Seguidores

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Petrobras virou vergonha nacional

Jornal britânico diz que Petrobras virou 'vergonha nacional'

'Financial Times' destacou em sua edição desta terça a crise na estatal, tomada por escândalos de corrupção

Petrobras passa por uma "tempestade" segundo jornal
Petrobras passa por uma "tempestade" segundo jornal (Vanderlei Almeida/AFP)
O jornal britânico Financial Times publica na edição impressa desta terça-feira uma ampla reportagem sobre a crise na maior estatal brasileira, a Petrobras. Para a publicação, o suposto esquema de corrupção na petroleira transformou a companhia, que já foi "orgulho do Brasil", em motivo de "vergonha nacional". O texto destaca ainda a hipótese de a empresa entrar em "calote técnico" (default) pelos atrasos na divulgação dos resultados financeiros.
"A Petrobras, que em 2007 era o orgulho do Brasil após anunciar as maiores descobertas de petróleo offshore do mundo em décadas, hoje corre o risco de se tornar um pária entre os investidores e uma vergonha nacional para os brasileiros", diz o texto do FT, ao lembrar das denúncias de corrupção que envolvem diretores da empresa e grandes empreiteiras. A reportagem lembra ainda que Maria das Graças Foster, que comanda a companhia desde 2012, já teria oferecido o cargo à presidente Dilma Rousseff.
O FT lembra ainda que, diante do caso, a empresa tem atrasado a divulgação de números e isso poderia acarretar situação de "calote técnico". "Se a Petrobras não for capaz de divulgar os resultados financeiros auditados até 30 de abril, a empresa, que é uma dos maiores tomadores de empréstimos corporativos do Brasil com dívida estimada pela agência de classificação de risco Moody's em 170 bilhões de dólares, poderia desencadear um default técnico", diz o FT.
Calote - default técnico aconteceria porque a estatal não consegue cumprir uma das cláusulas previstas na emissão dos títulos de dívida que é a divulgação de dados financeiros conforme calendário predeterminado. Na segunda-feira, o fundo de hedge Aurelius, que esteve nos holofotes do calote técnico da dívida soberana argentina, lançou campanha para notificar a estatal pelo descumprimento da cláusula que previa divulgação do demonstrativo financeiro não auditado do terceiro trimestre 90 dias após 30 de setembro.
"Tudo isso faz parte de uma tempestade perfeita para a empresa. Críticos dizem que isso é resultado dos anos de uso indevido da Petrobras pelo governo como um instrumento de política industrial e monetária em detrimento dos acionistas minoritários", diz o FT.


(Com Estadão Conteúdo)

5 coisas que poderiam ser feitas com os 21 bilhões desviados da Petrobras

21 bilhões de reais. Esse é o montante desviado da Petrobras durante os anos de governo petista segundo estimativa do banco americano Morgan Stanley. O cálculo foi feito com base nos 3% de propina denunciados pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto da Costa, investigado na Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Com esse valor exorbitante, seria possível compensar 127 vezes o famoso assalto ao Banco Central de 2005; ou juntar 100 pilhas de dinheiro com o mesmo valor que a de Walter White, o protagonista de Breaking Bad; ou construir dois novos World Trade Centers; ou comprar esses quatro times de futebol: Real Madrid, Barcelona, Chelsea e Inter de Milão; ou ainda, adquirir duas fantasias de palhaço para cada um dos 203 milhões de brasileiros.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Contas do governo têm pior novembro da série histórica

Governo central tem pior resultado histórico para mês de novembro

Rombo nas contas do Tesouro, Banco Central e Previdência soma R$ 6,7 bilhões. No ano, déficit fiscal já chega a R$ 18,3 bilhões

Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda
Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda (Fernando Bizerra Jr./EFE)
As contas da presidente Dilma Rousseff permaneceram no vermelho em novembro. O chamado Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) apresentou déficit de 6,711 bilhões de reais, pior resultado para o mês da série histórica do Tesouro, que começou em 1997.
No acumulado de 2014, o déficit primário subiu para 18,319 bilhões de reais, o equivalente a 0,39% do Produto Interno Bruto (PIB). É também o pior resultado de janeiro a novembro da série histórica. No mesmo período do ano passado, o esforço fiscal era positivo em 1,41% do PIB.
Entre janeiro e novembro, o Tesouro registra um superávit de 40,345 bilhões de reais, mas o INSS mostra um rombo de 58,467 bilhões no período, enquanto o Banco Central tem um saldo também negativo de 197,9 milhões.
Enquanto as receitas tiveram uma expansão de apenas 3,9%, as despesas avançaram no período 12,7% em relação a janeiro e novembro do ano passado. Apenas em novembro, as contas do Tesouro registraram um superávit de 1,487 bilhão de reais, a Previdência registrou um déficit de 7,911 bilhões de reais e o Banco Central um déficit de 287,1 milhões de reais.
Com mais um déficit, o resultado fiscal obtido até agora ficou ainda mais distante da última previsão da equipe econômica, de fechar o ano com as contas no azul - superávit de 10,1 bilhões de reais.
A previsão foi incluída no relatório bimestral de avaliação de despesas e receitas do Orçamento encaminhado ao Congresso Nacional no final de novembro. Essa estimativa se tornou, na prática, uma espécie de meta fiscal não oficial depois que o governo conseguiu aprovar a flexibilização da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, que dá permissão ao governo Dilma Rousseff para não cumprir a meta fiscal e fechar o ano, inclusive, com um déficit primário sem que haja punições para os governantes.
Para conseguir terminar o ano com o superávit de 10,1 bilhões de reais prometido, o governo vai precisar fazer um superávit em dezembro de no mínimo 28,4 bilhões de reais. Em 12 meses até novembro, o Governo Central registra um déficit de 3,9 bilhões de reais ou 0,1% do PIB.
Investimentos e concessões - No ano até novembro, os investimentos totais do governo federal subiram 26,1%, somando 73,6 bilhões de reais. Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que podem ser abatidos da meta fiscal, alcançaram 53,9 bilhões de reais nos onze primeiros meses de 2014, com alta de 33,9%.
As receitas obtidas com as concessões somaram 2,814 bilhões no acumulado do ano até novembro (11,8 milhões apenas em novembro). Essa conta será menor do que a esperada porque a arrecadação com o leilão de 4G foi menor do que a expectativa. Em sua última projeção, o Ministério do Planejamento ao Congresso reduziu a previsão total de receitas de concessões de 15,4 bilhões para 7,2 bilhões.
Não houve gastos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em novembro, que tenta salvar as empresas elétricas, mas as despesas atingem 9 bilhões no ano. O governo ampliou, no último relatório de receitas e despesas, a previsão de gastos com a CDE este ano, de 9 bilhões para 10,540 bilhões de reais.
Desafio - Diante de números desanimadores, o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá um grande desafio para ano que vem. Ele já afirmou em discursos e entrevistas que anunciatá um pacote de ajuste fiscal, a ser implementado a partir do ano que vem. Ele deve ser "balanceado" e poderá incluir a alta de impostos. 


