quinta-feira, 7 de março de 2013

Mapa da violência 2013


06/03/2013
 às 22:48

A guerra brasileira: 19,3 homicídios por armas de fogo a cada 100 mil habitantes; nos EUA, 3,9; no Japão, 0,01

O Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos divulgou nesta quarta o Mapa da Violência 2013 – Mortes matadas por armas de fogoO trabalho, coordenado por Julio Jacobo Waiselfisz, apresenta dados específicos sobre essa modalidade de homicídio. Publicarei mais tarde alguns gráficos, com comentários. Os dados são espantosos. Só para vocês terem uma ideia, em 1980, houve 386 mortes acidentais com armas de fogo, 660 suicídios e 6.104 homicídios. Trinta anos, depois, em 2010, as mortes acidentais caíram para 352, os suicídios passaram para 969, e os homicídios explodiram: 36.792. O taxa brasileira é de 20,4 mortos por arma de fogo a cada 100 mil habitantes — 19,3 só considerando os homicídios. É um escândalo! É a maior entre os países mais populosos do mundo. O México, que trava uma verdadeira guerra contra o narcotráfico, vem em seguida, com 16,2. Muito abaixo, está Rússia com 9,3. No EUA, é de 3,9. Na China, de 0,7; na Índia, de 0,2, e, no Japão, de 0,01.
O Mapa traz também os dados por estado e faixa etária. Voltarei ao assunto mais tarde.
Por Reinaldo Azevedo


quarta-feira, 6 de março de 2013

Querer ser e não poder...,

Em matéria de fixação doentia, quem é que ganha: Lula ou Maradona?
Em matéria de fixação e crise de identidade, nos parece que Lula está à frente (Foto: AFP :: ABr)
Em matéria de fixação e crise de identidade, nos parece que Lula está à frente (Foto: AFP :: ABr)
Pergunta perfeita do leitor e amigo do blog Roberto:
– Qual fixação doentia seria maior: a de Maradona por Pelé ou a do ex-presidento Lula por FHC?
E acrescenta:
– Será que Freud resolveria isso?
Ouso responder ao amigo leitor: acho que o ex-presidento está ganhando a parada, e você, o que acha?.
*Ricardo Setti

A estupidez insiste sempre...,


VENEZUELA: Vejam a foto e me digam se militares de um país democrático fariam essa saudação com o punho levantado


Chefes militares venezuelanos, tendo à frente o ministro da Defesa, almirante Diego Molero Bellavia, fazem a saudação com o punho levantado (Foto: Telesur / AFP)
Depois de anunciar ontem que os militares venezuelanos cumprirão a Constituição chavista — como se, num país democrático, fosse preciso militares “anunciarem” que farão sua mais elementar obrigação –, o ministro da Defesa da Venezuela, almirante Diego Alfredo Molero Bellavia, encabeçou uma saudação ao falecido caudilho Hugo Chávez levantando o punho ao alto, no velho estilo comunista do século passado.
Os demais chefes militares que o circundavam no pronunciamento feito pela TV fizeram o mesmo.
Vocês já imaginaram oficiais-generais franceses, australianos ou canadenses fazendo isso?
E nem é preciso ir tão longe: se chefes militares brasileiros agissem assim, o mundo viria abaixo — e com razão.
Esta é a Venezuela “democrática” que o chavismo legou.
Ah, enquanto anunciava o cumprimento da Constituição, o almirante Molero Bellavia deslocou tropas para as ruas de Caracas, por solicitação do vice-presidente Nicolás Maduro, sob o pretexto de “manter a ordem”.
Para isso não existe a polícia?
*Ricardo Setti

