiçoar o riso. A não ser que nos reeduquemos interiormente, que nos desenvolvamos para melhor e que superemos os maus instintos do nosso caráter: então também o riso poderá possivelmente mudar para melhor. A pessoa manifesta no riso aquilo que é, é possível conhecermos num instante todos os seus segredos.Mesmo o riso incontestavelmente inteligente é, às vezes, abominável. O riso exige em primeiro lugar sinceridade, mas onde está a sinceridade das pessoas? O riso exige a ausência de maldade, mas as pessoas, na maioria dos casos, riem com maldade. Um riso sincero e sem maldade é uma pura alegria, mas, nos tempos que correm, onde está a alegria? E poderão as pessoas ser alegres?
A alegria é um dos mais reveladores traços humanos, basta a alegria para revelar as pessoas dos pés à cabeça. Por vezes não há meio de percebermos o carácter de uma pessoa, mas basta ela rir para lhe conhecermos o feitio como às palmas das nossas mãos. Só as pessoas desenvolvidas do modo mais elevado e feliz sabem ser contagiosamente alegres, de uma maneira irresistível e benévola. Não falo de desenvolvimento intelectual, mas de caráter, do homem como um todo. Portanto: se quiserdes compreender uma pessoa e conhecer-lhe a alma não presteis atenção à sua maneira de se calar, ou de falar, ou de chorar, ou de se emocionar com as ideias mais nobres, olhai antes para ela quando se ri. Ri-se bem - é boa pessoa.

Observai depois todos os matizes: por exemplo, é preciso que o riso não pareça estúpido, por mais alegre e ingénuo que seja. Mal detecteis a mais pequena nota de estupidez num riso, ficai sabendo que a pessoa que assim ri é intelectualmente limitada, apesar de deitar cá para fora um sem-fim de ideias. Mesmo que o riso não seja estúpido, se vos parecer ridículo, nem que seja um pouquinho, ficai sabendo que não há na pessoa que o ri uma verdadeira dignidade, pelo menos uma dignidade suficiente. Por último, notai que, mesmo que um riso seja contagioso mas por qualquer razão vos pareça vulgar, também a natureza dessa pessoa é vulgar, que toda a nobreza e espírito sublime que tínheis visto nela ou são fingidos ou imitados inconscientemente, e que essa pessoa, no futuro, mudará inevitavelmente para pior, dedicar-se-á ao «útil», abandonando sem pena as ideias nobres como sendo erros e paixões da juventude.

(...) Apenas entendo que o riso é a mais certeira prova da alma. Olhai para uma criança: só as crianças sabem rir com perfeição, por isso são fascinantes. É abominável a criança que chora, mas a que ri alegremente é um raio do paraíso, é o futuro do homem quando ele, finalmente, se tornar tão puro e ingénuo como uma criança.

*Fiodor Dostoievski, in 'O Adolescente' 

Como Manipular um Público

Segundo uma lei conhecida, os homens, considerados colectivamente, são mais estúpidos do que tomados individualmente. Numa conversa a dois, convém que respeitemos o parceiro, mas essa regra de conduta já não é tão indispensável num debate público em que se trata de dispor as massas a nosso favor.

Há uns anos, um político pagou a figurantes para o aplaudirem numa concentração. Como bom profissional, compreendera que uma claque, embora não melhore o discurso, predispõe melhor os espectadores a descobrirem os seus méritos. O mimetismo é a mola principal para mover as massas no sentido do entusiasmo, do respeito ou do ódio. Mesmo perante um pequeno público de trinta pessoas, há sempre algo de religioso que provém da coagulação dos sentimentos individuais em expressão colectiva. No meio de um grupo, é necessária uma certa energia para pensar contra a maioria e coragem para exprimir abertamente essa opinião.Os manipuladores de opinião ou, para utilizar uma palavra mais delicada, os comunicadores, sabem que, para conduzir mentalmente uma assembleia numa determinada direcção, é necessário começar por agir sobre os seus líderes. A primeira tarefa consiste em determinar quem são, apesar de eles próprios não o saberem. Um manipulador não tarda a distinguir o punhado de indivíduos em que pode apoiar-se para influenciar os outros. Consoante os casos, escolherá os faladores ou os fanfarrões, os que protestam ou se obstinam, os que fazem rir ou chorar, os que alimentam a cólera, etc. O caldeirão mágico do comunicador não tem fundo. Toda a sua arte consiste em conquistar rapidamente a simpatia dos líderes ainda inconscientes do seu estado e papel. Manipulados, serão por sua vez manipuladores do resto do grupo, que os seguirá como um só homem.

