Seguidores

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
*Carlos Drummond de Andrade

Verão, praia, rios, férias..., e os inevitáveis companheiros Pernilongos no Sul, para o Gaúcho, Inhatium. Carapanã no Norte, Muriçoca no Nordeste...,

Armadilha para capturar pernilongos - fácil de fazer.
DEVEMOS COMBATER A DENGUE!

Para quem não sabe, é importante conhecer os hábitos dos pernilongos em geral. O pernilongo que pica é a fêmea que usa nosso sangue como alimento e nutriente para seus ovos. Nessas picadas podem ser transmitidas a dengue, a malária e várias outras doenças. Os machos, em geral, se alimentam da seiva de plantas. Alguns pernilongos, como os da dengue, têm habitos diurnos, mas quanto ao resto se comportam como os demais. Os pernilongos (fêmeas) são atraídos e se orientam pelo dióxido de carbono que expelimos por nossa respiração e pela pele. É assim que eles acham os alvos das picadas, que somos nós. É porisso que os escutamos rondando nosso nariz à noite. Baseando-se nesse comportamento dos pernilongos foi criada a armadilha para sua captura, um dispositivo muito simples que todos nós poderemos fazer em quantidade suficiente para proteger a casa toda.

Armadilha para captura de Pernilongo - Use e Divulgue!

É UM MÉTODO MUITO EFICIENTE, LEIAM.

SERVE PARA QUALQUER PERNILONGO, MESMO O DA DENGUE, MOSQUITOS e INSETOS VOADORES:

Como matar mosquitos ecologicamente correto.
Para ajudar com a luta contínua contra os mosquitos da dengue e a dengue hemorrágica, uma idéia é trazê-los para uma armadilha que pode matar muitos deles.
O que nós precisamos é, basicamente:

200 ml de água,
50 gramas de açúcar mascavo,
1 grama de levedura (fermento biológico de pão, encontra em qualquer supermercado ) e uma garrafa plástica de 2 litros

Como fazer:

1. Corte uma garrafa de plástico (tipo PET) ao meio. Guardar a parte do gargalo:


2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixe esfriar. Depois de frio despejar na metade de baixo da garrafa.


3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela criará dióxido de carbono.


4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.


5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.


Em duas semanas você vai ver a quantidade de pernilongos e mosquitos que morreu dentro da garrafa.


Além da limpeza de suas casas, locais de reprodução de pernilongos e mosquitos, podemos utilizar este método muito útil em: Escolas, Creches, Hospitais, residências, sítios, chácaras, fazendas, floriculturas. etc.

Não se esqueça da Dengue nos próximos meses: este pernilongo pode matar uma pessoa!

DIVULGUE! é muito importante!!!

domingo, 29 de dezembro de 2013

Reverência ao destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
*Carlos Drummond de Andrade

SER

VERBO SER

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
*Carlos Drummond de Andrade

Promessas de ano novo...,


Boas festas...,

Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!
*Carlos Drummond de Andrade


sábado, 28 de dezembro de 2013

2014 chegando..., Entre outras coisas, a copa mais cara de todos os tempos, desde a vida selvagem. Como nunca antes na história "defe" país...,


Feliz Ano Novo!!!

No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.
*Mario Quintana

Cinismo, cara de pau...,

É desumano. Não falta dinheiro fácil para OGX, Friboi e montadoras de automóveis. Já para prevenção de tragédias, Dilma bloqueou 72% das verbas em 2013.

O teatrinho de sempre: contingencia as verbas e depois vai chorar lágrimas de crocodilo diante das tragédias.
O governo federal gastou até agora apenas 28% dos R$ 18,8 bilhões que anunciou, em agosto de 2012, para o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais. Os recursos seriam gastos, até 2014, em ações divididas em eixos temáticos: prevenção, mapeamento, resposta e monitoramento climático em todo o país.
Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), obtidos pela ONG Contas Abertas, mostram que o governo gastou R$ 5,3 bilhões em 2012 e 2013. Deste total, R$ 1,3 bilhão é referente a ações que já estavam previstas antes mesmo do anúncio do plano nacional, e que foram gastos até este mês. Para cumprir sua promessa, o governo Dilma precisará investir no próximo ano, eleitoral, nada menos que R$ 13,5 bilhões.
E continua morrendo gente, pois a presidenta agiliza dinheiro para grandes grupos e exige projetos que beiram à megalomania para retirar populações das margens de rios e de encostas de morros. Para depois colocar a culpa em prefeitos e governadores. É muito cinismo. 