(Com Estadão Conteúdo)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Brasil, casse a concessão da pilhagem

Caros inocentes úteis, o roubo não é a velha esperteza de oportunistas. É um projeto de poder

Um deputado do PT propôs transformar as manifestações golpistas em crime hediondo. Pulemos o registro da demagogia e da desonestidade intelectual, porque isso já é intrínseco aomodus operandi do partido. O que vale registrar é a tática definida daqui para a frente contra o cerco do petrolão: construir uma narrativa de injustiça contra os defensores do oprimido. O governo popular acabou. Iniciará uma Presidência-fantasma em 1º de janeiro, com sua credibilidade apodrecida e um único objetivo: não ser enxotado pelo impeachment. Não será fácil.
A bravata do tal deputado fica no terreno do folclore. Cultivar o fantasma do golpe é um dos truques preferidos dos companheiros. É bem verdade que eles têm o plano – e aí não é folclore – de controlar a imprensa, com o mesmo argumento de que a burguesia quer derrubar o governo popular a golpes de manchete. Se Chávez, Kirchner e sua turma conseguiram, por que não tentar no Brasil? Enquanto isso, aproveitam para dizer que os protestos contra o governo podre são atos pela volta da ditadura.
Não percamos mais tempo com isso. O grande herdeiro da ditadura militar no Brasil é o PT. Tanto Dilma quanto os mensaleiros vivem eternamente da mitologia da resistência aos milicos, um heroísmo canastrão do qual extrairão até a última gota de propaganda maniqueísta. As redes sociais do Planalto não param de espalhar releases e notinhas sobre os anos de chumbo e os valentes mocinhos da época – viraram os bandidos de hoje, mas essa parte não aparece no release. O PT ama a ditadura militar. Vive dela.
Essa é a parte mais tosca da estratégia de resistência – não mais aos militares, mas aos democratas que querem seu dinheiro roubado de volta. A parte não tão tosca do plano é a que ultrapassa a militância para contar com os inocentes úteis, uma classe em franca expansão no Brasil, para alegria dos companheiros. Entre as vozes a favor, que defendem Dilma para se sentir progressistas (não é piada, elas existem aos montes), surge o postulado central para tentar salvar o pescoço do governo: relativizar a corrupção da Petrobras.
Novamente é preciso ressalvar: não é piada. Um crescente número de pessoas que se acham sérias e não estão (ainda) a soldo do petismo deu para dizer por aí que o petrolão é normal. Quer dizer: uma coisa bem brasileira, arraigada no Estado patrimonialista e toda aquela sociologia de beira de praia. É o mesmo recurso estilístico sacado por Lula no mensalão: caixa dois todo mundo faz. Um empresário chegou a escrever que hoje se rouba até menos na Petrobras que em outros tempos. Vamos explicar aos ignorantes ou mal-intencionados (a esta altura, dá no mesmo): o PT não ficou igual aos outros; o PT não é corrupto como os outros, nem um pouco menos, nem um pouco mais; o PT é o único, sem antecessor na história do Brasil, que montou um sistema de corrupção no Estado brasileiro, de dentro do Palácio do Planalto, para enriquecer o partido e se eternizar no poder.
O ex-ministro-chefe da Casa Civil e homem forte do presidente foi preso por montar um duto entre as estatais e o caixa do partido governante. Privatizou na fonte o dinheiro do contribuinte. Não há precedente no país. Ao raiar do governo petista, foi montada uma diretoria na Petrobras para um saque bilionário em benefício do grupo político governante, como está demonstrado pela Polícia Federal a partir das investigações sobre o doleiro Alberto Youssef.
Deu para entender, queridos inocentes úteis? O roubo não é a velha esperteza de uns oportunistas com cargos na máquina. O roubo é um projeto político de poder. Que aliás, graças a seres compreensivos como vocês, dá certo há 12 anos.
E agora? O Brasil se sujeitará ao esquema por mais quatro anos? Só os inocentes inúteis podem crer que essa forma de dominação sofrerá uma metamorfose redentora em 1o de janeiro. Eles não sabem fazer de outro jeito. Dilma já tenta legalizar o rombo fiscal, diante de um Brasil abobado. Nem o mensalão, nem a queda de sete ministros no primeiro ano de governo – nada modificou em um milímetro o esquema parasitário.
Vocês estão esperando o quê? Que um companheiro bata na sua porta informando-lhe com ternura que veio buscar suas calças?