Ideologia ultrapassada, arcaica e a destruição de um país...,


Catorze anos de chavismo deixaram a economia da Venezuela em frangalhos


O petróleo é a base da economia do país, mas a estatal PDVSA está sucateada e produzindo metade do que o planejado para este ano (Foto: economia.com.ve)
Do site de VEJA
O caudilho Hugo Chávez lega ao sucessor uma economia dilacerada por sucateamento da indústria, deterioração fiscal, endividamento, inflação e corrupção
O legado de 14 anos de governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, declarado morto na tarde desta terça-feira após uma longa batalha contra o câncer, será um fardo difícil de ser revertido – ao menos no campo econômico.
O caudilho iniciou sua gestão em fevereiro de 1999 e desde então levou a cabo um processo doloroso de estatização, sucateamento da indústria e descontrole de gastos públicos.
Ao longo de mais de uma década, a economia sobreviveu graças à receita proveniente do petróleo e ao setor de serviços. O consumo se manteve impulsionado, sobretudo, pelos programas assistencialistas – o que fez a inflação se manter acima de 20% durante todo o seu governo, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Excetuado o Haiti, a Venezuela tem o menor crescimento e a maior inflação da AL
Na avaliação do economista Moisés Naím, Chávez deixa o país em uma situação dramática. “Nunca um líder latino-americano perdeu tanto dinheiro, gastou tão mal os recursos e usou de maneira tão incorreta o poder que lhe foi dado”, disse Naím ao Wall Street Journal.
Chávez deixa um país politicamente dividido, dependente das importações – sobretudo dos Estados Unidos -, e com a menor média de crescimento per capita do Produto Interno Bruto (PIB) e maior inflação do que qualquer outro país da América Latina, exceto o Haiti, de acordo com um estudo feito pelo departamento de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard.
Apesar de contar com as maiores reservas de petróleo do mundo, a participação da Venezuela no total produzido pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) caiu de 4,8% para 3% durante o governo Chávez.
O caudilho falhou em diversificar a economia venezuelana – ou melhor, nem ao menos tentou. O petróleo é, hoje, responsável por 50% das receitas do governo – e a fonte desses recursos é, quase que inteiramente, a estatal PDVSA.
“A PDVSA se tornou uma empresa solitária na Venezuela. E isso aconteceu porque o Estado se tornou o principal motor econômico, tirando o setor privado do jogo. E nada, nem na Venezuela, e menos ainda na PDVSA, é muito transparente”, afirma o economista Federico Barriga, da Economist Intelligence Unit (EIU).

Muito dependente de importações, a Venezuela desvalorizou em 32% sua moeda, o bolívar, na tentativa de combater a inflação e incentivar as exportações, que se tornaram mais baratas (Foto: Jorge Silva / Reuters)
Produção de petróleo é hoje a metade do que deveria ser
Em 2003, o governo venezuelano demitiu 40% dos funcionários da companhia após uma greve geral. Desde então, a PDVSA deixou de cumprir todas as suas metas de investimento e a produção estagnou. Hoje, o país produz menos de 3 milhões de barris por dia – número que representa a metade do que a empresa pretendia produzir quando traçou seu novo plano de investimentos, em 2007.
A estatal anunciou, em 2012, que produzirá 5,8 milhões de barris por dia em 2018.
Para isso, porém, terá de investir 206 bilhões de dólares nos próximos anos – missão considerada impossível por economistas, devido ao seu alto endividamento. A utilização de recursos provenientes do caixa da estatal para financiar, deliberadamente, projetos políticos era prática comum nos quatro mandatos de Chávez.
Gastança, política estatizante e inflação
A economia venezuelana tem um histórico de inflação alta, desde antes da entrada do caudilho no poder. Contudo, a gastança pública aliada a uma política expansionista e estatizante fez com que a alta dos preços atingisse níveis preocupantes.
A inflação anual venezuelana, segundo o FMI, fechou 2012 a 26,3% – número que poderia ser muito maior não fosse o controle de preços exercido por Caracas.
Trata-se do pior legado de Chávez, na avaliação de economistas.
“A inflação se mantém acima de 20% ao ano há seis anos consecutivos. Em 2012, por ser ano eleitoral, houve um controle de preços muito severo por parte do governo. Se considerarmos a desvalorização do bolívar, a tendência é que a alta dos preços ultrapasse facilmente a casa dos 30%, devido ao encarecimento dos preços dos importados. Por fim, esse cenário terá efeito recessivo na economia já a partir do segundo semestre de 2013 e há uma séria possibilidade de contração do PIB no médio prazo”, afirmou ao site de VEJA Pedro Palma, economista venezuelano que é PhD em Wharton, na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
O endividamento do governo venezuelano subiu de 37% para 51% do PIB durante a era Chávez. Esse aumento não compromete a solidez fiscal do país no curto prazo, mas representa mais um desafio para o governante que assumir o poder na ausência do caudilho – seja oaliado Nicolás Maduro, ou Henrique Capriles, candidato da oposição que teve 45% dos votos nas últimas eleições.
Segundo Pedro Palma, a dívida pública externa oficial está em 107 bilhões de dólares. A ela somam-se outros compromissos do Estado, como a dívida da PDVSA com fornecedores e sócios e os débitos do governo com empresas expropriadas que estão em processo de arbitragem em Washington. No total, o endividamento chega a 140 bilhões de dólares, nas contas do economista.
Uma saída: livrar a petrolífera da mão pesada do Estado
Diante desse cenário pouco animador – e após as circunstâncias pouco transparentes que contornaram a morte de Hugo Chávez – os economistas ouvidos pelo site de VEJA não aguardam mudanças estruturais para o os próximos meses.
Acreditam que um possível governo de oposição possa tranquilizar os mercados – mas isso não significa que solucionará os problemas econômicos criados ao longo dos últimos 14 anos.
Para Federico Barriga, da EIU, uma virada econômica poderá começar a ocorrer se o novo governante souber como atrair investidores externos para a PDVSA – na intenção de livrá-la da mão pesada do Estado.
“Sempre vai haver interesse externo no setor petrolífero da Venezuela. Todos sabem que é um país difícil, mas Nigéria e Angola também são. E a Venezuela ainda tem as maiores reservas do mundo. Quem souber aproveitar o setor da forma que Chávez não soube poderá mudar as coisas”, diz.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Rosegate...,