Eleições 2014...,

"Nós podemos disputar a eleição, brigar na eleição, podemos fazer o diabo quando é hora de eleição. Mas, se a gente está no exercício do mandato, temos que respeitar".

Dilma Rousseff, explicando que, no Brasil, o Código Penal sai de férias durante a temporada eleitoral. *Augusto Nunes

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Histórias de Natal

Histórias de Natal, parte 1


Em plena contagem regressiva para o Natal, os próximos posts do blog vão explorar um pouco do que se sabe, do ponto de vista histórico e de estudo textual do Novo Testamento, sobre as narrativas que deram origem a uma das festas religiosas mais importantes do planeta.


A Anunciação, em pintura de Rubens. Crédito: Reprodução




 Em quase todas as religiões cristãs, a liturgia de Natal está cheia de momentos tocantes e inspiradores, da estrela de Belém aos “Reis Magos” (que na verdade não eram reis; taí uma discussão interessante…), dos pastores ao anjo Gabriel. O que pouca gente percebe de forma consciente, no entanto, é que o quadro tradicional do Natal foi construído com base em duas narrativas bem diferentes, com perspectivas bastante distintas, uma do Evangelho de Mateus, a outra do Evangelho de Lucas.
Vale a pena dar uma relida nesses textos, nos primeiros capítulos dos dois evangelistas, antes da festa natalina. Mas, em resumo, podemos dizer que:
1)Em Mateus, a perspectiva é basicamente a de José, pai adotivo do menino Jesus segundo a tradição cristã. É no Evangelho de Mateus (e só no Evangelho de Mateus) que temos a história de que José pensou em abandonar Maria quando soube que ela estava grávida, que temos o aparecimento dos Magos e da estrela que os guia, que Herodes manda matar as crianças de Belém forçando a fuga da Sagrada Família para o Egito etc.


A fuga para o Egito, passagem que só aparece no Evangelho de Mateus, em pintura de Giotto. Crédito: Reprodução
2)Em Lucas, por outro lado, a perspectiva é a de Maria, com momentos célebres como a Anunciação (quando o anjo Gabriel anuncia a Maria que ela ficará grávida), a história da gestação milagrosa de João Batista, considerado parente de Jesus por Lucas, os anjos e os pastores presentes na gruta de Belém e, aliás, toda a história da viagem de Nazaré a Belém por causa do recenseamento romano (Mateus não menciona esse fato).
Em diversos pontos, as narrativas parecem até se contradizer (Mateus, por exemplo, dá a entender que José e Maria moravam em Belém mesmo; as genealogias de Jesus são muito diferentes, como veremos etc.). Muito mais do que simplesmente apontar essas contradições, no entanto, meu objetivo nos próximos posts é mostrar como os antigos autores cristãos usaram suas narrativas, dentro de sua mentalidade e do contexto do século 1º d.C., de modo que o nascimento de Jesus fosse retratado como um microcosmo de sua vida e sua missão. Até a próxima postagem!

Histórias de Natal, parte 2: genealogias

Rei Davi, retratado como Imperador Bizantino

Muita gente costuma passar batido pelas enormes genealogias que costumam aparecer nos textos bíblicos. Mas, para quem tem olhos para ver, elas são uma fonte riquíssima de informação, seja sob o ponto de vista histórico, seja sob o prisma teológico. No mundo antigo (como, de resto, até o começo do século passado, na verdade), comprovar a descendência a partir de algum ancestral famoso era um elemento importante de autoafirmação social e até política. E o mesmo vale para as listas de dezenas de ancestrais de Jesus que aparecem no Evangelho de Mateus e no Evangelho de Lucas.
Começando com o mais óbvio, Mateus e Lucas enxergam os ancestrais de Cristo de maneiras bem diferentes. (Para quem tem interesse em acompanhar a discussão mais detalhadamente, vale a pena abrir sua Bíblia em Mateus, capítulo, versículos de 1 a 16, e em Lucas, capítulo 3, versículos de 23 a 38). O Evangelho de Mateus, o primeiro do Novo Testamento, inspira-se diretamente nas genealogias do Gênesis, o primeiro livro do AntigoTestamento, certamente porque tem o ponto de vista mais judaico de todos os evangelistas. Não é à toa que, logo de cara, Jesus recebe o título de “filho de Davi” (o maior rei da história de Israel) e “filho de Abraão” (o primeiro patriarca do povo israelita). A genealogia é o que nós esperaríamos hoje: começa-se com o ancestral mais antigo, Abraão, e chega-se ao descendente mais recente, Jesus.
Já Lucas, muito provavelmente escrevendo para um público não judeu, e talvez não sendo também de origem judaica, adota o que poderíamos chamar de uma perspectiva mais universalista. De um jeito mais esquisito para o nosso ponto de vista, começa com o próprio Jesus e vai recuando no tempo — mas, desta vez, em vez de parar em Abraão, chega até o próprio Adão, o “pai” de toda a raça humana, e ressalta ainda que Adão era “filho de Deus”, deixando claro que o interesse de Lucas é pregar Jesus como Salvador não só para os judeus, mas para toda a humanidade.
Não que esse preocupação estivesse totalmente ausente dos pensamentos de Mateus, no entanto. O primeiro evangelista é o único, em sua lista genealógica, a citar mulheres, e não só homens — e, curiosamente, com exceção de Maria, são todas mulheres não israelitas, originalmente “pagãs”: Tamar, Raab e Rute. Talvez seja uma pista de como os não judeus também seriam incorporados à “família” do Messias.
NOMES QUE NÃO BATEM