A incompetência sempre custa caro..,

Dilma assegura salário de R$ 158,3 mil para Graça Foster.


Com a denúncia da Venina Velosa sobre o caso da ladroagem na Petrobras, o jornalista Políbio Braga revela no seu blog, informações interessante que passam batido no meio de tantos escândalos na Companhia.

A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa além de denunciar as ladroagens na Companhia, já de conhecimento dos meus leitores,  entrou com o processo trabalhista contra a Companhia reclamando entre outras coisas do assédio funcional. O que chamou atenção, no entanto, é o nível de salário que Venina recebia na Petrobras, segundo o processo trabalhista revelada, ela recebia salário de R$ 69,1 mil como gerente da Companhia.

A revelação do salário da Venina Velosa no processo trabalhista e tornado público por ela própria, fez o jornalista Políbio Braga buscar informação sobre o salário dos níveis mais altos da Petrobras:

Presidente:                                         R$ 158,3 mil
Diretores:                                            R$ 145,7 mil
Gerentes:                                            R$   69,1 mil
CEO das subsidiárias internacionais: R$ 167,3 mil

Ao salário nominal, devemos acrescentar os "jetons" que recebem em participações nos Conselhos de Administração de mais de 130 subsidiárias da Companhia. Os dados não são transparentes sobre os "jetons" que os diretores recebem nos Conselhos das subsidiárias.

Não vamos comparar o nível de salário dos diretores e gerentes de companhias no setor de petróleo ao redor do mundo, pois que no Brasil a Petrobras é uma empresa de economia mista regulado pelo regime próprio. O salário dos diretores e empregados das companhias de petróleo no mundo todo ganham salário que ultrapassam em muito o nível do salários da Petrobras.

Ao contrário do que acontece no mundo todo, os diretores da Petrobras, não é recrutado pela capacidade comprovada na área de atuação de cada diretoria, mas pela indicação política. A nomeação dos diretores da Petrobras entra na cota de indicação de cada partido de sustentação. É o uso de costume que vem desde a constituição da Petrobras. 

De qualquer forma, o salário do presidente e diretores, bem como CEO das subsidiárias, fogem completamente do teto de salário estabelecido pela Constituição que é de pouco mais de R$ 35 mil à partir do próximo ano. 

Explica-se a manutenção da Graça Foster na presidência da Petrobras pela Dilma. O primeiro e mais importante motivo é tentar blindar a Dilma que já foi presidente do Conselho da Administração da Petrobras, gestão em que foi autorizada a compra superfaturada da refinaria Pasadena. O segundo motivo é de ordem pessoal, que é de assegurar um ganho nada desprezivo da Graça Foster, R$ 158,3 mil mensal nos próximos 4 anos, para a sua companheira de guerrilha.


O fato é que Dilma assegura o emprego de R$ 158,3 mil para a sua companheira Graça Foster. 

Ossami Sakamori

sábado, 27 de dezembro de 2014

Racha no clube do bilhão: Camargo Corrêa negocia acordo

Empreiteira negocia um acordo de leniência com o MP e pode ser a primeira das grandes a abrir o jogo sobre o esquema de corrupção na Petrobras

Bela Megale e Alexandre Hisayasu
Natal no xadrez - Familiares visitam executivos na carceragem da PF em Curitiba no dia 23.
Natal no xadrez - Familiares visitam executivos na carceragem da PF em Curitiba no dia 23. (Estelita Hass Carazzai/Folhapress)
A Camargo Corrêa está negociando com o Ministério Público a possibilidade de fechar um acordo de leniência com a Justiça. O acordo de leniência equivale à delação premiada para pessoas jurídicas — empresas envolvidas em crimes decidem contar o que sabem em troca de benefícios e atenuantes penais. Dois advogados da empreiteira confirmaram a VEJA que as conversas nesse sentido com os procuradores responsáveis pela Operação Lava-Jato estão em curso e devem ser retomadas logo depois do Ano-No­vo. Se elas derem resultado, a Camargo Corrêa será a primeira dissidente do clube do bilhão, grupo formado pelas maiores empreiteiras do país que, segundo o doleiro Alberto Youssef, combinava o resultado de licitações da Petrobras, superfaturava os preços e pagava a propina destinada a subornar políticos e funcionários da estatal. Três executivos da empresa estão presos desde a segunda semana de novembro: Dalton Avancini, diretor­presidente, João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração, e Eduardo Leite, vice-presidente.
Junto com eles, a Polícia Federal prendeu naquela data outros dezoito altos executivos de grandes empreiteiras — onze, incluindo os funcionários da Camargo Corrêa, continuam detidos na carceragem da PF em Curitiba (PR). Logo depois das prisões, as construtoras chegaram a conversar sobre a possibilidade de fechar um acordo coletivo de colaboração com a Procuradoria, mas a iniciativa foi rechaçada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que considerou a proposta um “cartel da leniência”. Desde então, os advogados indicavam ter desistido do acerto. Mas, há duas semanas, um dos advogados da Camargo Corrêa voltou a se reunir com os procuradores para discutir os termos de um acordo. A empresa já concordou em fazer a admissão de culpa, uma das exigências do Ministério Público que o grupo que tentou fazer o acordo coletivo não aceitava.

Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA notablet, no iPhone ou nas bancas. Tenha acesso a todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.
Outros destaques de VEJA desta semana

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Qual é a forma correta, louro ou loiro?