(...) É óbvio que este princípio tem que ser adaptado, nomeadamente em função da importância do público. Quanto mais numeroso for, menos necessário é o esforço de fingir. As multidões não apreciam os vencidos: não é que sejam cruéis, mas a derrota desmoraliza-as. Só a cólera, o medo ou o entusiasmo as animam. O enorme animal constituído pela multidão é impermeável às subtilezas, tem necessidades do tonitruante e do ostentatório. Reduzida às dimensões de um grupo, a sua psicologia muda, mudando ainda mais se o grupo se transforma numa assistência restrita.
Mas, em todos os casos, o princípio da alavanca mantém-se válido: é necessário identificar o ponto nevrálgico sobre o qual o esforço deve incidir para movimentar o conjunto.

*Georges Picard, in 'Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão'

domingo, 10 de fevereiro de 2013

TV na internet


Televisão

Netflix dá início (de verdade) à era da TV na internet

Serviço de streaming quer ser a HBO da internet e começa 2013 apostando pesado em produções próprias, como ‘House of Cards’ e ‘Narcos’, que será dirigida pelo brasileiro José Padilha

Carol Nogueira
Kevin Spacey em cena de House of Cards
Kevin Spacey em cena de House of Cards (Divulgação)
Projetado para o mercado estrangeiro pelo estouro de Tropa de Elite, o brasileiro José Padilha já tem um novo projeto internacional além de Robocop. Ele é o nome por trás de Narcos, série sobre o traficante colombiano Pablo Escobar que deve estrear no Netflix em 2014. Sim, no Netflix. O serviço de streaming de vídeos está investindo pesado naquele que tem tudo para ser a primeira operação de sucesso de TV na internet. A aposta é alta – já se contam cinco séries, uma no ar e quatro em produção, com orçamento médio de 100 milhões de dólares cada. E a intenção, declarada, é ambiciosa: a de ser a HBO da web.
Nova Temporada: 'Um Amor de Família' estreia no Netflix

O plano foi bem sucedido na largada. A primeira produção do Netflix a estrear foi a excelente House of Cards, que entrou no ar para o mundo todo em 1º de fevereiro, acompanhada, no mesmo dia, por 50.000 comentários no Twitter segundo o site Trendrr.TV, que monitora o falatório sobre televisão nas redes sociais. Além de dar o sinal verde para novas produções como Narcos no Netflix, a boa recepção a House of Cards levou a concorrência a se mexer. Empresas como Amazon e Hulu (o serviço dessa última ainda não está disponível no Brasil) já anunciaram que terão séries próprias.

Remake de uma série britânica dos anos 1990, House of Cards tem duas temporadas previstas, com 13 episódios cada, o que dá um custo médio por episódio parecido com o de produções da TV paga como True Blood e Boardwalk Empire - algo ao redor de 4 milhões de dólares. A primeira temporada foi disponibilizada por completo de uma vez, tática de que só um serviço on-line como o Netflix pode lançar mão e que alimentou o alvoroço nas redes sociais. O método pode ser comparado ao de uma lanchonete de fast food, já que permite consumir vários episódios em uma única oportunidade, como combos.

Verdade seja dita, assistir aos 13 sem parar é quase impossível, pois cada episódio tem cerca de uma hora – ainda assim, há relatos de gente que se sentou no sofá para ver um episódio antes de dormir e só levantou de lá de manhã, com o sol a pino. A maioria dos fãs consumiu a temporada no primeiro fim de semana. Na sexta, o Twitter do Netflix lembrava aos assinantes, com ironia: “Assistam com responsabilidade. Não se esqueçam de tomar banho, comer, alongar”. Se impressiona, a rapidez com que espectadores assistem à série faz com que especialistas questionem a viabilidade do produto a longo prazo. Afinal, boa parte do marketing de séries de TV se faz de boca a boca, de gente que assiste ao programa e recomenda a amigos enquanto espera, com ansiedade, por um próximo capítulo. 