Faz 100 dias que Lula afronta o Brasil decente com o silêncio sobre o caso de polícia em que se meteu ao lado de Rose

Faz 100 dias que os brasileiros decentes foram afrontados pela descoberta do  escândalo em que Lula se meteu ao lado de Rosemary Noronha. Faz 100 dias que o país que presta é afrontado pela mudez malandra do caçador de votos que promoveu uma gatuna de quinta categoria a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Faz 100 dias que o ex-presidente foge de perguntas sobre o caso de polícia que protagonizou em companhia da Primeiríssima Amiga e dos bebês quadrilheiros de Rosemary.
Surpreendido pela divulgação das maracutaias comprovadas por policiais federais engajados na Operação Porto Seguro, Lula fez o que sempre faz quando precisa costurar algum álibi menos cretino: perdeu a voz e sumiu. Passou a primeira semana enfurnado no Instituto Lula. Passou as duas seguintes longe do Brasil, driblando repórteres com escapadas pela porta dos fundos ou pela cozinha do restaurante.
Recuperou a voz no começo do ano, mas ainda garimpa no porão das desculpas esfarrapadas alguma que o anime a enfrentar jornalistas armados apenas de perguntas sem resposta. Para impedir que a aproximação do perigo, tem recorrido a cordões de isolamento, cercadinhos, muralhas humanas e outras mesquinharias improvisadas para livrá-lo de gente interessada no enredo da pornochanchada financiada por cofres públicos que apresentou ao Brasil, entre outros espantos, os talentos ocultos de Rosemary Noronha.
O silêncio que vai completando 2.500 horas, insista-se, só vale para o caso Rose. Entre 23 de novembro de 2012 e 3 de março de 2013, excluídos os poucos dias em que teve de desativar o serviço de som, o palanque ambulante continuou desempenhando simultaneamente os papeis de co-presidente da República, presidente honorário da base alugada, chefe supremo da seita, protetor dos pecadores companheiros, arquiteto do Brasil Maravilha e consultor-geral do mundo.
Abençoou catadores de lixo e metalúrgicos, leu mais de 300 livros, fingiu entender o que Sofia Loren disse em italiano, avisou que os EUA nunca mais elegerão um negro se Barack Obama fizer besteira, louvou bandidos de estimação, insultou a oposição, deliberou sobre a tragédia ocorrida no jogo do Corithians em Oruro, explicou aos governantes europeus como se transforma tsunami em marolinha, recomendou a FHC que pare de dizer o que pensa e descobriu que Abraham Lincoln reencarnou no Brasil com o nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Fora o resto.
Só não falou sobre o que importa, agarrado à esperança de sobreviver sem fraturas expostas ao primeiro escândalo que não pode terceirizar. Não houve intermediários entre Lula e Rose. Não há bodes expiatórios que a apresentar. É natural que fuja como o diabo da cruz de pelo menos 40 perguntas formuladas pelo timaço de comentaristas:
1. Por que se recusa a prestar esclarecimentos sobre um escândalo investigado pela Polícia Federal que o envolve diretamente?
2. Considera inconsistentes as provas reunidas pela Operação Porto Seguro?
3. Por que disse em Berlim que não se surpreendeu com a Operação Porto Seguro?
4. Desta vez sabia de tudo ou, de novo, nunca soube de nada?
5. Onde e quando conheceu Rosemary Noronha?