Grace Kelly: uma loira com pele de loiça que era cousa de doudo
Grace Kelly: uma loira com pele de loiça que era cousa de doudo

“Acabei de ser corrigida e fiquei em dúvida. Sempre escrevi louro para pessoas com cabelos claros, mas qual o correto? Louro ou loiro?” (Giselle Gomes)
As duas formas estão corretas, Giselle. Louro, do latimlaurus, é a mais antiga (século XIII) e aquela que em geral os dicionaristas, tanto os brasileiros quanto os portugueses, ainda consideram preferencial.
No entanto, loiro, uma variação registrada pela primeira vez por um lexicógrafo em 1836, tem uso cada vez mais disseminado no Brasil, a ponto de não ser incomum encontrar, como você encontrou, quem por desinformação caia na besteira de tentar corrigir quem prefere louro.
Registre-se que as duas formas têm exatamente as mesmas acepções, de “folha do loureiro” a “cor entre o dourado e o castanho claro” e ainda “pessoa que tem os cabelos dessa cor”. (Louro como sinônimo de papagaio tem outra origem, ainda que meio nebulosa, mas, ao contrário do que muitos imaginam, também admite a variação loiro.)
O uso de louro ou loiro já obedeceu a preferências regionais, mas essas fronteiras andam meio borradas. Em minha juventude, no Rio de Janeiro, todo mundo só falava e escrevia louro. Quando se esbarrava em loiro, quase sempre estávamos na presença de um paulista.
Assim como a pronúncia futêbol, loiro é um dos traços linguísticos que São Paulo tem exportado para o resto do país na esteira de seu domínio econômico e cultural. Meu filho, carioca de nascimento e criação, fala loiro.
A oscilação entre os ditongos ou e oi tem uma longa história em nossa língua. Noite era noute no português antigo. Machado de Assis gostava de escrever dous e doudo, formas praticamente caídas em desuso.
Em compensação, a tesoura, acredite, já foi chamada exclusivamente de tesoira. Louça/loiça, ouro/oiro, coisa/cousa e coice/couce são outros exemplos de pares em que as duas formas são consideradas corretas.
*
Publicado em 20/2/2014.

Graça Foster e 15 bancos são réus em novo processo contra Petrobras

Cidade americana entrou com ação alegando prejuízo ao investir em títulos da estatal, que perderam valor na esteira da descoberta do petrolão

A presidente da Petrobras Graça Foster
A presidente da Petrobras Graça Foster (Evaristo/AFP/VEJA)
A cidade de Providence, capital do Estado americano de Rhode Island, entrou na véspera de Natal com um processo contra a Petrobras, sua administração, duas subsidiárias e bancos envolvidos na emissão de papéis da companhia. A notícia chega depois de a empresa ter sido alvo de outras três ações nos Estados Unidos em dezembro, movidas por fundos e grupos de investidores individuais. O processo  inclui treze executivos da administração, duas subsidiárias no exterior e 15 bancos envolvidos na emissão de papéis da companhia. Aparecem como réus a presidente da empresa, Graça Foster, e o diretor financeiro Almir Barbassa, de acordo com cópia do documento de 70 páginas obtida pela Agência Estado.
A alegação da cidade de Providence é que o município teve prejuízo ao investir em títulos da Petrobras, que perderam valor por causa das denúncias de corrupção e pagamento de propinas. Como ocorreu com as demais ações, a avaliação é que a empresa não informou o mercado sobre os casos de corrupção que ocorriam em sua administração, colocando o dinheiro dos investidores deliberadamente em risco. Procurada, a Petrobras informou que "não foi intimada da mencionada ação".
Além dos executivos, o processo do escritório Labaton Sucharow, com sede em Nova York, inclui como réus quinze bancos que participaram da emissão dos 98 bilhões de dólares em papéis no mercado de capitais pela Petrobras para financiar seus projetos de investimento. Entre os bancos, são citados nomes como Itaú BBA, Bradesco BBI, Citigroup, Santander Investment Securities, JPMorgan e Morgan Stanley.
O processo foi aberto na Corte de Nova York, onde correm as demais ações coletivas contra a petroleira. A diferença é que os investidores questionam perdas com as American Depositary Receipts (ADRs), que são recibos de ações da empresa brasileira listados na Bolsa de Valores de Nova York, enquanto a cidade de Providence alega perda com papéis de renda fixa, emitidos pela Petrobras para financiar seu plano de investimentos. Outra diferença é que as ações dos investidores processam a Petrobras, enquanto a de Providence inclui a administração, subsidiárias da empresa que emitiram bônus no exterior e bancos que deram garantia a esses papéis.
A ação coletiva alega que o valor destes títulos vendidos pela Petrobras refletem ativos financeiros inflados pela empresa para encobrir as propinas recebidas de empreiteiras e outras prestadoras de serviços. Além disso, o material distribuído aos investidores durante as ofertas dos papéis possui um conjunto de informações enganosas, que omitem, por exemplo, as práticas de corrupção na petroleira. Quando as denúncias começaram a revelar o esquema, destaca o texto, o valor dos papéis da Petrobras despencou no mercado financeiro, causando prejuízo aos investidores. Outros investidores que compraram os títulos da empresa e também tiveram perdas podem entrar na ação da cidade de Providence.
A cidade de Providence processa também duas subsidárias da empresa brasileira no exterior, a Petrobras International Finance Company, de Luxemburgo, e a Petrobras Global Finance BV, com sede na Holanda. A emissão de bônus da empresa no exterior foi feito por meio destas duas subsidiárias. A primeira companhia, por exemplo, vendeu 7 bilhões de dólares em papéis em 2012.
Da administração, treze pessoas aparecem com réus. Além de Graça Foster e Barbassa, o gerente executivo, José Raimundo Brandão Pereira, e outros nomes, que incluem Mariângela Monteiro Tiziatto e Daniel Lima de Oliveira, também são citados.
A cidade de Providence tem um fundo de pensão dos funcionários públicos atuais e aposentados. Foi este fundo que aplicou em papéis da Petrobras e que alega ter tido prejuízos por causa da Operação Lava Jato. O fundo tem 300 milhões de dólares aplicados em ações, renda fixa e outros investimentos. Até agora, as ações coletivas de investidores contra a Petrobras nos EUA processavam apenas a empresa e não executivos e subsidárias.
O processo da cidade de Providence cita ainda os projetos da Petrobras para aumentar investimentos nos últimos anos, incluindo aqueles para extrair óleo do pré-sal. Um dos mencionados é a compra da refinaria em Pasadena, no Texas, por 360 milhões de dólares . Para financiar as várias obras a empresa emitiu 98 bilhões de dólares em papéis no Brasil e no exterior, em renda fixa e ações.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ueba! Mamãe Noel Sapeca!