House of Cards


  1. Adaptação da série de mesmo nome exibida em 1990 pela emissora britânica BBC, House of Cards foi produzida pelo cineasta David Fincher (A Rede Social), que também dirigiu alguns episódios, e traz Kevin Spacey (Beleza Americana) no papel de Francis Underwood, um senador americano disposto a fazer qualquer coisa para conseguir mais poder em Washington. Em sua escalada, cujo objetivo é tornár-lo  presidente dos Estados Unidos, ele descobre segredos de outros políticos e os “vaza” para a jornalista novata – e muito ambiciosa – Zoe Barnes (Kate Mara), algo que mostra bem o espírito do meio político, em que ou se é caça ou caçador. Cada episódio termina com a dose exata de suspense para fazer o espectador querer ver o desfecho no próximo.
Vício – Uma das táticas comerciais do Netflix, na chegada de House of Cards, foi oferecer um mês de assinatura grátis para deixar os novatos “viciados” no serviço. Espectadores ouvidos pelo site de VEJA garantem que é possível viciar na série mesmo ao consumi-la de uma vez. No entanto, nenhum deles assinou o Netflix apenas por causa de House of Cards.
O analista de TI César Calixto, 28, e a namorada, a publicitária Denise Moraes, 36, assistiram a seis episódios de uma vez. “Consegui terminar a série em três dias. Em compensação, essa semana ainda não consegui ligar a TV. Hoje em dia, é difícil conseguir tempo para acompanhar uma série”, diz Calixto. A analista de conteúdo Samanta Vicentini, de 27 anos, foi ainda mais afoita: viu tudo em um dia. “O ‘problema’ é que agora vou me sentir órfã da série até a estreia da segunda temporada”, fala. A questão é se ela continuará interessada até a estreia – a data ainda não foi divulgada, mas a gravação dos episódios deve começar em março.
Viabilidade – Segundo cálculos feitos pela revista The Atlantic, o Netflix precisa arrebanhar 520.834 novos assinantes pagando a assinatura de 7,99 dólares mensais por dois anos para quitar os custos de House of Cards. Para fazer isso com as cinco séries em produção, seriam 2,6 milhões de novos assinantes, um número que não é muito grande se comparado aos 33,3 milhões de assinantes que o serviço tem hoje no mundo inteiro. A The Atlantic lembra ainda que o Netflix tem lucro ligeiramente maior que a HBO, porque essa última, embora cobre cerca de 15 dólares mensais de seus assinantes, tem de dividir metade com a operadora de TV a cabo, e acaba ficando com algo em torno de 7 dólares por mês, dos seus cerca de 30 milhões de assinantes nos EUA – no mundo todo, são 85 milhões, mas as tarifas variam de país para país.

No entanto, considerando que a HBO faz parte de um grande conglomerado de mídia, a Time Warner, e foi criada em 1972, o Netflix, que não pertence a nenhum grupo e começou suas atividades em 1999, cresceu muito rápido – em parte, porque tornou-se uma empresa de capital aberto em 2002. O único problema do Netflix é que sua receita não está crescendo tanto quanto os seus gastos com conteúdo – a empresa gastou 2,2 bilhões de dólares para liberação de conteúdo em 2012, e lucrou somente 17,2 milhões. Seu valor de mercado, no entanto, cresce a cada mês. No ano passado, a empresa rejeitou uma oferta de compra do Google de 17,9 bilhões de dólares. E se deu bem: no fim de janeiro, pouco antes da estreia de House of Cards, anunciou que tinha conquistado mais 2 milhões de assinantes nos EUA, e viu suas ações darem um salto de 42% – o que, certamente, deixou muitos acionistas felizes. Sinal de que o Netflix está no caminho certo.