Anjo impede Abraão de sacrificar seu filho Isaac. Crédito: Reprodução
Até aí, tudo OK. Cada evangelista tinha sua própria técnica literária e seu público-alvo. A coisa começa a se complicar, no entanto — ao menos do ponto de vista de quem acha que cada vírgula do texto bíblico é a verdade literal incontestável —  quando se olha com atenção o “miolo” das genealogias. Eles simplesmente não batem, e as diferenças estão longe de serem triviais.
Mateus, por exemplo, organiza sua genealogia em três grandes períodos de 14 gerações. O período do meio, o da monarquia israelita, mostra como ancestrais de Jesus todos os reis de Israel (e, depois, do reino de Judá), de Davi até a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C. Na fase seguinte, chegamos a José e Jesus — só que há um problema aritmético sério: a conta dá 13gerações, não 14, como Mateus explicitamente afirma. Ou algum escriba que copiou o evangelho “pulou” um ancestral, que desde então ficou perdido, ou Mateus simplesmente errou a conta. Mas o rolo é ainda mais complexo.
Ocorre que, de Davi em diante — um período de cerca de mil anos, veja bem — só três nomes de ancestrais de Jesus batem entre Mateus e Lucas: Salatiel, Zorobabel (na época do exílio dos judeus na Babilônia) e o próprio José. Segundo o primeiro evangelista, Jesus seria descendente direto do rei Salomão, filho de Davi, enquanto Lucas diz que ele descendia de Natã, um dos filhos menos conhecidos do rei Davi. O que é mais desconcertante ainda, enquanto Mateus conta apenas 14 gerações (oops, 13) do exílio da Babilônia até Jesus, Lucas conta… 22 gerações. Conciliar as duas listas como factualmente corretas com matemática não dá (talvez com matemágica…).
“Ah, mas a genealogia de Lucas é a de Maria e a de Mateus é a de José, fácil”, diriam alguns. Essa é a solução que algumas tradições religiosas adotaram, mas o problema — insuperável, a meu ver — é que Lucas diz explicitamente que aquela lista de ancestrais é a de José, não de Maria. Ademais, o próprio Lucas diz que Isabel, mãe de João Batista e “parenta” de Maria, era descendente do sacerdote Aarão, e não do rei Davi. O que, salvo engano, indica que Maria era da linhagem sacerdotal israelita, não da linhagem real judaica — ao menos segundo o evangelista.
Como, então, explicar as diferentes genealogias? Cada evangelista pode ter tido acesso a documentos diferentes listando os descendentes de Davi para montar seu “álbum de família” de Jesus. É o tipo de coisa que acaba ficando bagunçada depois de um milênio.
FILHO DE DAVI?
Uma última nota sobre questões genealógicas envolvendo o Nazareno: faz algum sentido histórico se perguntar se ele descendia mesmo do jovem rei que matou Golias?
São José com o menino Jesus. Crédito: Reprodução
São José com o menino Jesus. Crédito: Reprodução
Do ponto de vista estritamente secular, deixando a fé entre parênteses, a resposta curta é: não dá para saber. Sem DNA dos dois (Davi e Jesus), nunca saberemos. Mas o que podemos nos perguntar é se os contemporâneos de Jesus acreditavam nisso, e nesse caso é provável que a resposta seja afirmativa.
Os mais antigos documentos cristãos, as cartas do apóstolo Paulo, escritas nos anos 50 do século 1º d.C. (uns 20 anos depois da morte do Nazareno, portanto), já mencionam a tradição da ascendência davídica. Em sua Carta aos Romanos, Paulo diz logo na abertura da epístola que Jesus tinha “nascido da semente de Davi, segundo a carne”. A afirmação parece estar inserida numa espécie de profissão de fé cristã muito antiga, que o próprio Paulo não formulou, mas apenas estaria citando. Parece, portanto, que a crença na pertença de Cristo à família de Davi era comum entre os primeiros cristãos.
Uma consideração probabilística cabe aí também, claro: se os reis israelitas tinham 5% da vasta quantidade de esposas e concubinas atribuídas a eles nos textos do Antigo Testamento, depois de um milênio, torna-se virtualmente certo que Jesus descendia de Davi — ele e boa parte da população judaica de seu tempo, claro.