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
E olha a fantasia de Mamãe Noel que achei num site erótico: "Mamãe Noel Pimenta Quente: um gorro, uma calcinha fio dental ou você prefere aquele velho barbudo?". Rarará!
E sabe como o Papai Noel dá risada em Brasília? Hô Hô Hôubamos muito!
E em 2014 morreu um porrilhão de gente incrível, o Eike ficou pobre e a Xuxa desempregada. Que ano!
Faltou o 7 a 1! Essa vai ser a retrospectiva 2014: GOL DA ALEMANHA! Rarará!
E o tuteiro Tonho Duarte: "O Chaves morreu, o Bozo pegou fogo e a Xuxa levou um pé. 2014, ano que matou a minha infância". Ano serial killer!
E o amigo-secreto do ano foi o doleiro Youssef. Foi amigo-secreto de metade do Brasil.
E amigo-secreto no Congresso: "Meu amigo-secreto tem seis mandatos, 16 processos por corrupção e nunca foi preso". "Sou eu!" "Sou eu!" "Sou eu!" Trezentos gritos de "sou eu". Rarará!
"Meu amigo-secreto tem quatro mandatos, 18 rádios e 25 TVs filiadas da Globo." "Sou eu!" "Sou eu!" Rarará!
E adorei a charge do Sandro com o amigo-secreto na firma: "Posso trocar? Tirei um petralha". "Também quero trocar. Não dou presente pra coxinha." "E eu não dou presente pra quem votou nulo." A briga continua! Terceiro turno!
E atenção! Já saiu o Papai Noel corno: aquele que vai embora, mas volta por causa das crianças!
E sabe o que o Papai Noel de shopping pediu pro Papai Noel? Um emprego fixo! E eu pedi um fígado autolimpante!
E sabe o que o Papai Noel de shopping falou para uma amiga minha? "Se você gosta de pingolim mole, vou levá-la à loucura." Rarará!
E um amigo já ganhou o presente de Natal: um despertador do Bradesco. Todo dia cedo a gerente liga gritando: "Sua conta estourou! Sua conta estourou!". Rarará!
Portugueis Nóis Sabe! Brasileiro escreve tudo errado, mas todo mundo se entende.
Olha o cartaz no super Big Box de Brasília: "Cherter Perdidão, R$ 12,88kg". Dá um GPS pro Perdidão! Até o Natal ele se acha. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! 



josé simão
José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/josesimao/2014/12/1564912-ueba-mamae-noel-sapeca.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/josesimao/2014/12/1566203-natal-2014-presente-pro-pina.shtml

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

MAMÃE NOEL

Sabe por que Papai Noel não existe?
Porque é homem.
Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias?
Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor?
Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho?
Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag?
Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas?
Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! Mamãe Noel, sim, existe. Quem é a melhor amiga do Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas?
Não é o bom velhinho.
Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa?
Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes?
E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?
Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis.
Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe?
Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?
Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista?
Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel?
Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas.
Anda muito requisitado como garoto-propaganda.
Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado? Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais.

Read more at http://pt.hellokids.com/c_26984/leia/historias-para-criancas/historias-de-natal/a-historia-da-mamae-noel-para-criancas#ffZ89FU0O2Wmo9bW.99

Nativitaten é um dos espetáculos em cartaz no Natal Luz de Gramado 




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Reynaldo-BH: ‘O muro cubano caiu’

REYNALDO ROCHA

Cuba foi anexada aos Estados Unidos da América.
Depois de 53 anos vivendo com recursos que nunca produziu, primeiro sustentada pela extinta URSS e depois pela Venezuela bolivariana, a ilha sabe que não há mais quem pague o almoço da mais longeva ditadura do mundo.
Cuba é um porta-aviões estacionado a 150 km da Flórida. (Somente como comparação: a distância entre São Paulo e Taguaritinga é de 340 km). Foi alugada durante a Guerra Fria para servir de base de lançamentos de mísseis.
Com o fim das tensões entre soviéticos e americanos, continuou a ser o paradigma de outra “guerra”, feita de diatribes, ofensas e ameaças risíveis.
Desde sempre, o regime cubano prende, mata, censura, evita eleições e privilegia a casta no poder, que se mostrou incapaz de promover qualquer avanço econômico. A ilha sempre dependeu da ajuda de quem hostiliza os EUA.
Qual a importância geopolítica e econômica de Cuba nos dias atuais? Nenhuma.
Cuba não será uma China, onde impera o capitalismo de esquerda. Será uma Alemanha Oriental, que descobriu que havia vida do outro lado só depois da queda do Muro de Berlim.
Não será uma travessia fácil. São 50 anos de doutrinação. As gerações recentes foram isoladas do mundo. Mas acontecerá.
Quantas Yoanis Sanchez surgirão? Como censurar a WEB? A China censura. Custa muito dinheiro para quem tem de economizar tostões.
O sonho que se fez pesadelo no momento zero está chegando ao fim. Nada impedirá a avalanche de informação, diversão, democracia e cidadania que a reaproximação com os Estados Unidos provocará.
A ilha hoje sobrevive de charutos e açúcar (como há 50 anos), financiamentos externos a fundo perdidos (as fontes secaram) e aluguel de cidadãos. O mundo passou por quantas mudanças nas últimas décadas. Enquanto todos mudavam, Cuba permanecia imobilizada a 150 km de Miami. Não teria nada sem o dinheiro que soube extorquir dos “amigos” socialistas invocando essa proximidade geográfica.
Em 1961, foi erguido em Berlim o muro derrubado em 1989. Um ano depois, a reunificação da Alemanha se consumou.
O muro cubano caiu.
Caminhão Chevrolet adaptado para navegar e fugir do paraíso socialista rumo ao inferno capitalista.