Netflix x HBO

Para entender a estratégia do serviço de streaming, compare o seu plano de negócios com o da HBO, um dos canais pagos mais conceituados na produção de séries

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Investimento

A aposta do Netflix é ousada: House of Cards, sua primeira superprodução, teve o custo de 100 milhões de dólares por duas temporadas de 13 episódios cada, média de custo de 3,8 milhões de dólares por capítulo. As séries produzidas pela HBO, sempre com um dos padrões de qualidade mais elevados da televisão paga, custam um pouco mais, mas os valores são próximos. Episódios de séries como True Blood e Boardwalk Empire, por exemplo, custam de 3 a 5 milhões de dólares -- o piloto da última custou 20 milhões. Já Game of Thrones, a série de TV mais cara já feita, tem episódios de 5 a 6 milhões de dólares.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

É muito rato pra pouco queijo...,

Incompetência do governo do PT consegue derreter a Petrobras e ações da empresa caem 7,85% Fogo no caixa – Definitivamente os jornalistas deste site, a começar pelo editor, que tem apenas 35 anos de estrada, precisam da ajuda do Palácio do Planalto para compreender esse ousado plano econômico anunciado pela presidente Dilma Rousseff em mensagem enviada ao Congresso Nacional.
Desde que Dilma, a “super gerente”, assumiu o poder central, em substituição ao agora fujão Luiz Inácio da Silva, não há uma notícia positiva na área econômica. E já se passaram mais de dois anos da posse de Dilma.
Nada funciona na economia nacional. Os preços sobem muito além da inflação oficial, os cidadãos reclamam cada vez mãos da situação que se instalou no País, fazer negócios está se tornando uma loteria, receber é uma temeridade que exige paciência e fé, mas o governo continua apostando no consumo interno para reverter a crise.
Como estrago pouco é bobagem, o governo do PT, que acusou o PSDB de querer privatizar a Petrobras caso voltasse do Palácio do Planalto, conseguiu derreter uma das maiores empresas petrolíferas do planeta. Não bastasse tudo o que já foi noticiado a respeito do assunto por este noticioso, a Petrobras agora vê o valor de suas ações despencar na Bolsa de Valores.
Somente nesta terça-feira (5), as ações da empresa registraram queda de 7,85%, o que é um absurdo no mercado financeiro se considerado que a ação era das mais cobiçadas até recentemente. A situação da Petrobras se agrava a cada dia, com atraso no pagamento de fornecedores e prestadores de serviço e queda de 36% no lucro líquido em 2012.
O anúncio feito pela presidente da companhia, Maria das Graças Foster, de que a Petrobras não tem como aumentar sua capacidade de produção, caiu como verdadeira bomba no mercado acionário. Fora isso, a Petrobras pode ser processada por adquirir por preço acima do mercado uma refinaria em Pasadena, no Texas, que serve para nada. A operação custou ao final US$ 1,6 bilhão.
Mesmo assim, Lula continua firme no projeto totalitarista de tomar conta do Brasil. Ou os brasileiros dão um basta a essa brincadeira de Lula de bancar o ditador, ou o Brasil em breve se transformará em versão agigantada da Venezuela. Porque camisa vermelha a igual a de Hugo Chávez o ex-metalúrgico tem usado com mais frequência
 http://ucho.info/incompetencia-do-governo-do-pt-consegue-derreter-a-petrobras-e-acoes-da-empresa-caem-785-na-bolsa

O Samba da Mais-Valia

 Escrito por Emmanuel Goldstein

As canções do povo, como organismos musicais, não são, de forma alguma, obras de talentos musicais individuais, mas produções da coletividade. A criação musical popular é fundamental para o desenvolvimento ideológico-cultural do povo.

Considerando que o sentido musical do homem só é despertado pela música, apresentamos O Samba da Mais-Valia. Nas palavras dos autores “o enredo se apresenta como uma verdadeira aula sobre o Manifesto e a teoria da Mais-Valia, suas mensagens revolucionárias e suas repercussões políticas neste país tropical, objeto de uma aprofundada análise social”.
O Samba da Mais-Valia é uma produção extremamente radical e arqui-revolucionária no terreno da criação artística da Música Revolucionária Popular Brasileira.