6. Como qualifica a relação que mantém com Rose há 17 anos?
7. Em quais critérios se baseou para instalar uma mulher sem experiência administrativa na chefia do gabinete presidencial em São Paulo?
8. Por que pediu a Dilma Rousseff que mantivesse Rose no cargo?
9. Por que criou os escritórios da Presidência da República?
10. Continua achando necessária a existência de escritórios e chefes de gabinete?
11. Além de demitir Rose, Dilma Rousseff extinguiu o cargo que ocupava. A presidente errou?
12. Por que  Rose foi incluída na comitiva presidencial em pelo menos 20 viagens internacionais?
13. Por que foi contemplada com um passaporte diplomático?
14. Quem autorizou a concessão do passaporte?
15. Por que o nome de Rosemary Noronha nunca apareceu nas listas oficiais de passageiros do avião presidencial divulgadas pelo Diário Oficial da União?
16. Quem se responsabilizou pelo embarque de uma passageira clandestina?
17. Por que Marisa Letícia e Rose não eram incluídas numa mesma comitiva?
18. Quais eram as tarefas confiadas a Rose durante as viagens?
19. Todo avião utilizado por autoridades em missão oficial é considerado Unidade Militar. Os militares que tripulavam a aeronave sabiam que havia uma clandestina a bordo?
20. Como foram pagas e justificadas as despesas de uma passageira que oficialmente não existia?
21. Por que nomeou os irmãos Paulo e Rubens Vieira, a pedido de Rose, para cargos de direção em agências reguladoras?
22. Examinou o currículo dos nomeados?
23. Por que o aliado José Sarney, presidente do Senado, convocou irregularmente uma terceira sessão que aprovou a nomeação de Paulo Vieira, rejeitada em votação anterior?
24. Acha que são culpados?
25. Por que comunicou à imprensa, por meio de um diretor do Instituto Lula, que não comentaria o episódio por considerá-lo “assunto pessoal”?
26. Por que Rose se apresentava como “namorada do presidente”?
27. Se teve o nome usado indevidamente, por que não processou Rosemary Noronha?
28. Conversou com Rose nos últimos 100 dias?
29. Por que Rose tinha direito ao uso de cartão corporativo?
30. Por que foram mantidos em sigilo os pagamentos feitos por Rose com o cartão corporativo ?
31. Autorizou a inclusão, na decoração do escritório da Presidência em São Paulo, da foto em tamanho família em que aparece simulando a cobrança de um pênalti?
32. O blog do deputado federal Anthony Garotinho afirmou que Rose embarcou para Portugal com 25 milhões de euros. Se a denúncia é improcedente, por que não processa quem a divulgou?
33. Por que alegou que não comentaria o episódio por considerá-lo “assunto pessoal”, conforme comunicou à imprensa um dos diretores do Instituto Lula?
34. Era previamente informado por Rose das reuniões que promoveria no escritório da presidência?
35. Depois das reuniões, era informado por Rose do que fora discutido e decidido?
36. Por que, mais uma vez, alegou ter sido “traído”? Quem o traiu?
37. Se pudesse recuar no tempo, faria tudo de novo?
38. Não se arrepende de nada?
39.Não sente vergonha por nada?
40. Que história contou em casa?
Há dias, Lula acusou a imprensa de negar-lhe o espaço que merece. Está convidado a preencher o espaço que quiser com respostas a essas perguntas. Todas serão publicadas na íntegra.
Coragem, Lula.
*Augusto Nunes