Natal, nascimento e morte?


CARLOS VIEIRA
“Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de náilon  - sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o suprarrealismo, justificado espiritualmente, será a chave do mundo”.

Ah Drummond, como você sabia transitar entre o triste, o melancólico, a singeleza da vida, “o sentimento do mundo”, e a ironia fina e também explícita! O que lemos acima é um fragmento de uma crônica do “Gauche”, em seu livro, “Cadeira de Balanço”, editado pela Record, 22º Edição em 2009.

Natal, quantos natais tem uma pessoa? Uns nem os vive, nascem mortos, ou morrem de inanição nesse nosso país ainda subdesenvolvido.; outros já crescidinhos, menores diante da Lei, comemoram roubando para os donos das gangues; alguns recebem uma tímida ceia de alguma organização civil; um outro que conheci, nasceu na meia-noite e foi notícia de televisão; um filho de um empresário bilionário ganhou uma Ferrari, dias depois “desfilando a 180 km de velocidade tirou a vida de um ciclista; Alberto, filho de um político recebeu um belo “papai Noel”: a promessa que seria deputado federal nos próximos pleitos, sem sombra de dúvida, pois seu pai que não era Noel já estava criando uma cidade-satélite que lhe garantiria o eleitorado; o Governo em sua generosidade habitual trouxe em seu “trenó”, aumento da eletricidade, da gasolina, da cesta básica, dos impostos injustos, e sem tristeza, não promete mais para os próximos natais – “O Natal do pré-sal”. “Então nos amaremos e nos desejaremos ininterruptamente...” Meu querido Carlos itabirano, há verdade relativa em suas palavras, mas sua sensibilidade irônica não perdoa o que o velho Freud chamou de “princípio de realidade”.

Quando escrevia essa crônica um livro estava meio escondido por entre outros, uma bela e cruel obra: “Bertolt Brecht  - Poemas 1913 – 1956”, seleção e tradução de Paulo César Souza, Ed. 34, 2000. “Como um aviso dos céus”, papai Noel me soprou para ler um dos poemas de um dos maiores dramaturgos contemporâneos. O poema chama-se: “Toma lugar à Mesa”. Passo a transcrever:

“Toma lugar à mesa, não a preparaste?
A partir de hoje também usará o vestido aquela que o costurou.
Hoje, às doze horas do meio dia
Começa a idade do ouro.
Nós a iniciamos por considerar
Que estais cansados de construir casas e
Nelas não morar. Achamos que 
Agora quereis comer o pão que cozinhastes.
Mãe, teu filho deve comer.
A guerra foi cancelada. Pensamos
Que gostarias assim. Por que, perguntamo-nos
Adiar mais ainda a idade de ouro?
Não vivemos para sempre.”
Proximamente teremos mais uma noite de Natal. Entre tristezas e alegrias, pelo menos algumas horas quem sabe, podemos nos deliciar com a reunião de família, ainda que às vezes se convide algum estranho chato, out, nada a ver com as parcerias, mas paciência, sempre existem pessoas estranhas no seio do “estranho ninho familiar”.

Sem querer parecer espírito de porco, noite de Natal é uma experiência dialética. Explico: nas primeiras horas a estonteante alegria do encontro e a troca dos presentes são fatos implícitos. Após algumas horas, às vezes, aquela harmonia natural começa a se fragmentar: fofocas, brigas explícitas e implícitas entre os familiares; queixas, reclamações, alfinetadas coloridas de inveja e ciúme, indelicadeza com os mais velhos, choros agudíssimos de crianças pequenas que dão crises de birra e falta de educação. Beijos, afagos, carinho nas avós e avôs, existem também; a cunhada reclama da sogra; o estranho não consegue se inserir; uma notícia no pé do ouvido: “você sabia que sua irmã vai se separar? Responde o irmão: “cara, não estraga a festa, deixa de fofocar, estamos numa bela confraternização! “Os objetos se impregnarão do espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade...”

Para ser sensato, Natal é um momento simbólico de criatividade, de novos nascimentos, de capacidade de repensar o tempo passado, de considerar a Alteridade, de ter esperança de que Cristo não veio para nos salvar – Cristo veio para nos humanizar, verbo meio ausente na atualidade mas necessário para a sobrevivência do Mundo.

O maior presente natalino que podemos receber, nesse momento histórico em nossa Nação é: Educação, moradia, justiça para os que não usam “colarinho branco”, saúde a todos e atendimento aos que morrem na porta do hospital ou na recusa de atendimento, segurança social e individual prevenindo crimes hediondos, e finalmente: vontade política e governamental de empreender reformas e mudanças, caso contrário continuaremos a ter, não “peru assado” e sim “pessoas assadas” pelas balas perdidas, pelos projéteis intencionais, e pela falta de recursos para o mínimo de sobrevivência da população carente, ao contrário da minoria privilegiada do “gigante pela própria natureza”.
Carlos de Almeida Vieira - psicanalista e psiquiatra.     