Histórias de Natal, Parte 4: Quando Jesus nasceu?

Nosso tema de hoje parece absurdamente simples, mas na verdade é um vespeiro. Afinal, se estamos em 2013, Jesus nasceu há 2013 anos, certo? Errado, a começar pelo fato de que ninguém conhecia o zero no Mediterrâneo da Antiguidade, então começamos a contar os anos diretamente no ano 1, em vez de esperar que todos os 12 meses do “ano zero” transcorressem. Além disso, como muita gente talvez saiba, já é consensual entre os historiadores que a própria fixação da data do nascimento de Jesus como o início do nosso calendário, feita originalmente pelo monge Dionísio, o Pequeno (470-544), infelizmente contém um erro de cálculo.
Dionísio, nascido em algum lugar entre as atuais Romênia e Bulgária, fixou a data do nascimento  de Cristo no ano 753 AUC (sigla da expressão latina “ab urbe condita”, ou seja, “depois da fundação da cidade” — a cidade em questão sendo Roma). Ocorre que, se essa data fosse a correta, Jesus teria vindo ao mundo depois da morte do rei Herodes, o Grande (o qual partiu desta para uma melhor — ou pior, levando em conta as malvadezas que praticou — no ano 4 a.C.). E, se há uma coisa a respeito da qual todas as fontes antigas concordam, é que Jesus nasceu quando Herodes ainda era rei. No mínimo, portanto, no ano 4 a.C., ou antes.
Mas quando exatamente, afinal? O Evangelho de Mateus é vago — diz apenas que foi “no tempo do rei Herodes”. Já Lucas parece ser muito mais detalhado e promissor para chegarmos a uma resposta histórica. Afinal ele associa a ida de Maria a José de Nazaré a Belém para cumprir as determinações de um censo decretado pelo imperador Augusto para todos os moradores do Império Romano. Esse censo teria sido decretado quando Quirino era o governador da Síria e, de novo, quando Herodes reinava na Judeia. Além disso, Lucas também diz que Jesus tinha “cerca de 30 anos” no décimo-quinto ano do reinado do imperador Tibério, ou seja, em torno dos anos 28-29 d.C. do nosso calendário. Agora ficou fácil, hein?
Só que não. O problema, de novo, é que as informações não batem.
Começando do começo: não há indícios, fora do Novo Testamento, de que Augusto tenha de fato ordenado um recenseamento geral de todos os habitantes de seu império em qualquer momento – nem que, aliás, esse tipo de censo de todos os domínios romanos tenha jamais acontecido.
É verdade que Augusto pediu, certa feita, que os governadores das províncias fizessem uma lista de todos os cidadãos romanos de suas jurisdições, mas isso é algo bem diferente, porque os cidadãos romanos eram uma proporção minúscula de gente privilegiada e da classe alta no século 1 d.C. – carpinteiros de Nazaré certamente não se encaixavam nessa categoria. E, para piorar a coisa do ponto de vista cronológico, essa ordem de Augusto só foi dada no ano 6 – dez anos depois da morte de Herodes, portanto.
E tem mais esquisitices cronológicas nessa história. O consenso entre historiadores é que Quirino só se tornou governador romano da Síria depois da morte de Herodes — de novo, no famigerado ano 6 d.C., permanecendo no cargo até o ano 12. Pode até ser que ele tenha tido uma primeira passagem pelo governo da Síria, mas ainda assim no ano 3 a.C. – o rei vilão dos judeus já tinha morrido, de qualquer modo.
SÓCIO DOS ROMANOS
Outros detalhes importantes não são propriamente cronológicos, mas de plausibilidade histórica mesmo. Herodes era o que os romanos chamavam de rex socius, um soberano aliado, e as populações sob o mando desse tipo de rei títere dos romanos não costumavam ser recenseadas porque o propósito desse tipo de censo era cobrar impostos, coisa que Roma não fazia diretamente nesses casos.
Outro ponto esquisito é a ideia de que José, um descendente de Davi, teria de ir se registrar em Belém, cidade de seus ancestrais remotos (Davi nasceu em Belém cerca de mil anos antes de Jesus, é bom lembrar). A prática romana era exigir que apenas o chefe de família se registrasse num centro administrativo próximo, para facilitar as coisas – José, portanto, deveria ir até a cidade galileia de Séforis, não a Belém.
É por tudo isso que a verdadeira “data de nascimento” do Nazareno infelizmente continua sendo vaga. Os detalhes usados por Lucas provavelmente são criações literárias usadas para situar Jesus no contexto do Império Romano e, talvez, de retratá-lo em contraposição aos imperadores romanos — tema que vamos explorar melhor no próximo post.