domingo, 3 de março de 2013

Juventude bocó...,

Yoani é mesmo agente da CIA


Desde cedo fui diagnosticada com uma doença infeliz. Já no berçário, perceberam que eu me dirigia a outras crianças com gestos obscenos e caretas. Mais tarde, o médico sentenciou que eu era portadora de um transtorno conhecido como "síndrome de seu Saraiva", moléstia que, segundo o "New England Journal of Medicine", leva as pessoas a mostrar o dedo do meio e usar palavras de baixo calão com frequência e a cometer todo tipo de malcriação quando levemente provocadas.
Por algum motivo, faço questão de ser sempre a pessoa mais mal-educada da sala. Outro dia, consegui o feito de ser a mais deselegante em uma reunião com 30 detentas no Centro de Reabilitação Feminino de Taubaté em uma entrevista com as próprias. Elas saíram da conversa horrorizadas. Uma foi levada ao choro convulsivo, veja se é possível?
Tudo isso para explicar a dimensão do milagre ocorrido na semana passada em São Paulo. Atente: Yoani Sánchez esteve na cidade e me chamaram para mediar um debate com público e blogueira cubana na Livraria Cultura. Fiquei super-honrada e lá fui eu, perfumada e produzida na hora marcada. Bem que meu amigo, o jornalista Reinaldo Azevedo, alertou que ia dar encrenca, mas eu disse para ele: "Me matar não vão, né, Rey? Na pior das hipóteses eu levanto e vou comer uma coxinha no Viena". E ainda pedi que ele me ajudasse a fazer umas perguntas bem picantes para a cubana.
Foi descer do táxi na frente do Conjunto Nacional para ouvir os gritos de guerra do Fla-Flu, slogans de torcida de futebol contra o imperialismo. O ambiente estava "caliente" como uma cela em Guantánamo.
Ilustração Alex Cerveny
Subi ao palco e me acomodei ao lado da anticastrista que sofreu o pão que o diabo amassou na sua terra. E fui logo tirando um impresso intitulado "40 perguntas que Yoani nunca responderá à imprensa", que circulara insistentemente na internet naquele dia. Então comecei: "Quem patrocina a sua turnê de pop star pelo mundo?". Muito cordial, ela disse que, só naquele dia, já tinha respondido a essa pergunta umas oito vezes.
Quando percebeu que eu estava percorrendo a lista das perguntas que "nunca" seriam feitas a Yoani, a turma do fundão, um grupo de cerca 50 estudantes que acabara de entrar na sala com estandartes e apitos, começou a tumultuar. A gritaria não me impediu de notar que a próxima pergunta, "Quem paga o seu salário?", seria descartada pela falta de interesse jornalístico. O debate passou a ser interrompido na base do grito. Os estudantes exigiam o microfone. O formato do debate da noite, por coincidência, espelhava o da democracia representativa, modelo que rege nosso sistema de governo e com o qual esses jovens de iPhone e tênis All Star se desacostumaram a conviver. Eles parecem ter regredido a um estágio anterior, talvez aquele em que a maioria decide no grito, como no Velho Oeste, onde a multidão retirava o suspeito da delegacia na marra para o linchamento. Ou, quem sabe, sejam fãs de uma coisa mais despojada, a la Robespierre.
Só sei que minha interferência, para selecionar perguntas e tornar o debate mais ágil, não foi aprovada. Ficamos sem saber que apito Yoani toca, o que pensa e a quantas anda a abertura em Cuba. Enfim, tiveram de levar a cubana para a coxia antes que alguém resolvesse partir para cima. E a vontade que deu, naquele momento, de pedir cidadania paraguaia?
O ato perpetrado por aquela juventude bocó inspira até certa piedade. Os caras estão na faculdade e não percebem que a única coisa hoje que rege os governos, todos os governos, são os humores do mercado? Que ideologia virou apenas marketing para diferenciar um discurso do outro? Parece que esse raivoso Fla-Flu que nos divide nunca vai ceder ao óbvio.
E o meu milagre, onde ficou?
Bem, o seu Saraiva não deu as caras no encontro. Provocaram, provocaram, mas ele não apareceu. Em outros tempos, teria levantado no palco e mandado a molecada plantar coquinho na ladeira.
Em seu lugar, compareceu uma babá inglesa que pedia silêncio sorrindo copiosamente. Só pode ter sido artimanha da Yoani. Como se sabe, ela é agente da CIA.
Barbara Gancia
Barbara Gancia, mito vivo do jornalismo tapuia e torcedora do Santos FC, detesta se envolver em polêmica. E já chegou na idade de ter de recusar alimentos contendo gordura animal. É colunista do caderno "Cotidiano" e da revista "sãopaulo".