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Modesto Carvalhosa no Roda Viva: uma aula sobre a corrupção que infesta o país

No Roda Viva desta segunda-feira, o advogado Modesto Carvalhosa valeu-se dos conhecimentos acumulados em 82 anos para ministrar um cursinho intensivo de 90 minutos sobre a praga da corrupção e o que fazer para combatê-la. O escândalo que devasta a Petrobras foi o assunto dominante nas perguntas formuladas pelo advogado criminal Eduardo Muylaert e pelos jornalistas Frederico Vasconcelos (Folha), Sonia Racy (Estadão), Zínia Baeta (Valor Econômico) e Rodolfo Borges (El País).
Com a segurança de quem lida desde a juventude com temas de alto teor explosivo, Carvalhosa contestou enfaticamente a ofensiva destinada a desqualificar a delação premiada. Sem esse instrumento legal, afirmou, seria muito mais complicado desmontar uma organização criminosa do porte da investigada pela Operação Lava Jato. Além de complexa, observou o entrevistado, a quadrilha é protegida pelo Planalto, que continua empenhado em desfigurar a Lei Anticorrupção para assegurar a impunidade de bandidos de estimação.
Para Carvalhosa, é ingenuidade qualificar de omisso o comportamento do governo frente ao maior escândalo político-policial da história republicana. Os donos do poder, advertiu no Roda Viva, não param de movimentar-se para livrar os culpados de qualquer castigo legal. “O homem da CGU é Hage, que só fala, não age”, exemplificou o professor de Direito inconformado com o palavrório alarmista do ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria Geral da União. A ofensiva dos comparsas nada tem de surpreendente: como o Mensalão, o Petrolão é fruto do projeto concebido pelo PT para eternizar-se no poder.
O partido do governo e seus aliados vêm aparelhando há 12 anos todas as instituições e todas as ramificações da máquina administrativa. A Petrobras é o caso mais ousado ─ e de consequências mais desastrosas. Mas não é o primeiro e dificilmente será o último. Depois de ressalvar que, neste momento, um pedido de impeachment seria prematuro, o entrevistado constatou que muito mais precipitada, além de insolente, é a tentativa de estigmatizar como “golpe” a eventual abertura de um processo do gênero contra Dilma Rousseff. Qualquer governante que tenha cometido crime de responsabilidade tem de submeter-se às normas constitucionais, ensinou o professor de Direito.
“O país não vai parar por causa disso”, reiterou. “A corrupção é que prejudica a governabilidade”. Para Carvalhosa, essa espécie de argumento é só uma esperteza diversionista encampada pelo governo para proteger os quadrilheiros. “O Brasil também não vai parar se as empreiteiras que infringiram a lei forem declaradas inidôneas”, emendou. “Parado o país está há tempos, porque os contratos não são cumpridos e as obras não são entregues”.
Modesto Carvalhosa recomendou ao longo do programa a imediata adoção de medidas de combate à corrupção já testadas com êxito em outros países. “O essencial é a quebra da interlocução entre o poder contratante e a empreiteira que for contratada”, resumiu, localizando nesse acasalamento promíscuo a origem da praga que infesta o país. Confira o vídeo. Somados, os ensinamentos do entrevistado atestam que o caminho que leva para longe das cavernas é menos extenso do que parece. Mas é preciso começar a percorrê-lo agora.

Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, reage às declarações de Dias Toffoli

Em seu blog, o ex-governador paulista Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB, reagiu às declarações feitas na cerimônia de diplomação de Dilma Rousseff pelo ministro Dias Toffoli, presidente do TSE. Entre outras afirmações, Toffoli considerou ‘página virada’ a eleição de outubro e avisou: ‘Não haverá terceiro turno’. Segue-se a resposta de ALBERTO GOLDMAN: 

O ministro Dias Toffoli, membro do Supremo Tribunal Federal e, atualmente, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, chegou ao STF por ser ativo militante do PT, sem cumprir o dispositivo constitucional que determina que para chegar a esse posto do Judiciário tem que ter “notável saber jurídico”. Não tem em seu curriculum nada que o credencie. Foi indicado por Dilma Rousseff e aprovado pela maioria governista do Senado Federal. Um acinte.
No mínimo deveria ter compostura e mostrar a isenção de um magistrado na mais alta Corte do País.
Na quinta-feira passada, dia 18,o PSDB ingressou com uma ação no TSE questionando a candidatura de Dilma por suposto uso da máquina pública e abuso de poder político e econômico. Um direito que lhe cabe. É a lei. O processo está sob a relatoria de João Otávio Noronha. Dias Toffoli, ex-advogado do PT, afirmou na mesma quinta-feira que não haverá terceiro turno no país. A declaração endereçada à oposição foi feita na cerimônia de diplomação da presidente Dilma Rousseff, como reação à ação do PSDB
Segundo Dias Toffoli, as eleições são uma página virada e esta é posição dos membros da Corte e do próprio corregedor Eleitoral, ministro João Otávio Noronha. “Eleições concluídas são, para o poder Judiciário Eleitoral, uma página virada”, disse. “Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que os especuladores se calem. Não há espaço. Já conversei com a corte e é esta a posição inclusive de nosso corregedor geral eleitoral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto destes 54.501.118 eleitores”.
O ministro, travestido de militante, não esperou a reunião da Corte, não falou no corpo do processo com as arguições das partes, defesa e acusação, não esperou pelas opiniões, formalmente expostas no momento adequado, dos demais ministros. Já decretou: “É página virada…já conversei com a corte e essa é a posição do nosso corregedor geral eleitoral…os especuladores que se calem”.
Esse hitlerzinho, que ganhou uma batina de juiz pelos serviços prestados ao PT, não considera o direito democrático de outros, ainda que representem a voz de mais de 51 milhões de eleitores, que estão usando o direito que a lei lhes confere de contestar a forma pela qual Dilma se reelegeu. Não se dispõe a esperar a decisão normal no processo e já divulga o que seria a decisão da Corte.
Fôssemos uma democracia pra valer ele perderia o seu lugar no STF, no mínimo, por abuso de poder ou por falta de decoro. Ainda não somos mas, um dia, haveremos de ser. E seres como esse cidadão não terão mais espaço na vida democrática da Nação. Não para ser juiz da Suprema Corte.