Histórias de Natal, parte 4: A política da manjedoura

Como tenho tentado explicar nos últimos dias, é importante pensar nos chamados Evangelhos da Infância, os textos sobre o nascimento e os primeiros anos da vida de Jesus escritos pelos evangelistas Mateus e Lucas, como algo mais do que um simples relato factual do que aconteceu em Nazaré, Belém e Jerusalém no “ano 1″ — até porque, do ponto de vista factual, esses textos estão longe de contar a mesma história. Levando em conta a mentalidade e o contexto cultural da época, é mais lógico e produtivo pensar no que os evangelistas estão tentando dizer quando montam suas narrativas de determinada maneira.
Os Evangelhos da Infância, em outras palavras, mais do que uma transcrição dos vídeos que José e Maria fizeram da gravidez e do nascimento do menino (vídeos inexistentes, claro), são introduções ao que os evangelistas querem dizer com a história geral de Jesus. São o primeiro esboço da resposta às perguntas: quem é Jesus? E o que a vinda dele ao mundo significa? É desse ponto de vista que não é nem de longe inexato dizer que essas narrativas também têm forte conteúdo político.
Estátua do imperador romano Augusto. Crédito: Reprodução
Estátua do imperador romano Augusto. Crédito: Reprodução
É assim que muitos historiadores têm lido os Evangelhos da Infância, em especial os primeiros capítulos do Evangelho de Lucas. Um bom detalhamento dessa posição está no livro “O Primeiro Natal”, de Marcus Borg e John Dominic Crossan. Eles e outros pesquisadores enxergam uma série de paralelos intrigantes entre o relato de Lucas e a chamada teologia imperial romana — essa, basicamente, é o sistema ideológico usado por Roma para justificar sua dominação de boa parte do mundo antigo.
AUGUSTA PROPAGANDA
Sabemos que, nas décadas imediatamente anteriores ao nascimento de Jesus, vários anos de guerra civil entre os principais políticos romanos chegaram ao fim com a ascensão ao poder de Augusto, o primeiro imperador, que reinou de 27 a.C. a 14 d.C. Augusto não perdeu tempo do ponto de vista ideológico, fortalecendo a ideia de que seu pai adotivo e tio-avô, Júlio César, teria se tornado um deus (tornando-se, por tabela, filho de um deus, claro) e dando impulso a um culto de si próprio com honras divinas.
Textos espalhados por boa parte das províncias romanas, em especial na Ásia Menor (atual Turquia), passaram a louvar Augusto como o governante de origem divina que trouxe paz ao mundo. Logo surgiram histórias de que Augusto não era filho de um ser humano, mas do próprio deus Apolo, que teria fecundado a mãe dela na forma de uma serpente. E adivinhe o verbo grego usado pela propaganda oficial do império para exaltar os feitos de Augusto? O mesmo verbo que deu origem ao nosso “evangelizar” — ou seja, a “boa nova” de Augusto e de seus sucessores, todos os quais seguiram o exemplo de se autodivinizar.
É claro que boa parte disso era conversa pra boi dormir. Sim, de fato, o domínio com mãos de ferro de Augusto acabou com as guerras civis que mobilizaram o Mediterrâneo, mas a “pax romana” do novo imperador foi forjada para beneficiar apenas as elites do Império. Com a centralização política cada vez maior e a ânsia imperial por monumentos cada vez mais magníficos, quem pagava a conta dessa paz eram as grandes massas de camponeses do Império, obviamente sem os privilégios da cidadania romana — sem falar, é claro, dos inúmeros escravos.
E, é claro, na terra de Israel, a população judaica tinha perdido sua independência política, sendo governada por Herodes, um rei fantoche dos romanos, sanguinário e viciado em obras faraônicas. Ainda não havia a pressão para que os judeus se juntassem ao culto pagão do imperador. Mas, nas gerações seguintes ao nascimento de Jesus, com a revolta judaica contra Roma (no ano 66 d.C.) e a entrada cada vez maior de gentios (não judeus) no movimento religioso iniciado por ele, esse tipo de pressão em favor da idolatria ao imperador logo surgiria, fazendo mártires.
É nesse contexto que as escolhas narrativas e de linguagem que Lucas e Mateus fazem precisam ser entendidas. É muito plausível que seu significado seja o de uma forma de resistência pacífica, mas determinada, ao “projeto de mundo” da “Pax Romana”, propondo um projeto alternativo: o de Jesus. Nas palavras de Borg e Crossan:
“As histórias do primeiro Natal são, em geral, anti-imperiais. Em nosso contexto, isso significa afirmar, seguindo as histórias da natividade, que Jesus é o Filho de Deus (e o imperador não é), que Jesus é o Salvador do mundo (e o imperador não é), que Jesus é o Senhor (e o imperador não é), que Jesus é o caminho para a paz (e o imperador não é)”.
De fato, são esses os termos usados em grego pela teologia imperial romana para falar de Augusto: filho de Deus, Senhor, Salvador do mundo, portador da boa nova (“evangelho”). Só que essas palavras, em Lucas, são colocadas na boca dos humildes e dos oprimidos: a jovem Maria, sua parenta Isabel (desprezada por ter chegado aparentemente estéril à velhice antes de engravidar e ser mãe de João Batista), os pastores de Belém.
Para terminar, e deixando de lado a objetividade jornalística para falar como cristão: é essa visão, revolucionária no bom sentido, que está no centro da saga de Jesus e do Deus que ele pregou, e é graças a ela que o Natal continua sendo um símbolo tão poderoso do que é divino. Que todos, portanto, tenham um Natal maravilhoso. Até breve!