BAR DO CHOPP GRÁTIS: Fácil introdução à Física Quântica para leigos (co...

BAR DO CHOPP GRÁTIS: Fácil introdução à Física Quântica para leigos (co...: Fácil introdução à Física Quântica para leigos (como eu). Esta é uma tentativa para tornar fácil o conhecimento da Fís...

sábado, 2 de março de 2013

PARLA!


Reynaldo-BH: ‘Parla, Lula! Parla!’

REYNALDO ROCHA
A culpa é de FHC! Lula seria a obra-prima de Fernando Henrique Cardoso? E este uma nova encarnação de Michelangelo?
Lula é o “Moisés” esculpido pelo gênio de Caprese. Conta a história que ao término de Moisés, Michelangelo, impressionado com o que havia realizado, exclamou: PARLA!
Só FHC consegue que Lula fale. O silêncio de quase 100 dias sobre o que exigimos saber é mais uma bofetada na cidadania. Não se trata de segredos de alcovas ou, quem sabe, 50 tons de marrom. Trata-se de perguntas simples que precisam de respostas do mesmo teor.
Rosemary Noronha foi escolhida a partir de quais qualificações? Como assessora internacional,, domina quantos idiomas? É formada em exatamente o quê? Há quanto tempo assessora Lula? Por que tinha passaporte diplomático? Por que acompanhou Lula em viagens ao exterior? Onde se hospedava? Lula autorizou Rose a falar em nome dele? Lula apoiava as tratativas corruptas da amante? Recebia algo por estes favores da dileta assessora? Rose estava autorizada a se apresentar como namorada do co-presidente? Nenhum dos ameaçados pelos pedidos de Rose procurou Lula (ou alguém com acesso ao ex-presidente) para relatar a chantagem ameaçadora? Lula nunca soube dos irmãos Metralhas, cuja indicação bancou, ou da ligação da dupla com Rose? Nunca soube do aumento patrimonial da amante?
Após quase 100 dias, Lula falou! Sobre FHC! É só o que sabe falar.
Um “Móises” que se revolta com o Michelangelo que o criou. A criação se revoltando contra o criador. O mármore que se sabe pedra. Que só tem a forma que tem, pelo gênio que o moldou.
É preciso matar o criador para existir como criatura. Não se trata de mera inveja patológica. Trata-se de sobrevivência. Igualmente doentia.
É sintomático que Lula peça (ou ordene) que FHC se cale. Faz parte do delírio. Que solicita o silêncio do outro para garantir o próprio discurso. Quer que o criador fique mudo para conseguir atenção.
Não se preocupa sequer com a imbecilidade de exigir de terceiro o que se recusa a fazer: calar-se. Mesmo que um alerte e exponha verdades. E a estátua repita mentiras que só visam destruir o motivo da infelicidade existencial que o perturba.
Lula fala. Sobre FHC. E sobre tudo. Exceto quando o “não sabia” é ineficaz. Ou risível.
É tão evidente a obsessão psicótica de Lula em relação ao criador que não se importa com outras críticas: de Eduardo Campos, de Ciro Gomes, da imprensa e de milhões de brasileiros. Estes são desprezados. Não merecem respostas. Porém, em relação a FHC, é imediata a resposta espumando ódio pela baba que escorre da boca.
Se FHC ousar dizer que Lula já não tem barba, será ferozmente atacado em represália. Se o Brasil disser que Lula tem uma amante que foi paga com nosso dinheiro e usou do cargo (e cama) para ser uma corrupta na antessala da presidência, ouviremos o silêncio.
Parla, Lula! Parla!
Quem sabe se FHC perguntar algo sobre Rose ─ o que cobramos há mais de três meses! ─ Lula atenda à ordem do criador. E fale. Mesmo que diga ─ quem sabe? ─ que Rose é uma agente da direita raivosa infiltrada pelos tucanos na cama do Imperador de Garanhuns.
Lula pediu para FHC se calar. O Brasil decente exige que Lula fale.
É uma diferença imensa. Que demonstra o mesmo: o caráter de quem nascendo para ser cópia, jamais conseguirá ser original.
Parla! Sem precisar que seu criador ordene.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O telex do Lincoln - O trovador Alamir Longo homenageia o telex que Lincoln usou antes de ser inventado