J.R. Guzzo: ‘Sem alegria’

Publicado na edição impressa de VEJA

J.R GUZZO
A história vive nos ensinando como é difícil satisfazer certos ganhadores. Quanto mais ganham, mais reclamam; por questões de temperamento pessoal, ou pelo momento político, ou pelo tumulto que criam para si mesmos e para os outros, seus triunfos tendem a gerar discórdia, neurastenia, frustração e, no fim das contas, um pote até aqui de mágoa. Um caso clássico de infelicidade na glória é o do rei Felipe II da Espanha, geralmente visto como o monarca mais bem­-sucedido de todos os tempos. Felipe II governou um império que cobria os 24 fusos horários da Terra. A bandeira espanhola estava presente nos quatro continentes conhecidos em seu tempo; em toda a América, da Califórnia à Patagônia, incluindo o Brasil, ele reinava sozinho. Era o proprietário da maior parte de todo o ouro e prata existentes no mundo. Nem a Inquisição Católica da Espanha, a mais selvagem da época, tinha coragem de se meter com ele. Mas nada disso, pelo que se sabe, foi suficiente para deixá-lo satisfeito. “Queira Deus que eu possa ser tratado melhor no céu do que nesta vida”, queixou-se Sua Majestade pouco antes de morrer, em 1598, após 42 anos seguidos no trono.
Homem difícil de agradar, esse Felipe II – o que mais ele poderia querer? Sem dúvida, mas o cidadão comum ficaria surpreso se soubesse como são frequentes os casos de baixo-astral explícito que acompanham muitas das grandes vitórias na política. Justo agora, por exemplo, temos no Brasil uma situação desse tipo. Ninguém aqui está dizendo que Dilma Rousseff, recém-vitoriosa nas eleições, é uma Felipe II, porque ela com certeza não é uma Felipe II – a começar pelo fato de que não pode ficar, como o companheiro espanhol, mais de quarenta anos no governo, o que lhe daria o equivalente a dez mandatos seguidos na Presidência da República. Mas tudo indica que seu último triunfo está sendo um desapontamento. A presidente foi reeleita. Seu patrono, o ex-presidente Lula, conseguiu um novo milagre. Seu partido ganhou pela quarta vez seguida a eleição presidencial. Ainda assim, Dilma nunca pareceu tão infeliz quanto agora. Fez duas excelentes escolhas para o seu novo ministério, Joaquim Levy para a Fazenda e Kátia Abreu para a Agricultura – mas o PT ficou irado. Meteu-se numa miserável trapaça para falsificar no Congresso os números do orçamento, e por conta disso colocou fora da lei o governo que chefia. Suas tropas atiram em si próprias com a mesma violência com que atiravam até outro dia contra os adversários da campanha eleitoral. Fantasmas do passado se associam com fantasmas do futuro.
É verdade que com um petrolão inteiro pela proa não dá para ninguém ficar animado – Dilma e Lula, a esta altura, não podem mais construir uma linha de defesa que os absolva, e os fatos já demonstraram que os governos de uma e do outro entrarão para a memória pública como os mais corruptos de toda a história do Brasil. Mas parece haver algo mais inquietante nessa síndrome de depressão pós­eleitoral. Antes ainda do resultado final, gente graúda no governo e em seu sistema de apoio garantia que a presidente só poderá salvar o seu segundo mandato de um naufrágio se “se livrar” de pessoas e de posturas que se tornaram flores no seu jardim. Dilma, por esses teoremas, precisa “livrar­se” deste ou daquele ministro, dos arquiduques desta ou daquela estatal, e por aí se vai. Perfeitamente: poderia livrar-se, aliás, dos seus 39 ministros, e ninguém iria perceber nada. O problema, falando francamente, é que para que as coisas melhorassem de verdade Dilma teria de livrar-se principalmente de si mesma – e isso, como se diz, não vai rolar.
O que complica a situação para Dilma Rousseff, e principalmente para o país a ser governado por ela nos próximos quatro anos, é precisamente Dilma Rousseff. Essa conversa toda sobre seu estilo, sua inclinação à “gerência”, sua paixão por frases que não acabam e por pensamentos que não começam etc. fica indo de lá para cá, de cá para lá, e esconde o fato essencial – o de que a presidente do Brasil, diga-se com toda a educação possível, não tem capacidade para exercer esse cargo. Há pessoas que aprendem o suficiente para ter muitas ideias, mas não o necessário para fazê-las dar certo; é o caso da presidente. Pessoas assim acabam criando uma hostilidade sem limites a tudo o que não é medíocre, e com isso se condenam a não aprender nada que as ajude. Só mudam quando são forçadas. São obcecadas por truques montados para esconder suas derrotas e negar os erros. É uma fórmula segura para viver na insatisfação.
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/opiniao-2/j-r-guzzo-sem-alegria/