Carta ao Papai Noel

Bernardo Rodrigues

Querido Papai Noel,
Desculpa eu escrever tão devagar é que eu tenho nove anos mas ainda não sei escrever dereito nem meu nome que é muito complicado. Você sabe como é que é aqui agente não temos escola pra todo mundo e fica todo mundo quinem eu. Eu sei que o senhor tem muita carta pra ler e que todo mundo escreve carta pro senhor aí eu resolvi escrever de uma vez pro senhor não ter desculpa depois que tá muito ocupado quinem meu pai todo ano fala. Mais eu queria era fazer essa carta pra falar com o senhor o que eu quero ganhar de Natal.

Se não for muinto defício pro senhor eu queria quatro presentes deferentes. O primeiro é um papagaio. Uma vez falei com meu pai que queria um papagaio e ele me deu um, só que o que ele me deu era de papel igual pipa. Eu quero é um daquele verde que paresse uma maritaca e fala um monte de coisa. O Esquerdinha amigo meu ele faz muinta coisa errada mais é do bem e é bom de bola. Aí ele falou que eu não poço ganhar papagaio porque eu sou gago esqueci de falar isso com o senhor mas ele falou que eu sou gago e que gago não pode ter papagaio sinão o papagaio gageja também. Eu acho bobice do Esquerdinha porque o papagaio custa caro e deve ter estudado em escola particular e menino de escola particular não gageja. E si ele vier com defeito aí eu peço pra trocar. Mais como o senhor é que vai trazer eu confio no senhor. O senhor já ta velhinho mas é de confiança deferente dos político daqui. Intão eu queria ganhar um papagaio e uma chutera nova. Agora a chutera eu queria o pé direito número 34 e o esquerdo numero 30 porque eu quero devidir com o Isquerdinha meu amigo porque ele não tem chutera e ainda joga bem pra caramba. Ele chuta de perna isquerda aí pode ser asim. Um papagaio uma chutera e uma camionete. Eu quiria dar uma caminonete pra minha mãe pra ela poder carrega as roupa que ela lava sem ficar com dor nas costa. Mina mãe tem poblema sério de coluna aí eu queria mesmo é que ela sarace mas eu sei que o sinhor não é médico nem pai de santo e que o problema da minha mãe é sério. Mas a caminhonete eu acho que ajuda ela um pouco. O outro presente eu queria sarar da minha gagera. Eu vi na televisão que tem um médico que sara gago. Eu queria ganhar um médico desse de presente. Não cei se o senhor dá médico de presenti mas acho que pode ser um presente ispessial. Nem precisa imbrulhar porque senão o médico morre asfiquiciado quinem o policial falou do meu irmão quando mataram ele. Eu quero sarar da gagera pra todo mundo parar de rir de mim e o papagaio não ficar gago mas eu acho que não tem nada a ver é coisa do Esquerdinha que ta com inveja eu acho. E também eu poço falar bonito pra minha professora gostar de mim. Ela é nova e é bonita pra caramba e eu queria cazar com ela pra ela poder me ensenar escrever dereito e mas depressa.