‘O telec do Linco’, do trovador gaúcho Alamir Longo

I
O doutor honoris causa
com pinta de imperador,
se lança de professor
esbanjando sabedoria
e a gente que nem sabia
que o safo era um leitor…
II
Pois agora está explicado
tamanho conhecimento…
pois o livro é um instrumento
valioso e transformador
que converte a pensador
até mesmo um pobre jumento!
III
Mas eu acho que o estadista
deu de mão no livro errado…
ou pegou ele virado
quando foi fazer a leitura!
pois cada vez mais loucura
esse cabra tem perfilado.
IV
Dizer montes de besteiras
pra ele é coisa normal…
no seu discurso boçal
se embriaga em devaneio,
só falta dizer que veio
com a esquadra de Cabral!
V
E agora veio com essa…
telex e computador!
Do Lincoln fez seu pastor
em delirante piadinha,
enfeitada a rizadinha
da sacrossanta plateia,
que sequer fazia ideia
que o “linco,telec” não tinha!


Megalomania e o ano que não existiu...,


28/02/2013
 às 18:04 \ Direto ao Ponto

O surto de megalomania inspira mais uma manchete antológica do Diário do Comércio

Clique na imagem para ampliá-la
Diário do Comércio voltou a mostrar aos concorrentes, nesta quinta-feira, como se faz uma primeira página. AGORA, LULINCOLN DA SILVA, resume a manchete principal, ilustrada pela fotomontagem que coroa a cabeça do palanque ambulante com uma superlativa cartola ─ marca registrada do estadista que aboliu a escravidão e impediu o esfacelamento dos Estados Unidos. Subtítulo: A boa notícia é que Lula está ‘lendo muito’ (convidados da festa de 30 anos da CUT gargalharam, ao ouvi-lo’). A ruim é que ele agora encarna o presidente Abraham Lincoln.
O diário dirigido pelo jornalista Moisés Rabinovici complementa a aula com a segunda manchete: Veja o PT censurando o cartaz do Mensalão. Na foto ao lado, dois funcionários do partido carregam para os porões do Congresso um painel, instalado pela oposição, que lembra a grande roubalheira descoberta em 2005. Compreensivelmente, o ano foi excluído da exposição em que o PT festeja as proezas que jura ter protagonizado desde o nascimento em 1980.
As duas notícias ficaram fora das primeiras páginas do Estadão, daFolha e do Globo. Os três maiores jornais do país confinaram em espaços mofinos ─ e, pior ainda, trataram como se fossem coisa séria ─ duas brasileirices singularíssimas. Mesmo no País do Carnaval, não é todo dia que um surto de megalomania faz um chefe de seita enxergar Abraham Lincoln quando se olha no espelho. Nem pode ser reduzido a irrelevância rotineira o roubo de um painel que denuncia o sumiço de um ano inteiro.
São fatos que merecem manchete. E merecem o tratamento sarcástico que ilumina a primeira página do Diário do Comércio. Os vigaristas que debocham do Brasil decente reagem a acusações gravíssimas e denúncias de grosso calibre como se fossem confrontados com a previsão do tempo. Só se sentem atingidos no fígado quando o calibre da bala é engrossado pela ironia impiedosa.
Editores de jornais vivem se queixando da falta de leitores. Como demonstra o confronto das primeiras páginas desta quinta-feira, o que falta é argúcia, coragem e, sobretudo, talento.
*Augusto Nunes