Obrigado pela atensão espero que o senhor esteje bem sua mãe es seus parentes. Manda um abraço pros viadinho que carrega sua carroça. Um ispecial praquele que ta gripado. Ele já sarou?

Um abraço.

Maicodiéquisso dos Santos da Silva

*Bernardo Rodrigues, é jornalista, músico e professor. Desde os 18 anos escreve contos e crônicas. Especialista em Filosofia e mestre em Literatura, desenvolve pesquisa sobre a adaptação de textos literários para o cinema.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

BMW catarinense - "Montado em SC...,"

Primeiro BMW com motor flex chegará por 129.950 reais

Preço do novo 320i, apresentado em SC, é o mesmo do modelo a gasolina

O primeiro modelo da BMW fabricado no Brasil, o sedã 320i ActiveFlex, custará 129.950 reais, o mesmo preço cobrado pela versão a gasolina, já à venda no mercado nacional. O 320i ActiveFlex também é o primeiro automóvel flex desenvolvido e produzido pela marca alemã. Ele vem equipado com um motor turbo 2.0 litros, de 184 cv e mecanismo de injeção direta de combustível capaz de aceitar gasolina, etanol ou a mistura de ambos em qualquer proporção. A apresentação oficial do veículo aconteceu nesta semana no terreno que abrigará as futuras instalações da fábrica da BMW, em Araquari, no norte de Santa Catarina. Além do sedã, da nova linha de produção sairão o Série 1 Hatch, os utilitários esportivos X1 e X3, além do Mini Countryman. O início efetivo das operações na nova fábrica está previsto para outubro do ano que vem. Durante o evento, a marca revelou também o elétrico i3, que deve estrear no mercado nacional no segundo semestre de 2014.

Indulto Natalino...,

Jefferson e Genoino estudam pedido de indulto

Decisão caberá a Dilma, que ainda não editou o decreto; pela Constituição, apenas o presidente da República pode conceder o benefício

BRASÍLIA - Advogados dos ex-presidentes do PT José Genoino e do PTB Roberto Jefferson estudam pedir à Justiça um indulto a seus clientes. Pela Constituição, o benefício que poderia anular as penas dos condenados é dado por decreto presidencial.
Como na maioria dos anos o benefício é divulgado às vésperas das festas de fim de ano, o decreto é popularmente chamado de “indulto natalino”. Funciona da seguinte maneira: a Presidência da República faz a publicação estabelecendo os parâmetros de quem pode e quem não pode solicitá-los. Os condenados, então, entram na Justiça a fim de que tenham seus casos avaliados.
Dilma Rousseff ainda não editou o decreto de 2013, o que deve ocorrer nas próximas semanas. O benefício costuma ser dado, por exemplo, a quem tem doença grave. Genoino tem problemas cardíacos e Jefferson se recupera de câncer no pâncreas.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Cidades fantasmas, que custaram centenas de bilhões de dólares.

Vídeo ESPANTOSO: na China, cidades inteiras, novinhas em folha, construídas para ninguém morar. Há 64 milhões de imóveis vazios, e centenas de milhões de pessoas sem ter onde morar

Milhares de apartamentos vazios, árvores, jardins, avenidas: nada de gente, nada de automóveis (Foto: wnd.com)
Publicado originalmente em 25 de junho de 2012.
Cidades inteiras, com conjuntos habitacionais imensos, maciços de escritórios, shoppings center gigantescos – vazias.
Bairros repletos de aranha-céus, centros comerciais maiores do que de Miami ou de Cingapura – e nenhuma pessoa dentro, nenhum movimento, nada.
Cidades fantasmas, que custaram centenas de bilhões de dólares.
Isto está acontecendo na China. Para manter alto o crescimento do PIB determinado pelas autoridades centrais do Partido Comunista, em Pequim, dirigentes provinciais e municipais mandam ver – e a maneira mais fácil de conseguir crescimento econômico, em números, é a construção civil.
Bairros residenciais enormes, completos, boas casas, jardins, alamedas, imitando os subúrbios americanos… sem ninguém (Foto: meuploads.com)
Há, porém, um pequeno problema: os imóveis não têm demanda – são caros demais para o poder aquisitivo da maioria das pessoas. Sem contar que, volta e meia, são construídos em áreas obviamente inadequadas, como na zona rural, onde trabalhadores sobrevivem com rendimentos miseráveis.
Há um inacreditável, atordoante estoque de 64 milhões de moradias vazias. “Quando a bolha imobiliária chinesa estourar”, diz o consultor britânico Gillen Tullock, baseado em Hong Kong, “a dos Estados Unidos vai parecer brincadeira”.
Paradoxalmente, centenas de milhões de chineses moram em condições miseráveis.
Confiram na ótima reportagem do jornalista Adrian Brown, do programa Dateline, da emissora de TV Special Broadcasting Service da Austrália.
O vídeo é arrasador.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Uma história engraçada...,

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
*Rubem Braga

Nelson Rodrigues...,

Na velha Rússia, dizia um possesso dostoievskiano: — "Se Deus não existe tudo é permitido". Hoje, a coisa não se coloca em termos sobrenaturais. Não mais. Tudo agora é permitido se houver uma ideologia.

Quando os amigos deixam de jantar com os amigos [por causa da ideologia], é porque o país está maduro para a carnificina.

Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.

[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os "melhores" pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

Qualquer indivíduo é mais importante que toda a Via Láctea.

O gol de Romário

O deputado Romário dá mais uma dentro, ao denunciar a espantosa maracutaia tramada entre o governo e a CBF: um calote de 3 bilhões em todos nós, contribuintes

Deputado Romário, ministro do Esporte Aldo Rebelo e presidente da CBF José Maria Marin (Fotos: Lance!Press :: Roosewelt Pinheiro / EXAME.com :: Tom Dib)
O deputado Romário (PSB-RJ), o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e presidente da CBF José Maria Marin: o Baixinho denunciou a armação para anistiar 3 bilhões de dívidas de clubes de futebol para com o governo (Fotos: Lance!Press :: Roosewelt Pinheiro / EXAME.com :: Tom Dib)
Publicado originalmente em 23 de julho de 2013
Artigo de Luiz Garcia, publicado no jornal O Globo
O GOL DE ROMÁRIO
campeões de audiência 02Na terça-feira passada, Romário entrou em campo. Usava, se me permitem a pobreza da imagem, não as sandálias da humildade e da timidez, mas as chuteiras do artilheiro. E fez um gol de placa.
Denunciou ao plenário da Câmara um fato que muitos de seus colegas certamente ignoravam. E uns tantos outros fingiam ignorar — o que não é raro no mundo político. Por interesse direto, ou por contar que seus colegas façam o mesmo, quando for do seu interesse.
Romário simplesmente contou um episódio triste do mundo do futebol profissional.
Aqui vai: no último dia 9, ocorreu em Brasília um jantar no qual o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, foi recebido por um grupo de mais ou menos 25 deputados e senadores, para discutir um assunto que caridosamente podemos definir como cabeludo.
Ignoro, lamentavelmente, seus nomes e partidos. A opinião pública merecia conhecê-los.
Acontece, e a gente não sabia, que o Ministério do Esporte está preparando uma medida provisória que concederá anistia a dívidas de clubes de futebol do país inteiro, no valor de mais ou menos R$ 3 bilhões.
É a soma do que devem ao INSS, ao Imposto de Renda e ao Fundo de Garantia — que eles simplesmente, ousadamente, não pagaram nos últimos 20 anos.
É um dinheirão, que se explica pela soma dos juros ao longo desse tempão. Provavelmente, é o maior escândalo na história da cartolagem do esporte profissional brasileiro.
A anistia, segundo o nosso craque — que agiu com coragem e sem nada ganhar com isso, a não ser o ódio dos mandachuvas do esporte que é a paixão do povo brasileiro — está sendo preparada pelo Ministério do Esporte.
Em seu discurso-denúncia, Romário não revelou o que ficou acertado no jantar que reuniu o presidente da CBF e parlamentares. Ninguém falou em pagamento: discutiu-se apenas o encaminhamento da anistia.
É uma vergonha, como poucas as que temos conhecido na vida pública brasileira. E também, vale a pena repetir, um gol de placa do nosso artilheiro.